domingo, 29 de novembro de 2015

Mensagem final do ano de 2016

Este é último texto que publicarei no Blog este ano, mas servirá de reflexão sobre 2015. Passamos por situações difíceis na política, na economia e na área educacional neste nosso país. Estamos em plena crise, no Brasil e no Mundo. Porém, para algumas pessoas, como eu, isto não foi motivo para me desmotivar ou parar, pelo contrário.

No primeiro semestre construí a segunda Brinquedoteca Sustentável; foi na Faculdade de Hortolândia na qual sou coordenadora do curso de Pedagogia, e este projeto se concretizou graças à ajuda de todos (direção, professores, alunos, funcionários da referida Faculdade e também pessoas da comunidade local, e até mesmo de Campinas). Tenho que agradecer a todos pelo apoio nesse projeto. Ainda nesse primeiro semestre recebi mais um convite para ser coordenadora também dos cursos de Pedagogia e Letras da Faculdade Fleming em Campinas (tanto a Faculdade de Hortolândia, quanto a Fleming, são do Grupo UNIESP), desafio aceito. Porém, não imaginava o tamanho do obstáculo a ser vencido; mas tenho comigo o lema de que os momentos de desafios e de dificuldades são os que mais proporcionam aprendizado. Assim, chego ao mês de dezembro com a certeza da missão cumprida.

No segundo semestre deste ano de 2015 fui realizar um sonho: conhecer Portugal e seu sistema educacional. Fazia muito tempo que eu aguardava por essa oportunidade; não foi nada fácil conciliar trabalho, horários e também a parte financeira, mas com o objetivo de ampliar mais meu conhecimento no campo educacional, apertei o cinto e consegui me inscrever junto a um grupo de educadores brasileiros que estavam com o mesmo objetivo.

Visitei o Agrupamento Eça de Queiroz, em Lisboa, e a famosa Escola da Ponte. Saber um pouco mais sobre outra cultura e verificar, na prática, como acontece a educação naquele país, do infantil ao ensino superior (graduação e pós-graduação) foi muito importante para eu rever conceitos aqui no Brasil. Afinal de contas, só conseguimos realizar o processo reflexivo quando temos ao menos dois objetos ─ ou momentos, circunstâncias, métodos, etc ─ para realizar a comparação e elaborar a reflexão e a síntese.

Enfim, embora a vida de professor aqui no Brasil não seja fácil, consegui superar inúmeros obstáculos e realizar um grande sonho. Esperar passar a crise para crescer é errado, pois quem cresce durante a crise vai perceber que, depois que ela passa, a pessoa está mais pronta, mais experiente e acaba saindo na frente dos demais concorrentes. Pensem nisto! Em vez de ficarem alimentando a crise, olhando para as coisas erradas e para tudo o que falta, busquem alternativas, procurem se especializar, ampliar o conhecimento e sigam em frente! O segredo do sucesso se chama trabalho, e não, desânimo!


O blog tira férias e volta em fevereiro de 2016.  Aproveitem, revejam conceitos, releiam os textos que mais lhes chamaram a atenção, busquem refletir sobre a profissão professor e a missão de ser pai e mãe. Boas Festas!  Desejo um excelente final de ano para todos. Sejam felizes sempre, e busquem a felicidade no seu interior e em suas realizações. VIVA 2016!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Portugal x Brasil: diferenças culturais

Ouvi do Professor Antonio Teodoro, na Universidade Lusófona, em Lisboa, que não dá para comparar o incomparável, quando se trata de Portugal e Brasil, com relação ao sistema educacional. Ele ainda brincou dizendo: ”são anos de história”!
Realmente o sistema educacional português está todo voltado para atender às necessidades econômicas e culturais daquele país. Desde a educação infantil, percebemos um cuidado especial para com os pequenos. Existe toda uma infraestrutura física e todo um acompanhamento de profissionais na área da educação e da psicologia para atender às necessidades das crianças, sejam elas com necessidades especiais, ou não. Portugal, hoje, tem 98% das crianças com necessidades especiais inseridas em seu sistema regular público de ensino. Perguntei sobre os outros 2% restantes, e recebi como resposta que se as crianças não estão na escola estão no hospital.  

