terça-feira, 11 de novembro de 2014

Nem todas as regras de convivência entre as crianças se negociam

Negocia-se, por exemplo, se pode ou não bater em um amigo dentro da escola? Claro que não, isto não é regra discutível e o professor deve ter a autoridade para falar que isto não se negocia. Não se bate em pessoas.

Há princípios morais que não se negociam, por exemplo, a justiça, a moral, o respeito (a si mesmo e ao grupo), a igualdade, e a dignidade, estes valores são explicáveis e conversados, mas não são negociáveis porque fazem parte de um comportamento maior, previsto em nossa legislação como regra de boa convivência.


Algumas regras de conduta, dentro da instituição de ensino, são negociáveis e outras não. Já as regras que são discutidas e elaboradas é como se fossem um contrato. Por exemplo, se as crianças apontam os lápis fora da lixeira e o chão fica sujo, isto é uma regra que poderá ser discutida e feita em forma de contrato. Vivemos em sociedade e os limites existem para o bom andamento da convivência mútua. Assim, as crianças precisam aprender a conviver para ter sucesso em seus relacionamentos, quer sejam pessoais, ou profissionais, futuramente. Existem muitos limites na vida adulta que devem ser ensinados e aprendidos pelas crianças; nós mesmos aprendemos esses limites desde pequenos, e eles não nos foram impostos ou adestrados ─ acredito eu ─, mas compreendidos e refletidos sobre as regras de conduta. Isto, sim, é o mais correto!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Toda criança tem um corpo e uma história

A identidade de uma criança é marcada por fatores biológicos, psicológicos e sociais, ou seja, sua identidade corporal é genética, vinda da fusão do DNA de seus pais, e caracterizada pelo genótipo, quer dizer, cor dos olhos, do cabelo, da pele, que são fatores genéticos e que compõem a identidade física desta criança.   Porém, estes fatores biológicos não vivem isolados do meio, mas sim, inseridos dentro de relações sociais que são a família, os amigos que fazem parte de seu dia a dia, os vizinhos...
Com relação aos fatores sociais, estes se formam pelas interrelações que se fazem entre o meio e a pessoa, no caso, a criança e o ambiente que a circunda. Os fatores sociais afetam ─ para o bem, ou para o mal ─ os aspectos da identidade psicológica da criança. Assim, uma família onde os adultos são agressivos, uma criança que ali vive e convive com aquela agressividade, diariamente, poderá desenvolver uma identidade também agressiva.

Muitas vezes não nos damos conta de que os fatores psicológicos podem desenvolver doenças no corpo das crianças, uma vez que o emocional esteja bastante abalado. Quando isto acontece, modificam-se as estruturas das células, dos órgãos e tecidos, podendo, com isso, acarretar moléstias nas mesmas. Vejo alguns históricos de crianças que, se estas estivessem dentro de famílias mais equilibradas, com certeza, não precisariam ir tanto a médicos!


No entanto, com a vida moderna e com a família desestruturada, cada vez mais as crianças estão com sua identidade psicológica (emocional) com problemas. Vejo algumas crianças de 4, 5 anos completamente estressadas, e isto não é normal!  Saudável seria que estas crianças fossem mais calmas, equilibradas e que fossem crianças, de fato, e não robôs em miniaturas. Criança tem que ter identidade de criança, tem que ser criança em todos os seus aspectos: biológicos, psicológicos e históricos. Com uma história de vitórias, conquistas e felicidade, podendo se desenvolver fisicamente, emocionalmente e socialmente de maneira equilibrada e com saúde.  

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Que venha com saúde!

Ouvi esta história de uma mãe de uma criança especial e preciso contar a vocês para que possamos refletir sempre diante da gravidez de uma mulher. É comum e cultural fazer, para as mães grávidas, perguntas do tipo: “Já sabe qual é o sexo do bebê?”. E alguns verbalizam que não e a conversa continua com: “o importante é que venha com saúde e que seja perfeito”.

