sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Devemos avaliar uma criança tão pequena na educação infantil?

Deve-se observar atentamente o comportamento da criança para fazer uma avaliação do seu desenvolvimento biológico, psicológico e social. Esse objetivo muitas vezes, na minha visão, é equivocado. Já vi fichas de avaliações de instituições infantis nas quais o professor preenche dando os seguintes diagnósticos: Rafael é tímido, Pamela é  criativa, João é desorganizado, e assim por diante.

 Na minha visão de educação as crianças de zero a cinco anos são pequenas demais para já serem rotuladas disso ou daquilo, suas personalidades e identidades estão sendo formadas. Desorganizada com 3, 4 e 5 anos é normal se não ensinaram como fazer a arrumação. Muitas vezes tanto os pais quanto os professores cobram atitudes, mas esquecem de ensinar.

 Avaliar comportamentos é muito difícil, mas parece que nessas instituições o professor o faz com a maior desenvoltura, sem pensar nas consequências do ato em si para a criança e a família. Por que se na ficha de avaliação a criança está indo bem nos conceitos daquela professora, ótimo; mas e se não está como fica a relação dessa criança com a família? Como os pais vão encarar isso? Pior, como reagirão diante disso? O que cobrarão de um ser tão pequeno?

 Professores, pensem e repensem com cuidado quando fazem a avaliação de uma criança em formação de conceitos e ideias.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Reflexões: bebê conforto e o cercadinho...

Sei que muitos pais e mesmo em instituições de educação infantil utilizam-se desses objetos no dia a dia. Vou apenas colocar aqui a minha opinião sobre o que podem esses objetos causar de malefícios às crianças pequenas.

Vejo crianças pequenas em bebês confortos, dormindo, se alimentando, ou seja, passando um tempo considerável nele. Em minha concepção, bebês necessitam de aconchego, de se sentir protegido, acariciado e, nos momentos de alimentação, por exemplo, precisam ter o contato com o corpo de outro adulto e não simplesmente contato com a mamadeira, ou quando já se alimentam de sólidos com a colher que leva a comida até a boca. Eles precisam ser alimentados no colo, com todo o carinho e respeito que merecem, o bebê conforto não propicia isso, pelo contrário, a criança fica amarrada desde cedo. Na hora de dormir a mesma coisa: a criança fica paralisada só pode mover as mãos e a cabeça por que estão soltas; o resto não, isso é confortável e sadio?

No meu entendimento não.  O cercadinho para mim também limita os movimentos das crianças, para os adultos esses objetos parecem ser a salvação para alguns minutos de sossego, por que ali as crianças estão seguras. Na minha visão parecem estar seguras, mas na verdade estão impedidas de se expressar e se moverem. Chegue perto de um cercadinho; logo as crianças dão os bracinhos para serem pegas. Essa atitude das crianças demonstra que elas não estão felizes ali. Se estivessem não queriam ser pegas. Crianças precisam de colo, se nós adultos de vez em quando precisamos, imaginem as crianças pequenas que estão descobrindo o mundo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Entre a instituição de ensino e a casa: socorro!

Imagine a cena: a mãe dizendo para a criança “não se suje na escola” e a professora oferecendo tinta guache para as crianças pintarem. Como fica a cabeça de uma criança nesse momento, já pararam para pensar? Os conflitos de ideias e posicionamentos da mãe e da professora causam certa confusão na mente das crianças. Elas não sabem o que fazer e como fazer!

 É muito contraditório, uma diz para não que suje, a outra dá tinta para que possa experimentar e vivenciar o mundo. E como não se sujar usando tinta? Isso pode causar constrangimento e timidez na hora da expressão artística da criança. Ela pode ficar com medo e não querer usar a tinta para não se sujar, com medo das consequências da mãe, que pode brigar, xingar ou até mesmo bater. E para evitar isto a criança fica “entre a cruz e a espada”.

