segunda-feira, 30 de abril de 2012

Chupeta e dedo: o que fazer para tirar este hábito da criança?

Bem, primeiro precisamos elucidar como o comportamento de usar a chupeta ou o dedo se torna um hábito, e depois como fazer para tirar isto das crianças pequenas.

Muitas crianças, quando pequenas, choram por algum tipo de insegurança e alguns pais e familiares, para que elas fiquem quietas e mais calmas, dão uma chupeta para se sentirem mais seguras, porém, o problema está quando elas se tornam maiores e os pais querem que elas parem com este hábito.
Então, o que fazer?

Trocar por presentes, dar ao Coelhinho da Páscoa, ao Papai Noel não é uma atitude com lógica. O correto é ir conversando e não dar tanta importância a este fato, assim, a criança vai deixando a chupeta naturalmente. Agora, quando damos muita importância ao fato, este se torna mais relevante e mais difícil é para a criança largar este hábito.

Vou-lhes contar uma cena: uma criança está dentro do carro com o pai e a mãe. A mãe virá para a criança e diz: Você poderia jogar esta chupeta fora, já é grande e não precisa mais disso. A menina responde: Joga uma coisa sua fora, que você goste, que eu também jogo a minha chupeta, que eu gosto, fora.

Adorei a reposta dessa criança. Ela está errada? Não! Por que deram chupeta para ela quando pequena e agora que ela gosta querem jogar fora na força? A atitude desta mãe não irá ajudar em nada esta criança para deixar esta chupeta de lado, pelo contrário, reforçou mais ainda este comportamento que a criança tanto gosta.

Ir conversando e parando de chamar a atenção da criança, esse comportamento vai se extinguindo aos poucos, e quando a criança não sentir mais vontade, ela vai naturalmente deixando a chupeta de lado. Isto sim é ter lógica nas atitudes com as crianças, pois quanto menos reforço, mais o comportamento tende a se extinguir, e quanto maior o reforçamento menor a extinção do comportamento. É simples! 


domingo, 29 de abril de 2012

Conflitos de relacionamentos entre os pais na frente das crianças

Quando o casal tem um relacionamento saudável, a formação integral e integrada da criança não fica comprometida. Mas os problemas começam, quando os pais não se entendem por algum motivo. Sei que criar laços saudáveis em relacionamentos não é tarefa fácil, pois cada um foi criado em uma família com sua história, usos e costumes próprios, mas, por favor, se dizem tanto que amam seus filhos(as), evitem brigas, discussões e desentendimentos na frente dos pequenos.

Primeiro, eles não sabem discernir quem está certo ou errado e, muitas vezes, porque eles estão formando seus pensamentos sobre a vida, eles não sabem, por exemplo, diferenciar uma briga ou xingamento de um ato mais sério.

Segundo, eles não amam mais um do que o outro, para a criança a figura do pai e da mãe são diferentes e importantes para a formação de sua vida psicológica e com saúde.

 Quando não há entendimento entre o casal é importante que briguem sobre as diferenças, longe dos pequenos, não os usem como fator de chantagem, como se fossem troca de mercadorias. Eles são seres humanos com necessidades de afeto e carinho.

Reclamamos tanto da violência em nossa sociedade, mas ela começa, muitas vezes, dentro de casa. Violência verbal ou física não deixa de ser violência em qualquer nível. Evitem isso, se amam realmente seus filhos(as). Eles não devem ser “sacos de pancadas” entre vocês. Se o relacionamento não dá mais certo  o melhor a fazer é separar e pronto. Cada um vai viver a sua vida e que cada um seja feliz. Agora, ficar em uma relação, somente por comodismo ou por questões financeiras e brigar na frente das crianças, isso não é amá-las.

Se querem que seus filhos(as) tenham uma vida amorosa quando adulto de forma sadia, lutem por um relacionamento também sadio, assim ele terá exemplos do que seja um relacionamento  verdadeiro e carregado de afeto, carinho, compreensão e companheirismo. Caso contrário, a vida afetiva destas crianças pode ser comprometida, de tal forma que ela reproduza a vida conjugal de seus pais e, portanto, também não serão pessoas felizes em seus relacionamentos. Casal, pensem em suas atitudes!

sábado, 28 de abril de 2012

Relaxamento para as crianças

Neste mundo tão agitado e superficial, muitas vezes não paramos nem para pensar e agimos de forma emocional e sem lógica, mas somos adultos e as crianças vivem neste mundo cada vez mais violento, que é causado pelo próprio homem, que se diz inteligente por possuir razão.

As crianças são agitadas, vivem num mundo rápido, e precisam, para que possam agir possuir calma para resolver os conflitos internos e externos que terão de enfrentar diante da vida.  O relaxamento existe exatamente para acalmar esta mente tagarela, que se praticada desde criança, irá ajudar, em muito, o desenvolvimento integral e integrado desta criança.

