quarta-feira, 9 de março de 2016

Os educadores, as TIC e a nova maneira de aprendizagem

Ignorar que as tecnologias não adentrem a sala de aula de hoje é algo do passado. Celulares, tablets e computadores portáteis fazem parte do nosso cotidiano. Ignorá-las é algo que nenhum professor pode ter como comportamento.  Mas como utilizar de forma a que produza conhecimento e não informação? Este é o grande desafio da educação atualmente no mundo.

As TIC não vieram para revolucionar a educação, mas como auxílio ao professor em sala de aula. Vi em Portugal, em minha visita em outubro de 2015, as crianças utilizarem seus computadores portáteis durante uma aula de Matemática. A professora fazia o exercício, na lousa digital, junto com as crianças em seus computadores; depois, em alguns momentos, as crianças faziam sozinhas e a professora corrigia digitalmente. Não vi nenhum aluno ligado na internet em redes sociais e nem utilizando o instrumento para outro fim. Na sala de aula, junto com a professora de Matemática, estavam presentes outros dois professores, o de TIC e a professora da própria sala.

Neste caso, o computador era um instrumento de auxílio, uma ferramenta de trabalho como um livro didático. A aula transcorria normalmente para os 22 alunos da segunda série. A TIC, nesse caso, era um meio didático para se adquirir o conhecimento. Muitos professores ainda têm medo até mesmo de ligar um computador, quanto mais de usá-lo em sala de aula! Existe uma corrente de pensamento, dentro da educação, que acha que os professores serão substituídos pelas TICs, e isto não é verdade. Educação exige ensino e ensino acontece nas interações entre a criança e seu meio ambiente (pessoas, objetos, TICs, etc).


Saber usar as TIC a seu favor e ter um ganho na aprendizagem das crianças, ainda mais com esta nova geração que nasceu na era da informática, é o ideal! O que nós, adultos, precisamos desenvolver, são metodologias que abordem estas inovações. 

terça-feira, 8 de março de 2016

O que é combinado não sai caro.

Comecei este texto com um ditado popular porque ele refletirá um cartaz de combinados que vi em uma das minhas redes sociais, e eu não poderia deixar de comentar devido aos personagens usados e as regras criadas para eles; o pior é que a professora estava achando que fez algo muito significativo para a aprendizagem de seus alunos de cinco anos de idade!  O cartaz de combinados usava a turma da Mônica como referencial de figuras. Para cada figura existia uma regra e ao todo eram 10 regras. O cartaz era separado por quadrinhos como se fosse um gibi. Vou comentar somente algumas delas aqui.

1-      Existia uma figura dos quatro personagens principais: Monica, Cebolinha, Cascão e Magali todos de mãos dadas uns com os outros e a seguinte frase embaixo da figura: RESPEITAR UNS AOS OUTROS. Todos nós que conhecemos estes personagens sabemos que não há respeito uns pelos outros, pelo contrário: a Mônica vive agredindo o Cebolinha com o coelho, batendo mesmo nele. Antagônico usar estes personagens para dar exemplo de respeito.

2-      Em outra figura existia uma cesta de lixo central e três personagens em volta dele jogando bolinhas de papel dentro do cesto. Aqui os personagens eram: Cebolinha, Monica e Magali, o cascão estava de fora, claro, ele não é referência de limpeza, uma vez que não gosta de tomar banho! 
3-      A Mônica estava como professora em outro quadrinho, com uma vara na mão, e o Cebolinha e a Magali estavam sentados em carteiras um atrás do outro e os dizeres eram: FALAR EM VOZ BAIXA.

Poderia analisar todos aqui, mas estes já dão uma noção do que quero lhes dizer: Combinados devem ter figuras da própria sala como exemplo. Que tal tirar uma foto de uma criança que usa a lixeira corretamente e colar no cartaz como exemplo? Outro fator importante: estes personagens não são exemplos de limpeza, pelo contrário.