 O consenso entre família e instituição de ensino na hora de educar e ensinar é importante, entender o comportamento dessa mãe é fundamental, porque muitas vezes a criança não tem uniforme suficiente para trocar várias vezes na semana e então a mãe diz isso para evitar que a criança vá sem uniforme; porque muitas vezes a instituição também não permite.

 Por outro lado, deixar que iniba uma criança em sua expressão somente por causa de roupa, na minha opinião, é uma atitude que não condiz com o desenvolvimento saudável de uma criança. O que fazer? Um avental de plástico ou até mesmo uma camiseta de adulto velha para colocar por cima da roupa dessa criança ajuda a amenizar esse sofrimento causado pela mãe.

 Pais e professores, conversem, sejam francos um com o outro, expliquem cada um seus motivos e razões, e cheguem a um consenso, mas não provoquem situações citadas acima; a criança fica perdida e não sabe como proceder, já que ambas são contraditórias em seus comandos.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Novo perfil de profissional na educação infantil

Precisamos de um profissional na educação infantil que promova o autoconhecimento, que queira estudar a si mesmo, que saiba quais são seus gostos, suas vontades, sua maneira de pensar, sentir e agir. Que se avalie constantemente e promova com isto o autoestudo.

Por que esse perfil é  necessário hoje na educação infantil?

Porque a sociedade está  mudando rapidamente, com isso as crianças também apresentam outros comportamentos e os mais velhos não estão acompanhando essa mudança toda e ainda acreditam que ensinar como há alguns anos atrás ainda funciona. Isso não é real. Os comportamentos sociais são outros, a sociedade é outra. Então é como ensinar o novo com o velho. Mas muitos professores ainda não perceberam isso e insistem em velhas práticas; não que tudo da ser abandonado, não é isso, mas repensado. Assim, o profissional precisa se autoavaliar e, mais do que isso, necessita estudar  constantemente.

 Perceber suas limitações, pedir ajuda a algum profissional especializado quando não conseguir resolver seus conflitos sozinhos. Reconhecer seus avanços quando obtiverem sucesso em alguma prática; isso tudo requer tempo e vontade de evoluir sempre. Sei que algumas pessoas se acomodam diante da vida. Esse profissional que estou falando nunca se acomoda e sempre busca o novo, porque reconhece que a sociedade é dinâmica, assim como a educação.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Como corrigir as falas erradas das crianças?

Uma mãe muito preocupada me disse que seu filho (Gustavo, de 4 anos) fala errado as palavras, mas precisamente conjuga os verbos de forma errada, o que fazer?

Primeiro: os tempos verbais que indicam fatos de ontem, hoje e amanhã são confusos na cabeça da criança e aos poucos elas percebem isso, se trabalhado de forma correta tanto na instituição de ensino como em casa. Já expliquei como fazer isso em um texto anterior postado aqui.

 Devemos corrigir ou não? Quero que vocês entendam que não deve ser corrigido de forma autoritária cobrando, simplesmente vocês repetem o certo, por exemplo, se a criança fala já “tomi” o suco, vocês repetem, eu também já tomei o meu suco. Nesse sentido elas vão percebendo e se corrigindo; agora se você diz autoritariamente  “você falou errado, é já tomei e não tomi”, isso poderá causar na cabeça das crianças uma confusão e no lugar de ajudar a entender o correto irá atrapalhar mais ainda. Isso sem falar se chamar sua atenção na frente de outras pessoas, o que poderá causar constrangimento e até mesmo timidez na criança. Corrigir pelo exemplo é sempre o mais correto.



domingo, 4 de novembro de 2012

Como organizar na educação infantil o plano de ensino/aula combinados com os projetos?

 No cotidiano da educação infantil vejo acontecer nas instituições de ensino opção de acordo com a tendência pedagógica em se trabalhar com planos de ensino e de aula OU trabalho com projetos. Escrevi “OU”  com letra maiúscula justamente para ressaltar que é “isto ou aquilo”.