Não vi pelas ruas, durante o dia, nenhuma criança; elas estavam todas nas escolas. Vocês devem estar pensando, “mas Portugal é um país pequeno comparado ao Brasil!” Sim, realmente é; eles possuem 10 milhões de habitantes; comparado ao Brasil, só a grande São Paulo possui 17 milhões de habitantes.  Não devemos pensar em quantidades, mas sim em qualidade. A cultura é outra, uma cultura europeia. Conversando com as pessoas, percebemos que todos respiram história e arte o tempo todo. Contam sobre os estilos das construções (romanos, góticos, manuelina) vivenciando tudo isto o tempo todo. Aprendem vários idiomas, desde a primeira série até a sexta o inglês, e na sétima em diante a segunda língua (espanhol, francês); e isto se deve por estarem inseridos num continente com vários países com línguas diferentes. Encontramos turistas com várias nacionalidades o tempo todo; Portugal é um país turístico e seus habitantes vivem desta renda; sabem receber e conversar com eles é muito importante.

Eles possuem respeito por sua cultura e tradição, possuem uma noção de pertencimento e orgulho muito grande, diferente do brasileiro que não dá valor ao que é nosso, mas sim ao que vem de fora. Para se ter uma ideia, fomos a um restaurante no qual se canta e toca o fado; enquanto acontece o espetáculo de música, não se come e não se fala, mas simplesmente se aprecia a música e a dança em sinal de respeito.

O que fica para mim, é que precisamos mudar nossa educação com urgência se quisermos um país desenvolvido; Se não, continuaremos sendo a parte pobre do planeta quer seja em riqueza econômica, quer em educação e cultura!



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Escola colorida: Agrupamento Eça de Queiroz (Lisboa- Portugal)

Na visita feita a Portugal, além da escola da Ponte visitamos um agrupamento de escolas públicas denominadas Eça de Queiroz. São três escolas que fazem parte deste agrupamento. Para entender melhor, são três escolas em locais diferentes, mas todas possuem a mesma direção que coordena este agrupamento, desde a educação infantil até o ensino secundário (Ensino Médio, no Brasil).

Alguns aspectos destas escolas me chamaram a atenção; a estrutura física é maravilhosa em todas as escolas, sendo bem parecidas com as nossas escolas particulares, de qualidade, aqui no Brasil; mas em Portugal essas escolas são públicas, e os pais pagam 80 euros por ano. Outro aspecto a ser considerado é que essas escolas possuem banheiros coloridos, paredes de vidros coloridos, ou seja, a cor está presente em todos os lugares. Visitei alguns banheiros, e pude ver que os azulejos eram coloridos formando desenhos bem alegres entre o vermelho e o laranja. Andando junto com uma das coordenadoras, mencionei este fato dizendo: “a escola é muito colorida!” E ela me respondeu: “as crianças precisam de cores não? O mundo é colorido e nossas escolas também acompanham o mundo”.   

Quando passeio por Campinas vejo escolas sem cores, sem vida. As públicas municipais são brancas e com faixas azuis. Sempre em tons claros. Perto de casa tem uma escola estadual bege. Vocês devem estar pensando, branco azul e bege são cores claras, neutras e são cores. Sim são cores, mas as crianças precisam mais do que isto! As escolas em Portugal, as quais visitei, notei que as cores vibrantes fazem parte de paredes, móveis, azulejos, armários. Tudo é muito vibrante e cheio de vida!

