terça-feira, 11 de março de 2014

Se você não comer, não tem brinquedo, nem parque, não tem nada mais hoje!

Muitas mães e pais tomam esta atitude forçando a criança a comer, e pensam que, com isto, estão fazendo o correto, forçando as crianças. Estas atitudes podem piorar a situação de comida que deve ser algo saudável e prazeroso para a criança. Entendo a preocupação dos pais com alimentação, e acho que é normal se preocupar, sim, com a alimentação dos filhos (as), porém, alguns exageros podem levar a distúrbios de alimentação e não à criança a se alimentar direito.

Já perguntaram para as crianças por que elas não querem comer? Se não estão com fome, se exageraram em alguma refeição anterior? Se estão se sentindo bem? Muitos outros questionamentos podem ser feitos para detectar o que está acontecendo com as crianças que não querem comer.   Mas sem briga, sem forçar nada, sem xingar e, principalmente, sem bater.


Se a criança estiver apresentando algum distúrbio constante e não quiser comer sempre, isto é motivo de preocupação e o caso deve ser encaminhado a um especialista. Agora, se por algum motivo naquele determinado dia não quer comer, deixe-a sem comer, mas sem ameaças ou chantagens. O que não pode é deixar sem comer as principais refeições e depois dar “bobagens” do tipo bolachas/biscoitos, doces. Deixe-a sem almoçar, por exemplo, e quando estiver com fome, dê a comida que ela iria almoçar. Muitas crianças que vivem em ambientes de chantagens têm atitudes de não se alimentarem direito em alguma refeição e, depois, comem bobagens porque os pais com medo da subnutrição acabam deixando. Isto não é o mais correto! Evite qualquer tipo de chantagem, assim, seu filho (a) será um adolescente e adulto consciente de seus atos.  Comida deve ser algo de muita responsabilidade por parte de cada um porque somos aquilo que comemos e o que bebemos. A autoestima também está relacionada com a maneira pela qual nos alimentamos. Se quiserem ser saudáveis, devem sempre ter atitudes saudáveis consigo mesmos.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Antes de sair, certifique-se se a criança não está com fome

Vejo algumas mães de primeira, ou até mesmo de segunda viagem, que precisam ser alertadas para algo que parece simples, mas que pode causar muito aborrecimento fora de casa. Para quê deixar acontecer situações como a que o título deste texto apresenta se com procedimentos simples é possível evitar problemas, ainda mais em público?

Estava em uma instituição de ensino que possui alunos desde a educação infantil até o ensino superior, quando uma mãe chegou com sua filha de mais ou menos uns 5 anos; a criança estava com fome e pediu para comer. Era a escola da criança e ela sabia que nela existia uma cantina. Pois bem, a mãe dizia à menina, “eu não trouxe dinheiro. Você não comeu em casa?” E a menina respondeu: “Não! você não me deu lanchinho, e saímos correndo”. A menina dizia a todo o momento que estava com fome e a mãe sem saber o quê fazer direito, resolveu sair e ir embora; falou para a professora que voltaria depois, noutro dia, por que a fulana está com muita fome e não pode esperar nem um pouquinho. Só que a fala da mãe era de raiva e indignação, dizendo com ironia para a criança.


Esta cena poderia ter sido evitada se a mãe tivesse acordado na hora, feito um lanchinho junto com a criança em casa, por que se ela estivesse com a barriga cheia, ela não iria ter fome, e não ficaria insistindo com a mãe. Se ela assim o fazia, era por que realmente queria e precisava comer. Percebi que não era birra, era fome mesmo! Mais uma vez percebo que estes problemas poderiam ser evitados se a mãe realmente estivesse sintonizada com a criança; mas o que ocorre é que muitas vezes as preocupações são outras e acabam se esquecendo que a criança deve ser a prioridade, uma vez que nasceu e que depende do adulto, no caso a mãe. Constrangimentos muitas vezes são causados pelos adultos ─ pior ainda ─ jogando toda a culpa nas crianças! Cuidado! Elas não nasceram sabendo e aprenderam tudo com os próprios adultos com quem elas convivem. É difícil ser exemplo, não basta apenas querer, mas mais do que isto, basta amar de verdade outro ser humano.

sexta-feira, 7 de março de 2014

“Não pode deixar a criança fazer e ter tudo o que ela quer. A vida não é assim!”

Este título foi uma afirmação de uma mãe para mim; ela me questionou sobre a minha opinião e eu resolvi escrever sobre ser permissiva em excesso com as crianças. É verdade que na vida adulta temos mais “nãos” do que “sims”, e devemos aprender a lidar com as frustrações, seguindo sempre em frente, mas isto deve ser ensinado à criança desde pequena. O único problema é que muitos adultos pensam que educar é proibir sem explicar, e aqui está o grande erro.