 Na minha concepção de educação infantil deveriam existir planos de ensino e de aula “E” projetos. Vou explicar como: durante a semana temos cinco dias letivos; eleja quatro deles para trabalhar seus planos de ensino e de aula e um para o trabalho com projetos. Por que dessa forma? No plano de ensino (aula) deverão seguir uma sequência didática, uma certa ordem para que o desenvolvimento da criança seja coerente. Vou explicar o que estou querendo dizer com um conteúdo do ensino fundamental. Para a criança aprender as quatro operações (mais, menos, vezes e dividir) ela precisa primeiro saber números; é isto que quero dizer em sequência didática. O  plano de ensino e de aula seguirá um planejamento pensado pelo professor respeitando as características e faixa etária do grupo.

No dia de projeto é outra forma de se trabalhar, quem decide o que e como fazer é o grupo, e não o professor. Aqui quem toma decisões são as crianças, que opinam, e cabe ao professor somente mediar os conflitos, caso eles existam.

Alguns de vocês devem estar pensando: “Mas isso é não é possível!”. Posso lhes garantir que é sim; explico o porquê penso assim. Em minha avaliação, o cotidiano infantil dessa forma não é algo maçante, pois o professor garante na sequência didática o trabalho com as linguagens; já no dia de projeto a imaginação e a criatividade correm soltas sem maiores preocupações se os objetivos educacionais estão sendo cumpridos ou não. Também tem outro fator que me preocupa bastante em minhas visitas a algumas instituições. As crianças passam semanas ou até mesmo meses fazendo somente projeto. Fico me questionando, será que elas não se cansam de tanto trabalhar o mesmo tema todos os dias? Já presenciei um projeto que na minha concepção nada mais era do que um plano de aula disfarçado de projeto, cujo tema era animal; as crianças passaram duas semanas ouvindo sempre o mesmo tema; eu já estava cansada e desanimando de observar, imagine as crianças.

Então trabalhar ora com planos de ensino e de aula preparados pelo professor e ora trabalhar com projeto, na minha ideia sobre educação, é muito mais enriquecedor do que “isso ou aquilo”. Nesse sentido a criança é vista como passiva e ativa; determinada e determinante. A vida em nossa sociedade não é assim, então por que não trabalhar desta forma já na educação infantil? Isso é preparar as crianças para a vida em sociedade.


sábado, 3 de novembro de 2012

Planejamento, plano de ensino, plano de aula e projetos


Muitos autores dentro da didática já conceituaram planejamento, plano de ensino, de aula e projetos, mas quero aqui salientar a diferença que existe entre eles, pois percebo que alguns profissionais da educação ainda estão confundindo conceitos.

Planejamento é ato de pensar no que será  realizado, portanto todo plano de ensino, de aula e um projeto deve ter um planejamento, quer seja realizado somente pelo professor ou conjuntamente com as crianças.

Plano de ensino é aquele que compreende todo o processo ensino /aprendizagem durante o ano letivo. No caso da Educação Infantil, ele está vinculado diretamente às linguagens que deverão ser trabalhadas durante o ano todo, ou até mesmo durante o período de zero a três anos e de quatro a cinco anos.

O plano de aula está diretamente relacionado ao plano de ensino, mas acontece diariamente, nada mais é do que o plano de ensino dividido por dias letivos.

Tanto os planos de ensino quanto os planos de aulas são realizados pelo professor, porque possuem uma sequência didática a ser seguida para que ocorra o desenvolvimento integral e integrado das crianças.

Já o trabalho com projetos também necessita de planejamento, mas esse acontece conjuntamente com as crianças e não existe uma preocupação em seguir uma sequência didática; o projeto é livre, ele toma o rumo que o grupo quiser sem uma preocupação do que deverá ser aprendido. Não tem roteiro, quem faz o roteiro é o grupo por meio do centro de interesse das crianças na escolha do tema a ser desenvolvido.