sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Formaturas na educação infantil: algo a ser pensado

Algumas instituições fazem festa de formatura quando a criança está indo para o ensino fundamental. Eu mesma quando era professora de educação infantil fiz duas formaturas desta passagem. Não vejo problema algum nesse tipo de comemoração, desde que não obrigue as crianças a situações que elas não queiram participar.

Já presenciei crianças chorando por que não queriam dançar, mas na hora da festividade isto era “obrigatório”. Coloquei entre aspas por que geralmente é isto que acontece, as crianças nem sempre querem participar, mas por imposição dos professores e mesmo pela expectativa dos pais elas acabam sendo forçadas a fazer algo que não gostam, somente para agradar os outros. Isso eu não concordo, se a criança não se sente à vontade nesta festividade, isso pode ser um marco negativo em sua vida e não ficar como uma recordação boa. 

O que fazer? Simples; ninguém deve ser obrigado a participar de nada sem a vontade própria. Professores, cuidado com coreografias e danças nestas festividades, vejam se as crianças gostam e querem fazer isto realmente,  se tem significado para aquele momento para aquela turma ou mesmo para cada criança em específico.

Vou-lhes contar algo que acontecia comigo: meu irmão mais velho adorava participar de todas as festas da escola, na festa junina sempre era o noivo, e eu já não gostava, mas tinha que participar. Resultado: não gosto de festa junina até hoje. Pensem no que fazem com as crianças nessas festividades...


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Infância: um momento único em nossas vidas

Vejo nas redes sociais sempre algo relacionado ao passado, para se lembrar de brinquedos e até mesmo de comidas que já não estão sendo mais fabricadas. Tem sempre assim: se você é de tal época curte tal coisa, se isto fez parte da sua infância compartilha. Parece nostalgia de um tempo que não volta mais e que agora depois de adulto se lembra do fato com carinho, pois foi importante em determinado momento de sua vida.

Minha pergunta é: Que infância estamos proporcionando para as nossas crianças atualmente? Será que elas terão algo para se lembrar com carinho quando forem adultas, como estas pessoas que estão postando nas redes sociais lembranças agradáveis de um tempo que não volta mais? Ou nossas crianças estão deixando de ser criança e vivendo como adultos em miniatura e robotizadas pela tecnologia existente no mundo globalizado?

Crianças cada vez mais cedo precisam trabalhar para ajudar no sustento da família, crianças sendo vítimas de abusos sexuais e de maus-tratos (violência doméstica). São os fatos que vivem nossas crianças. Até quando vamos fechar os olhos para tudo isso e fingir que nada acontece, por que não é conosco?  Até quando vamos deixar morrer crianças com fome em todo o mundo, por que vivemos egoisticamente dentro das fronteiras de cada país? Enquanto pensarmos isoladamente nada irá modificar a vida das crianças no mundo. Fico me indagando, não somos todos seres humanos, por que viver isoladamente como se fôssemos estranhos? Pensem...




quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Pensar o que pensa uma criança, tarefa fácil...


Esse fato preciso relatar a vocês para que pensem no que fazem no dia a dia com as crianças. O exercício da professora era de correspondência entre números e quantidades. De um lado da folha os números 1, 2 e 3, do outro desenhos dentro de um círculo com maçãs desenhadas com as quantidades. As crianças deveriam ligar os números à quantidade correspondente; pois bem, uma criança ligou o número 1 aos três círculos. A professora perguntou ao Felipe (nome fictício) por que ele tinha feito assim. Ele respondeu:

- Professora não existe um círculo, então eu liguei o número 1 aos círculos. Olhem a percepção da criança, para ela o que estava dentro do círculo foi ignorado, o importante na cabeça e no raciocínio dela é que o número um correspondia aos três círculos. Pensando a lógica da criança ela está errada, claro que não. Ela fez a correspondência número 1 com os círculos e não com os desenhos que estavam dentro do mesmo.

Portanto, professores tomem cuidado com o que pedem para as crianças e se alguma delas der uma resposta diferente da esperada por você não diga de imediato que está errado, tentem entender a lógica de pensamento delas.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Educação infantil, lugar e espaços de liberdade ou de opressão?

Os espaços nas instituições de educação infantil devem estar planejados de forma que as crianças possam formar o seu “eu”, pertencendo ao “nós”, de forma que elas sejam respeitadas por ser ela mesma e não como forma de opressão, querendo que tenha comportamentos iguais a todos e, principalmente, tendo que agir como um adulto.

 Opressão é quando obrigam que comportamentos sejam instalados de forma autoritária, quando os adultos adestram e não ensinam. As crianças respondem sem saber o que estão fazendo e sentindo de fato, mas simplesmente por sentirem medo e obediência.

 Medo e obediência não combinam mais com os tempos atuais, precisamos rever os conceitos e permitir que o “eu” se forme saudavelmente, sendo respeitados o ritmo e a individualidade de cada criança. Mas para isso os espaços e tempos devem ser planejados para que as crianças possam expressar seus sentimentos e, mais do que isto, entender o pertencer em grupo.