Uma criança precisa entender com lógica tudo o que se passa na vida dela e, mais do que isto, precisa compreender os fatos com coerência. Por exemplo, uma criança de 4 anos pediu de Natal para o Papai Noel um celular, um tablet e uma boneca. Pois bem, a mãe disse que celular ela era muito pequena para ter, que tablet era usado pelos adultos para o trabalho e que o Papai Noel iria trazer mesmo era uma boneca.


Vejam se isto tem lógica, ensinam às crianças que o Papai Noel pode trazer tudo, e algumas famílias ainda dizem que se obedecerem durante o ano o Papai Noel trará todos os pedidos! Depois, quando elas pedem não podem ganhar; isto tem lógica? Claro que não! Primeiro há uma ameaça de bom comportamento como se isto fosse adquirido por meio de chantagens e não pelos exemplos dos adultos. Depois, elas pedem por que sabem que os adultos verbalizam isto durante o ano e quando pedem acabam não ganhando; assim, isto não é educar de maneira correta. Eu vejo esta cena se repetir muito em alguns lares. Explicar com lógica é mais fácil quando os adultos a possuem, e não repetem algo que lhes foi ensinado por seus pais, em uma outra época! Hoje o mundo mudou, o consumo é bastante grande, a mídia incentiva e as crianças querem de tudo. Explicar sem Papai Noel que nem tudo o que queremos ter poderemos comprar; educar sobre o orçamento doméstico colocando a par todos os envolvidos é o mais acertado para se fazer neste mundo instantâneo e consumista. Algumas ilusões do tipo Papai Noel não servem para educar de forma construtiva; ao contrário! Pensem nisto.  

quinta-feira, 6 de março de 2014

“Mãe eu quero fazer xixi, não aguento mais”

Eu estava fazendo compras em um supermercado em Campinas (SP), quando acompanhei o desenrolar desta história para ver até onde a mãe era capaz. Um menino estava sentado na cadeirinha do carrinho de supermercado, a mãe estava pegando os produtos e ele insistia que estava com vontade de fazer xixi. A mãe verbalizava assim: “segura um pouco; já vou te levar ao banheiro”. E o menino continuava a pedir e a mãe parecia não dar muita importância, continuava a pegar os produtos. Pois bem, o menino começou a chorar porque tinha feito xixi na calça enquanto a mãe pegava as mercadorias. A mãe se aproximou e ao ver o que tinha acontecido, começou a brigar com o menino, a falar uma porção de coisas que o fez chorar mais ainda e, pior, dizia tudo em voz alta! “Olha aí o que você fez agora! vou ter que pegar tudo de novo, e não sei se não vou ter que pagar estas mercadorias cheias de xixi que o senhor fez”.

Isto nos faz refletir, quem está errada: a mãe ou a criança? O menino estava avisando que estava com vontade de urinar! Tem vezes que nós também não conseguimos segurar, dependendo do quanto estamos com vontade! O menino avisou que estava com vontade de fazer xixi, pior ainda, quem será que o colocou no carrinho para ele ficar imobilizado? Com certeza a mãe, já que ele não tinha altura suficiente para subir sozinho, era alto demais!


E o mais triste de tudo isso é que ele sofreu violência verbal na frente de todo mundo; a mãe o colocou em evidência por que começou a gritar com o menino em pleno supermercado, sendo que a sua a preocupação  era a de que teria que pagar as mercadorias, ou levá-las assim rasuradas, e não com o filho em si. Aliás, ela não estava nem um pouco preocupada com a criança por que se estivesse teria levado o filho ao banheiro assim que ele pediu. Que sirva de alerta a outros pais: quando as crianças não usam mais fraldas e pedem para fazer xixi em algum lugar, ou até mesmo em casa, leve-o imediatamente ao banheiro para evitar estes constrangimentos e, mais ainda, para contribuir com a formação saudável das crianças. Qualquer um de nós tem vontade de fazer xixi, seja em que idade for. Não exija da criança aquilo que nem nós adultos, às vezes, conseguimos fazer.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Ter e/ou ser professor (a): existem diferenças?

Existe uma diferença entre ter e ser professor (a), que precisa ser analisada com calma. Professor (a) é uma profissão como outra qualquer, mas o que a diferencia das demais é que somos responsáveis pela formação de outros seres humanos, e isto é de extrema responsabilidade! 

O TER professor (a) é aquela pessoa que não gosta da profissão, está ali somente pela remuneração; muitas pessoas fazem cursos de Pedagogia por fazerem, para se efetivarem em alguma rede pública e assim terem um salário e uma profissão mais estável, porque como concursada (o) não poderá facilmente ser mandada embora, criando, assim, um sentimento de estabilidade profissional e sustentabilidade pessoal. Porém, a pessoa pode não gostar do que faz e, neste sentido, não faz direito. Reclama muito de tudo: das crianças, da escola, do salário, da falta de condições, etc. E enquanto perde tempo reclamando, se esquece do seu compromisso com o outro ser humano que está sob a sua responsabilidade de formação.