Outra dica: quando todos os alunos estiverem fazendo uma brincadeira e respeitando as regras, tire fotos e exiba-as como reforço positivo. O exemplo tem que vir deles mesmos; isto é significativo para o grupo e também é saudável, pois dá unidade e identidade ao próprio grupo.


Muitas vezes ficamos ansiosos para querer deixar a sala pronta para quando os alunos chegarem, e aí acabamos deixando as regras fixadas na parede, como sinal de organização. Não é assim que funciona! As regras precisam ser construídas de acordo com a necessidade do grupo em questão. Por exemplo, se não há problemas com a lixeira neste grupo, para quê ter esta regra? Professores: reflitam sobre seus atos para não cometerem erros absurdos! Cuidado para depois não terem que reclamar dizendo que os alunos não possuem regras, que os combinados não funcionam... também, como é possível uma criança ─ a sala toda!─ se identificar com estes personagens? O ideal é poder se identificar com o amigo que está em sua própria sala, fazendo parte de seu cotidiano! Trabalhem regras com reforços positivos em vez de usar os “Nãos”! Use-os como exemplo positivo, por exemplo: “Marina joga o lixo direito na lixeira de nossa sala, parabéns Marina!” Olhem a diferença! 

segunda-feira, 7 de março de 2016

De quem você gosta mais: do papai ou da mamãe?

Vocês já ouviram esta frase em algumas famílias, com certeza! Eu sempre ouço. Quanta ignorância fazer este tipo de pergunta, ou melhor, quanta insensibilidade e disputa entre o casal! Às vezes, esta pergunta acontece quando os dois (marido e mulher) não estão tão bem assim no relacionamento, e o filho passa a ser motivo de disputa, travestida de carinho. 

A criança que possui uma família saudável, com adultos que a amam, jamais ouve esse tipo de pergunta. Já as famílias que são doentes, falhas na sua concepção de amor e de respeito, as fazem corriqueiramente. Quais as consequências disto para uma criança?

A criança geralmente gosta dos dois de maneira diferente, e não poderia ser de outra forma. Nós não gostamos do mesmo jeito de todas as pessoas, gostamos de uma atitude de um e de outra em outro. A vida é assim, gostamos de maneiras diferentes das pessoas que nos cercam.

Pedir para que a criança estabeleça esta relação de gostar é muito complicado para ela, pois, se ela não quer magoar ninguém, como ela vai falar a verdade? E criança sempre diz a verdade. Então, se ela falar que gosta mais de um do que do outro, um fica sendo o herói e o outro o vilão da história!

Precisamos nos perguntar o por quê de se fazer este tipo de pergunta, e em qual aspecto isso pode contribuir para a formação de harmonia dentro de uma casa. Disputas entre os adultos sobre os filhos não contribui, em nada, para a autoestima de criança alguma! Pior: só acentua o litígio, fazendo com que alguém se sinta culpado, enquanto o outro lucra com adjetivos que podem, necessariamente, não representar tão claramente a realidade! E se eu fizesse esta pergunta para você que lê este texto agora, na frente dos seus pais? Você gostaria de responder e acabar magoando um, ou outro? Não façam para os outros aquilo que não querem que façam com você; este é o segredo de se conviver bem. Fácil, não, porém possível se refletir sobre o que se pensa, sente e como se age!

sexta-feira, 4 de março de 2016

“Como você é chato! O que eu fiz para ter um filho assim?”

Imagine você escutar isto de quem lhe colocou no mundo. Vi isto acontecer quando andava em um shopping, no fim de ano. O shopping estava todo enfeitado para o Natal e a criança queria ficar brincando, pintando e modelando na área destinada às crianças; neste espaço havia um cenário de magia e encantamento. A mãe chamava o filho e ele não queria sair deste espaço de jeito nenhum. Ele não queria comer, não queria andar no shopping, enfim, não queria fazer nada a não ser ficar brincando com outras crianças.