 Deixamos as crianças falarem, chorarem, rirem, dormirem, acordarem, comerem, beberem quando estão com vontade ou simplesmente queremos que elas façam o que os adultos mandam o tempo todo? Esse é um questionamento que precisamos fazer: que tipo de formação estamos dando para as nossas crianças, propiciamos liberdade para serem elas mesmas ou as oprimimos? Pensem...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Dia diferente: passeios com as crianças

Tudo preparado, lanches, mochilas, ônibus ou a pé, enfim cada passeio exige uma organização, ansiedade a mil porque sai da rotina. Se for a pé o passeio começa na distribuição das crianças em filas, geralmente de mãos dadas com outro coleguinha. Um adulto vai na frente para mostrar o caminho e outro vai atrás para controlar e não ocorrer nenhum problema, já viram a cena ou já presenciaram-na na escola; pois bem, é assim que geralmente acontece.

No caminho a professora vai falando e dando ordens: “não desça da calçada, não isto, não aquilo....”. Visitam o que foi programado, voltam para a instituição e geralmente é pedido para as crianças que desenhem o que mais gostaram do passeio. Nem sempre o desenho corresponde a expectativas da professora e aqui está o problema.

Aquilo que foi planejado para atingir o objetivo nem sempre chega a todas as crianças, algumas desenharam exatamente o que a professora tinha previsto como aprendizagem outras não, porque não tinha significado algum aquele passeio, e desenharam por exemplo, o fato de ter dado as mãos para outro coleguinha. Enfim, coisas que a professora jamais teria imaginado. Mas lembre-se sempre, você pediu para elas desenharem o que mais gostaram, talvez seu comando deva estar errado. Por exemplo, se foi a um museu e você quer saber o que elas de fato aprenderam sobre o museu não pode fazer a pergunta citada anteriormente, mas sim “desenhem o que vocês mais gostaram dos quadros”, por exemplo. Isso sim é uma pergunta dirigida a um objetivo e não ampla e solta.

Professores, não se frustrem com isso, não há problema algum se o que pensou não foi atingido por todo o grupo, o importante é a forma como cada criança vê o mundo que a cerca e lembrem-se sempre que a aprendizagem de alguma forma ocorreu....

domingo, 11 de novembro de 2012

O que facilita a aprendizagem de uma criança?

Recebo muitos questionamentos pelas redes sociais de pais e professores que dizem: “as crianças possuem dificuldades para aprender tal coisa, o que eu devo fazer?” Resolvi inverter o pensamento e dizer o contrário, ou seja, o que fazer para que as crianças aprendam com facilidade? Assim as dificuldades não passarão a ser mais o centro das atenções. Pensem o que pode facilitar a aprendizagem para as crianças e lembrem-se sempre que todos nós somos capazes de aprender, não existe pessoa no mundo que não tenha essa capacidade. O que acontece é que, às vezes, o que ela aprende e como está sendo ensinado não condiz com aquela criança e por isso ela pode apresentar dificuldades.

 Primeiro, o que a criança aprende tem que estar de acordo com o seu nível de desenvolvimento, nem abaixo e nem acima, pois tanto um como o outro pode causar desmotivação e, portanto, desinteresse.

 Segundo, o que aprende tem que ser carregado de significado para ela, e ela precisa entender para que e por que aprende tal conteúdo. Estava me lembrando agora de um fato que aconteceu comigo, decorei que o Rio Nilo é o maior do mundo em extensão e o Rio Amazonas o maior em volume de água, mas na realidade não conheço nem um e nem o outro. Para que gravei essa informação inútil na minha vida? Mas gravei, serviu apenas para minha memória, mas sem significado algum na minha vida cotidiana.

 Voltando à pergunta inicial, conteúdos aplicáveis e úteis no dia a dia da criança, e de acordo com o seu desenvolvimento integral e integrado, professores motivados, diversidade de materiais e objetos de aprendizagem como jogos e brinquedos fazem a diferença na aprendizagem de uma criança.


sábado, 10 de novembro de 2012

Como organizar a fila de crianças de forma diferente?

Preciso relatar isso para que os professores pensem em o que fazemos com as crianças na hora da fila. Se está certo ou errado  fazer fila na entrada e/ou saída da sala de aula/referência não cabe aqui a discussão, somente lhes irei contar o que aconteceu comigo quando criança e que influenciou na minha vida profissional enquanto professora de educação infantil. Vamos à história...

 Sempre fui alta, acima da média das crianças na época de escola, então minhas professoras sempre me colocaram como última da fila; meu nome começa com “v”, então se a organização da fila fosse por tamanho ou por letra do nome eu sempre estava por último. Confesso que não gostava da situação. Quando era professora de educação infantil e que precisa fazer fila por algum motivo de organização, eu montava a fila diferente todos os dias. Os pequenos, os grandes, começava o alfabeto de trás para frente, cada dia eu inventava uma novidade para fazer a fila. E assim eu evitava a situação que as minhas professoras causavam em mim quando aluna.

 Pensem vocês nisso também. Parece uma coisa tão simples, mas fazer a fila de várias maneiras é importante. Assim a chance de ir à frente é igual para todos; inventem, criem e façam a diferença. Por favor, pensem nisso com carinho...