O SER professor (a) é aquela pessoa que ama o que faz, portanto, faz com prazer. Nada de que tem vocação, ou de que abraçou a sua missão! Nada disto; mas, realmente, é apaixonado pela profissão e tem consciência da real importância na vida de seus alunos. Sabe que pode construir ou destruir o desenvolvimento saudável de outros seres humanos. É aquela pessoa que está sempre buscando se aprimorar, porque sabe que a sociedade muda e, com isto, o comportamento das crianças também se modifica com o tempo sendo necessário estudar a criança da atualidade. É aquela pessoa que se preocupa com o que faz, e dá o melhor de si sempre, sem pedir nada em troca, simplesmente dá e faz. Não fica reclamando por falta disto ou daquilo, mas busca soluções para os problemas que surgem em seu dia a dia, porque sabe que é isto que fará a diferença na vida das crianças!


Sei que algumas pessoas que lerem este texto irão se identificar com um ou outro tipo: de TER ou SER professor (a). É a vida! Eu particularmente gostaria que todos fossem o SER professor, mas tenho consciência e absoluta certeza que são poucos os exemplos de SER professor, hoje neste país! Infelizmente a maioria acaba pensando somente em ter dinheiro e em ser efetivo. Quem sou eu para mudar alguém...

terça-feira, 4 de março de 2014

“Lobo mal não existe, mas se ele vier você manda ele embora”

Ouvi esta frase de uma mãe para uma criança que dizia ter medo de dormir, que não queria dormir sozinha. Pois bem, vamos às contradições da fala para que possamos entender que este procedimento não é o mais correto, e que em vez de ajudar atrapalha mais ainda.

A mãe diz primeiro que lobo mal não existe; quando diz isto, passa segurança para a pequena que já deve ter ouvido várias histórias a respeito desse personagem, histórias que colocam medo e que em nada ajudam na hora de dormir para diminuir-lhes a insegurança. Até este momento da fala está tudo bem; temos que ir diminuindo o medo das crianças, dando-lhes segurança, sendo que isto só é possível trazendo-as para a realidade, explicando que as historinhas não são reais; aliás, essa humanidade é bem engraçada: por que escrever histórias que não contribuem em nada de positivo para as crianças?  Bem, deixa isto para lá.


A segunda parte da frase contradiz toda a primeira; se estava dando segurança para a criança, agora quando a mãe verbaliza “se ele vier você manda ele embora”, isto coloca em cheque tudo o que ela deu de segurança anteriormente. São falas contraditórias para uma criança pequena que está com medo e que confia na mãe! A criança poderá ficar pensando se o  lobo mal existe ou não existe. Pensem no que falam para seus filhos (as), é muito importante ter coerência com o que se diz. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Cartão de crédito: ter ou não ter, eis a questão!

Duas mães de adolescentes conversavam entre si dizendo que não possuem cartão de crédito porque, assim, quando os filhos pedem algo elas não precisam dizer “não”, ou cair em tentação de comprar só por comprar.

Fiquei horrorizada com esta atitude! Então, no lugar de educar os filhos a como gastarem, o que comprar e verificar se são realmente necessárias àquelas compras, as mães simplesmente preferem não ter cartão crédito por que assim não precisam falar “não”??? Estão ensinando o “não” de uma forma errada, estão sendo dissimuladas e, ao serem questionadas, por mim, relataram que quando o dinheiro acaba, “acabou” e isto acontece sempre bem antes do mês terminar. Na verdade, o ponto não é esse! Estamos falando em educar, em sermos verdadeiros diante do adolescente que precisa ter um referencial de verdade, de clareza e de conscientização diante da vida, da sociedade, do sistema... Que sentido de educação possuem estas famílias? 

A educação de ensinar o jovem a ser um empreendedor e comprar aquilo que é realmente necessário e não fazendo dívidas para coisas supérfluas, provavelmente não existe! Conheço várias famílias assim e, pior ainda, é muito comum se endividarem para comprar objetos, roupas, sapatos, etc., não por necessidade, mas para aparecerem diante dos outros. O pior é que não percebem que esse tipo de atitude,  além de “deseducar” e de  valorizar o ter em detrimento ao ser, todo mundo percebe que possuem coisas que não estão próximas ao seu poder aquisitivo. Vejo muitas pessoas usando uma bolsa de determinada grife que nem combina com o seu estilo e poder de compra, mas acaba adquirindo não exatamente para um prazer seu, e sim para querer mostrar o que não são!


 Estas atitudes precisam ser repensadas porque não ter um cartão de crédito para não ter que dizer “não”, em minha opinião não é educar um filho para a vida, educá-lo para ser um empreendedor, para viver por conta própria, com autonomia quando adulto. Esse tipo de atitude fará com que o jovem, quando adulto, acabe sempre precisando de uma bengala para mostrar aquilo que não é, sempre reclamando por estar sem dinheiro, já que não sabe usá-lo de maneira correta.