Pois bem, esta mãe me disse que ouvia muito estas expressões citadas acima por parte de amigos, familiares e até mesmo de desconhecidos.   E quando sua filha nasceu com síndrome de Down, ela ficou com estas frases ecoando na cabeça e teve muita depressão. A partir deste fato, ela sempre conta para todos e me pediu que divulgasse em meu blog esta história para alertar o quanto isto é horrível diante da vida. Ela relatou que no primeiro momento da notícia levou um choque tão grande, que só ficava se lembrando do que as pessoas falaram quando ela estava grávida.


Hoje ela é uma pessoa super resolvida e engajada na luta contra o preconceito. Mas para superar estes fatos ela me relatou que não foi nada fácil, então, vamos refletir sobre o que falamos? Esse tipo de comentário pode magoar ─ e muito ─ determinadas pessoas e não dá nada em troca de positivo. Temos que pensar, também, que pode haver na família, ou no círculo de amigos de uma mulher que está grávida, uma criança ou mesmo um adulto portador de necessidades especiais. Muitas vezes esse fato já foi bem administrado e trabalhado entre os mais próximos, e muitas vezes ainda não! Então, ouvir uma frase dessas, como a citada acima, não traz nenhum tipo de acréscimo. Que tal dizer assim: “que barriga linda”!”Ou perguntar:” como é estar grávida?”

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Maior... menor...

Muitas vezes nos esquecemos da noção de tamanho quando falamos para com as crianças pequenas. O que é maior? O que é menor? Claro que depende do tamanho de quem vê; por exemplo, eu tenho 1,75cm, então, todas as pessoas mais baixas do que eu são menores; agora, imaginem um bebê no chão, olhando para mim: devo parecer uma gigante perto dele, mas não é a mesma situação com relação à altura de uma criança de 4 anos... e assim, sucessivamente.

Muitas pessoas esquecem-se deste detalhe e verbalizam, no diminutivo, frases e nomes de objetos, para a criança, como se o mundo dela fosse tudo no diminutivo! E o que é pior: a criança ainda não sabe falar; precisa aprender o significado social de tudo o que a rodeia e os adultos acabam verbalizando, entre si, palavras e expressões diferentes, que não se acham no diminutivo ou com um apelido, como se fosse uma outra língua. Assim, vejam que não falamos para uma pessoa adulta: “senta na sua cadeirinha”, mas falamos assim para a criança. Pensem no que falam e como falam...


Outra situação que nos esquecemos, às vezes, é de verbalizar 10, 20, 30... quantas vezes for necessário, para que a criança fixe a linguagem em sua memória! Muitos adultos pensam que falando uma ou duas vezes já é o suficiente, e muitas vezes não é! A memória também é uma região do cérebro que precisa ser desenvolvida; localiza-se no hipocampo e se quiserem pesquisar sobre o assunto tem muita coisa interessante para se aprender e se conhecer sobre as diferentes memórias que temos. Nós não nascemos com a memória pronta; ela vai se formando de acordo com as vivências e as experiências; mas no caso da memória semântica, ou seja, a memória que adquirimos para gravar as palavras e o significado que elas têm, isso nós adquirimos de acordo com o meio ambiente e com as pessoas que estão à nossa volta nos ensinando e conversando. Então, como é que essa memória pode se formar nas crianças pequenas se elas ouvem sobre a mesma situação, ou o mesmo objeto, mas com diferentes palavras? Se elas ouvem, por exemplo, papá e, depois, comida?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Silêncio! Chega...

Às vezes observo esta cena em algumas instituições de ensino quando a professora quer pedir silêncio e acaba fazendo o pedido aos gritos! E não grita baixo, não! Ao contrário. Quanta incongruência pedir silêncio gritando! Pior é que essas professoras que assim o fazem, não se dão conta porque já estão com sua voz tão alterada que nem percebem que falam alto demais!

Quando quiserem que as crianças falem mais baixo, ao invés de ficarem gritando como loucas, diminuam seu tom de voz.  As crianças percebem que não estão ouvindo o que o adulto diz e elas mesmas acabam se autocorrigindo; trata-se de uma questão de lógica e bom senso: Silêncio se faz com silêncio e não com gritaria. 