Assim deveriam ser nossas escolas públicas aqui no Brasil: cheias de vida em todos os sentidos, e não somente nas pessoas. As cores fazem parte de nossas vidas e nos alegram, pois transmitem vibrações. Acho que deveríamos ─ não copiar ─ mas repensar as nossas paredes e mobiliários dentro de nossas escolas públicas aqui no Brasil!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Formação de professores em Portugal e atuação profissional

Em minha visita a Portugal me deparei com várias situações que me deixaram encantada: uma delas se relaciona com a questão da formação de professores em Portugal. Para ser professor de educação infantil, em Portugal, é necessário fazer o curso de Licenciatura, mais o Mestrado em Educação, ou seja, a licenciatura que corresponde aqui no Brasil ao curso de Pedagogia dá direito de atuar, lá em Portugal, como técnico da educação, mas não como professor. Para ser professor é necessário seguir a licenciatura e fazer o strictu senso. 

Vocês devem estar se perguntando, mas qual a diferença? A diferença é total em minha opinião: alguns teóricos falam o tempo todo em professor pesquisador de sua prática, aquele que realiza a pesquisa-ação, mas, para isto, é necessário entender como se faz uma pesquisa e o curso de mestrado é ideal neste tipo de formação “professor pesquisador”.

Nas escolas visitadas em Portugal, tanto em Lisboa como na escola da Ponte, pudemos observar o tempo todo que se fala em investigação como algo natural fazendo parte da rotina da escola. Mas para se ter investigação é necessário saber fazer e, para isto, é preciso de formação. Olha o nível de formação dos professores para se trabalhar com crianças de zero a cinco anos e assim por diante? Perfeito. Como copiar este modelo aqui no Brasil se em alguns lugares os professores não possuem nem formação universitária? Estamos longe desta realidade...


Se quisermos qualidade de ensino, é necessário pensar em qualidade de formação, desde a educação infantil até o ensino superior e em pós graduação. Precisamos pensar num Brasil com educação, de fato, e não com faz de conta. Vivemos numa ilusão... Vivemos num país em que o jeitinho brasileiro dá certo em tudo, será? Estamos longe de ser um país de primeiro mundo com esta educação sem qualidade, e sem a menor preocupação política, econômica e social. Estamos fadados à falência na educação brasileira em todos os sentidos. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Escolas públicas em Lisboa (Portugal) e o uso de computadores

Visitamos uma escola pública do Agrupamento Eça de Queiros em Lisboa e as crianças usavam o computador para aprender matemática. Primeiramente preciso mencionar como as crianças adquiriram este computador portátil (laptop). A aquisição deste computador foi realizada segundo um programa do governo: os pais que possuem uma condição de vida melhor pagaram 50 euros, os de classe média 25 e os pais com menor renda não pagaram nada, mas todas as crianças possuem o seu computador portátil. Percebem que todas as classes econômicas estudam juntas sem diferenciação de ensino, perfeito ou justo?

Bem vamos à aula que visitamos: a professora havia projetado na lousa o mesmo exercício que eles possuíam em seus computadores; na mesma sala estavam a professora de matemática, o professor de informática e a professora de sala. As crianças estavam sentadas em duplas e resolviam o problema apresentado pela professora de matemática, conjuntamente, no computador. Os outros dois professores auxiliavam as crianças. Não vimos nenhuma criança na internet fazendo uso inadequado do computador portátil. Não vimos ninguém em outro arquivo; todos faziam as suas tarefas referentes àquele conteúdo.


Preciso fazer dois comentários: mesmo sendo escola pública, os pais adquiriram o computador  ─ não de graça para todos ─, mas de acordo com sua renda econômica, ou seja, não existe abuso de verba pública. Aqui no Brasil, todos esperam tudo do governo, achando que é uma obrigação, um direito, mas se esquecem de seus deveres. Outro comentário é sobre o uso do mesmo: não vi crianças usando de forma inadequada, e sim para a sua aprendizagem. Aqui no Brasil vejo adolescentes e adultos, no ensino superior, usando o telefone celular e o computador de forma inadequada. Fico me indagando sobre o uso destes aparelhos em sala de aula aqui no Brasil: é uma questão de cultura, ou falta de educação e respeito?  

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O que realmente aprendi com a visita na escola da Ponte (Portugal)?