Às vezes vejo cada cena que me dá vontade de rir; toda criança adora brincar, ainda mais em um ambiente preparado para isto, cheio de novidades e adereços específicos para chamar sua atenção. Mesmo em casa, quando as crianças brincam e sentem prazer no que estão fazendo, elas se esquecem de tomar banho, de comer, até de ir ao banheiro porque estão tão compenetradas com o que brincam que se esquecem de tudo. É natural a criança ter este tipo de comportamento; faz parte de seu período de vida.

Agora, uma mãe falar e verbalizar na frente de outras pessoas que seu filho é chato só porque não quer sair dos espaços destinados às crianças, e ainda por cima verbalizar que não sabe o que fez para ter um filho chato assim, isto não é natural! Chata é a mãe que quer interromper um momento tão magnífico que a criança está vivendo e aprendendo.


Mães: quando vocês forem aos shoppings nestas datas especiais e quiserem levar seus filhos, pensem antes o que vão fazer para não expô-los ao ridículo. Digo isso porque realmente foi ridículo escutar de uma mãe que seu filho é um chato! Criança quer e precisa brincar para fugir de adultos tão neuróticos e estressados que não têm consciência do que fazem e falam. Pior! Não possuem consciência do que isto pode causar na mente de uma criança. E se a criança é chata, com certeza ela aprendeu com alguém! Ninguém nasce assim!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Atividade sem sentido: Saci geométrico.

Era agosto, mês que comemoramos o folclore brasileiro em nossas escolas. Histórias de Saci, mula sem cabeça e outras faziam parte do repertório deste mês. Teatros, músicas e pinturas dos personagens também estavam previstas pela professora de educação infantil (5anos); até aí, tudo parecia perfeito, afinal, temos que ensinar às crianças o nosso folclore para que ele não se perca diante de tanta inovação tecnológica. Mas tudo o que é bom dura pouco...

A professora colocou um papel pardo grudado na parede e algumas figuras geométricas (um círculo grande, um quadrado, três retângulos todos marrom escuro e um triângulo vermelho). Ela trabalhou com as crianças o nome das figuras geométricas e as cores. Perguntou como eles poderiam fazer o Saci com aquelas figuras. As crianças até que conseguiram fazer o tal boneco com as figuras geométricas, mas Pedro perguntou: professora meu corpo não é quadrado e nem minhas pernas são assim. Adorei a esperteza deste menino. A professora respondeu: “é quase igual, veja nossas pernas são compridas e se parecem com um retângulo, faz de conta Pedro, use a imaginação”.

Tive vontade de estrangular esta professora, ensinando errado, colocando a imaginação para criar coisas que não existem e, além disto, trabalhando de forma preconceituosa e com desrespeito a uma figura do nosso folclore brasileiro.


Quer ensinar formas geométricas use os blocos lógicos, relacione com as figuras do nosso cotidiano, por exemplo, a carteira, os cadernos, a sala de aula, se é quadrada ou retangular. Existem tantas maneiras para se ensinar figuras geométricas de forma que a aprendizagem seja, de fato, pela experiência de vida da criança, por que insistir em usar um personagem transformando-o em figuras totalmente fora da realidade das crianças? Depois elas não aprendem e a culpa acaba recaindo sobre elas que não prestaram atenção ou que possuem dificuldades de aprendizagem. Quem tem dificuldade de ensino aqui é esta professora, isto sim. Quanto absurdo!

quarta-feira, 2 de março de 2016

Criatividade na criança: espontânea ou aprendida?

Devemos sempre ter em mente que a criatividade não nasce com o individuo, portanto, não é espontânea, mas sim aprendida com as outras pessoas que estão ao nosso redor.  Devemos ter em mente, sempre, que não há criatividade na criança se não há criatividade no adulto: a criança competente e criativa só existe se existir um adulto competente e criativo por perto sendo referência e modelo para a criança.

Mas quais habilidades e competências são necessárias a um adulto para ter que ser exemplo de pessoa criativa?