Alguns de vocês devem estar pensando que isto não funciona; pois então, testem e depois me digam se estou, ou não, certa. É o velho ditado: “Violência gera violência”, “Gritaria gera gritaria”, e não o contrário. É necessário que entendam que, muitas vezes, o tom de voz alterado e sem consciência é que provoca mais agitação nas crianças. Então, permanecendo calmos, parando e falando mais baixo, com certeza algo bem diferente do que está ocorrendo acontecerá!  Esperem eles se acalmarem, depois vocês podem questionar o silêncio de forma a que entendam por que precisam ter esta conduta naquele momento. Por exemplo, em um momento de explicação, todos devem permanecer em silêncio para que possam ouvir o que será dito; mas se não entenderem o por quê deste comportamento, não terão mesmo! Muitos adultos esquecem de que estão lidando com crianças e que estas precisam aprender a ter consciência de seus atos. Bem, isso, com certeza, demanda paciência e ensino!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Responsabilidade pela formação moral e ética

Pais e professores vivem empurrando uns para os outros a responsabilidade quanto à formação moral e ética das crianças. Qual a parte de cada um?

Tanto a família quanto a escola possuem papéis diferentes na vida da criança, e ambos precisam saber administrar problemas relacionados, cada qual, na sua competência. Por exemplo: a instituição de ensino é responsável pela disciplina dentro dela, incluindo tudo o que se refere e abrange os problemas de aprendizagem. O ensino é de competência da escola, ou seja, ensinar a ler, a escrever, a fazer contas de matemática, enfim, a ensinar conteúdos. Mas é claro que, como as crianças são seres de relação, surgem conflitos e esses conflitos devem ser administrados e trabalhados no âmbito do ambiente e do espaço onde eles ocorrem. Dessa forma, quando o problema de comportamento for dentro da escola, quem deve resolvê-lo é a escola.

Já quando o problema é em casa, passa a ser de competência da família resolvê-lo. Cada um tem um papel na formação da ética. Não cabe à escola, por exemplo, resolver conflitos entre irmãos. Ou até mesmo conflitos entre as crianças e os adultos (pais).


Bilhetes da escola reclamando do comportamento dos filhos dentro da instituição também não estão corretos. O que os professores fariam se recebessem bilhetes dos pais dizendo que não sabem mais o que fazer para que seus filhos comam? Ou como proceder com os irmãos que brigam? São competências diferentes, portanto, quanto digo que a família e a escola precisam ser complementares na educação e no ensino dos pequenos, estou me referindo a ter procedimentos parecidos, condutas adequadas porque iguais é claro que nunca serão. Por isso, cada um tem o seu grau de responsabilidade na formação moral das crianças e é importante refletir, em cada situação que se apresenta, de quem é a responsabilidade!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Jardim das sensações: explorando os sentidos

Não sei se vocês já ouviram falar neste tipo de jardim que exploram os sentidos; em meu conceito, todas as instituições de ensino deveriam ter, principalmente as de crianças pequenas. O jardim dos sentidos consiste em ter um espaço de lazer e de prazer, no qual a criança poderá viver seus sonhos e realidade. Por meio deste espaço, as crianças podem viajar no tempo, experimentar sensações diversificadas, promover o encontro com si e com a natureza em sua exuberante expressão do que seja a vida.

Os jardins também podem privilegiar portadores de algum tipo de deficiência visual, física e/ou auditiva. Este tipo de jardim proporciona a manifestação dos sentidos do corpo humano: tato, audição, visão e olfato. As plantas possuem cores, texturas diferentes estimulando o tato e a visão ao mesmo tempo. Como este tipo de jardim possui fontes de água, a audição também é privilegiada e, finalmente, as plantas possuem diversos aromas proporcionando diferentes estímulos olfativos.

Este tipo de jardim também proporciona atitudes de relaxamento da mente, porque as crianças podem contemplar a natureza em suas diferentes formas, cheiros, cores, texturas. Vivemos em um mundo tão caótico, com pressa de tudo, que a prática da contemplação, ou mesmo da observação para com a natureza está sendo deixada de lado. Que tal se as instituições pudessem proporcionar isto às crianças? Com certeza  elas aprenderiam a relaxar a mente e a contemplar a natureza e, concomitantemente, aprenderiam a preservar  o nosso planeta, a nossa casa, a vida em todos os seus sentidos.

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