Esta experiência foi única e inesquecível, um sonho realizado. Muito se fala e se escreve sobre a Ponte, mas estar lá e verificar, na prática, como é que as coisas se dão é muito especial e muito diferente! Não tem nada igual! Quando chegamos, recebemos um crachá do qual eu tirei uma foto, sendo seguro pela minha mão. Esta foto foi a que mais me marcou a viagem inteira. Era como se o sonho estivesse em minhas mãos.

Aprendi que lá não existe uma única teoria na prática; que tudo foi pensando e planejado para melhoria da qualidade de ensino; que todos são responsáveis pela educação daquelas crianças; que pais, professores, funcionários agem em conjunto “para” e “pela“ escola.

Foi uma mudança de mentalidade para conseguir implantar esta nova metodologia. As próprias crianças que nos atenderam, durante a visita, reconhecem que eles são diferentes! Mas, para minha surpresa, acabei descobrindo lá, ao chegar, que a Escola da Ponte ─ famosa no mundo todo com algo pioneiro ─ em seus arredores e para o seu próprio governo, não tem lá essa aprovação toda, principalmente quanto à sua metodologia de ensino. Mais uma vez me deparo, como educadora, que a cultura de um local ainda não está preparada para mudanças educacionais!


Aqui no Brasil não é muito diferente, já que nossa cultura tem a base portuguesa: inovações nem sempre são bem vindas aqui no Brasil, pois é mais fácil conservar e continuar tudo como está. Para melhorar nossa escola pública, aqui no Brasil, precisamos mudar os conceitos econômicos, políticos e sociais. Mudanças que necessitam de todos e não somente de alguns que pensam. Essa mudança precisa vir do seio da sociedade e se estender por ela mesma! Afinal de contas, a sociedade inteira precisa querer! 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Escola da Ponte (Portugal) e a eleição da assembleia

Na escola da Ponte as crianças possuem uma mesa de Assembleia, que é utilizada quando se necessita realizar alguma eleição, com chapas dos alunos que querem participar. Existe a comissão eleitoral, os regulamentos e as informações fixadas no mural da escola. Uma das atribuições do presidente da assembleia é fazer parte do Conselho da Direção (que é o órgão responsável pela definição das grandes linhas orientadoras da atividade da escola).

Uma das meninas que nos atendeu na visita possui uma chapa e está se candidatando à presidência desta chapa. Ela nos disse que, se vencer, além do currículo também quer colocar em seu plano quinzenal de atividades, reuniões e tarefas administrativas. Como fomos visitar a escola no começo do ano letivo (o ano letivo se iniciou em setembro de 2015) estavam afixadas no vidro da escola as três chapas que concorreriam neste ano para fazer a Assembleia.

Esta é uma maneira de ensinar a democracia, não no papel, mas pela experiência, vivenciando reflexões e tomadas de decisões que envolvem o coletivo da escola. Isto facilita a construção de cidadãos ativos e participativos.  Noções de responsabilidade para consigo e com o outro estão pautadas neste tipo de trabalho, como o próprio site da escola diz: “aprender a ser com os outros”. O sentido crítico aqui está sendo desenvolvido na prática do cotidiano da escola.

Esta escola, além de conteúdos curriculares e uma metodologia diferenciada para aprender os tais conteúdos, também se preocupa em formar cidadãos ─ não em teoria do que seja exercer a cidadania ─ mas no dia a dia, cooperando, criticando, vendo e revendo atitudes, tomando decisões importantes que envolvem toda a comunidade escolar.



No Brasil já vi isto acontecer na cidade das Crianças, em São Bernardo do Campo. Hoje em dia, nem sei se ainda é assim, mas não conheço nenhuma escola pública que faça isto acontecer desde a primeira série do ensino fundamental. Quem sabe um dia chegaremos lá? Somos um país novo, ainda temos muito que aprender em relação a ser cidadão com direitos e deveres, a respeitar o outro e a nós mesmos, enfim, vejo que aqui no Brasil se confunde muito democracia com direitos. Apenas DIREITOS! Erguemos cartazes enormes sobre direitos, mas os deveres acabam sendo esquecidos...