Hoje temos acesso a muita informação, seja pela TV, jornais, internet, telefones e outras mídias em geral, mas o que fazemos com tanta informação? A forma de utilizar estas informações é combiná-las para fazer algo diferente; é aí que entra o processo de criatividade. Porém, ninguém é criativo se não tiver momentos de silêncio para poder elaborar seus pensamentos próprios.


Por exemplo, para escrever este texto agora, para vocês, preciso pensar para elaborar o meu pensamento; com isso, percebo que necessito estar sozinha com esses pensamentos para poder ter lógica no que escrevo. Este é um processo criativo. O que envolve este processo de criação?  A relação de teorias estudadas em confronto com as informações que obtenho na prática do dia a dia.   Para ser criativa a pessoa deve buscar fazer coisas diferentes todos os dias, mudar alguma coisa em seu ambiente de trabalho, em sua casa, ver novos lugares, assistir filmes, falar com pessoas diferentes, ler livros variados, escutar diversos tipos de música...  As novidades nos conduzem a estímulos variados; a observação fica mais aguçada e é mais fácil fazer novas conexões entre as ideias. 

terça-feira, 1 de março de 2016

Atividade interdisciplinar: frações e estações do ano

Vi esta atividade sendo desenvolvida em um blog para professores, pois havia fotos com os alunos fazendo a atividade. Num primeiro momento, as quatro estações estavam inteiras em um circulo de EVA; depois, estes círculos se tornavam um quarto, meio, dois quartos, três quartos. A professora relatava que usava as estações para que aprendessem frações. Preciso comentar sobre os desenhos das quatro estações: Primavera cheia de flores da mesma espécie (rosas); verão era representado por crianças brincando na areia, parecia que estavam na praia, mas o mar não estava desenhado; outono as folhas estavam indo embora com o vento e havia algumas maçãs no solo; inverno, havia neve. Quanta bobagem!

Vi algumas fotos onde as crianças pintavam estes desenhos, colavam em seus cadernos, brincavam com os círculos separadamente e, na postagem, uma legenda: “crianças felizes aprendendo interdisciplinarmente”.

Vamos aos fatos e análises: existem tantos outros materiais mais significativos para explicar frações como, por exemplo, cortar uma laranja ao meio, em quatro partes. Dividir o chocolate em quadradinhos e ir explicando cada parte que cada um comeu. Existem círculos de frações que podemos comprar ou fazer com sobras de madeiras. Usar as quatro estações num país que é tão grande e que não possui as estações tão definidas... e ainda mais, como representá-las por aquelas figuras? Penso que isso não seja tão próprio para se ensinar frações e nem as estações do ano. Vamos pensar um pouquinho: Temos frutas o ano todo no Brasil; é certo que algumas só dão em determinadas épocas, mas se pensarmos no conjunto das frutas, aqui no Brasil nós as temos o ano todo!  Com relação às flores é a mesma coisa: temos rosas o ano todo. Pior ainda: tirando algumas cidades dos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul que nevam por um ou dois dias no mais rigoroso inverno, as crianças de as outras cidades e estados nem sabem o que isto significa de verdade. Ver pela televisão não é a mesma coisa que sentir na pele, no rosto, nas mãos e no corpo, o que seja nevar!


Professores, por favor, pensem antes de ir produzindo materiais para as crianças. Reflitam sobre o que querem ensinar, de fato! Não reproduzam o que fizeram com vocês quando eram crianças; eu mesma, na minha infância, tive que pintar as quatro estações do ano e mesmo na época isso não fazia o menor sentido para mim... imaginem hoje!  Depois as crianças tiram sarro de seus conhecimentos e perdem o respeito por vocês, pela escola, pelo ato do ensinar... e não sabemos por quê. Talvez um dos motivos seja uma aprendizagem sem significado algum, desconectada da realidade em que vivem... Ter uma atitude de preparar uma aula assim, qual seria o objetivo? Satisfazer o ego do professor, ou preencher tempo? Fica a reflexão para vocês.