Quando fui professora de ensino fundamental, utilizava técnicas de relaxamento com as crianças de maneira simples, é fácil e muito gostoso para todos. Vou explicar como fazer. Peça para que as crianças sentem de maneira correta nas cadeiras, com a coluna ereta e encostada na parte detrás das mesmas. Peçam para que tirem relógios, enfim que se sintam confortáveis. Coloque uma música instrumental de fundo, nem muito alto nem muito baixo, depois comece a ler um texto de relaxamento, existem vários no mercado para serem comprados exatamente para as crianças. 

Alguns relaxamentos pedem para que as crianças imaginem estarem dentro de um mar e ser um peixinho, outros vão passear numa floresta, é uma pena que não posso citar nomes de livros aqui para indicar a vocês, mas procurem, pois existem autoras que escrevem técnicas de relaxamento para os pequenos.
Posso garantir que as crianças se sentem mais calmas, pois o ritmo cerebral está baixo e elas aprendem melhor e com mais rapidez. Experimentem, eu já fiz isso e tenho relatos de alunos que já vivenciaram isto que adoraram e que ainda hoje realizam relaxamento quando estão em situação de estresse.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Qual a importância da primeira professora na vida de uma criança?

Estou-lhes escrevendo este texto porque fui surpreendida pelo facebook com a seguinte pergunta, deixada por um ex-aluno: Você foi a minha primeira professora, lembra-se de mim? Confesso que na hora fiquei meio sem saber o que responder, porque não me lembrava do nome, foram tantos alunos e são ainda hoje ao longo da minha carreira. Perguntei a ele: Onde? Quando? E ele respondeu: na escola Orlando Boni em Mogi Mirim – SP. Ele deu algumas características pessoais para que eu pudesse relembrar. Eu retornei a ele dizendo: Claro que me lembro. Conversa vai, conversa vem, ele me disse se lembrar de tudo, que eu tinha alfabetizado, que isso e aquilo.

Fiquei muito feliz, confesso que me senti um pouco velha, porque hoje ele é um rapaz, com 26 anos e quando fui sua professora ele tinha sete anos. Bem, mas vamos às reflexões! Fiquei pensando sobre a importância da primeira professora na vida de alguém, e de como somos responsáveis pelo desenvolvimento e formação de outro ser. Hoje ele trabalha em uma empresa, está estudando para prestar concurso e ainda me perguntou sobre material para estudar, se eu tinha alguma referência para indicar para ele. Olha a confiança que ele tem por mim até hoje!

Estas emoções são únicas para um professor e é o reconhecimento de seu trabalho e a certeza de estar no caminho certo, pois sempre amei e amo a educação até hoje, senão não estaria fazendo este blog.
Mas voltando ao assunto, quem é professor e que está lendo este texto, deve parar para pensar que você pode construir ou destruir a formação de um(a) aluno(a), dependendo das suas atitudes em sala de aula. Você é responsável pelos seres que estão em sua mão durante aquele período, então façam o melhor de si, independente de dinheiro, de reconhecimento de outros. O importante é o que vai deixar como marcas em cada um que passar por você. O exemplo e as atitudes de autoridade e não autoritarismo são essenciais para construir uma relação de respeito mútuo e de confiança para sempre na vida de alguém... V.B. este texto dedico a você...


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Avós ajudam ou atrapalham na educação dos netos

Muito se diz em nossa cultura que os pais educam e os avós deseducam. Isto não é verdade! Os pais, por uma série de motivos sociais e por se sentirem pressionados com a educação dos pequenos, impõem regras e alguns até adestram seus filhos(as), para responderem a comportamentos ditos como imprescindíveis para se viver em sociedade. Concordo que cabe aos pais a educação dos filhos(as), mas também concordo que a criança perceba que a vida não é somente esta “ditadura familiar”. Para um bom comportamento é necessário que as crianças percebam as diferenças entre comportamentos sociais, pois elas precisam sair da rotina para ter uma vida saudável.

E quem ajuda que elas saiam da rotina? Justamente os avós, que permitem uma série de comportamentos que os pais não deixam. Pais, não fiquem bravos com os avós, eles mimam sim, mas isso é importante para que as crianças tenham seu psicológico equilibrado, que percebam que o mundo não é somente rotina e regras que, de vez em quando, podemos e devemos sair dela, para realmente percebermos as diferenças.
Mimar ajuda na autoestima das crianças, e este papel é dos avós, são eles que são permissivos. Brigar com os avós porque tomam esta atitude na frente das crianças, não é muito correto, Porque as crianças precisam perceber estas diferenças. Todos nós adultos precisamos sair da rotina para manter nosso emocional equilibrado, as crianças não são diferentes.

Quando as crianças estão com os avós, deixem-nos com os avós, e quando as crianças estão com os pais, fiquem com os pais. As regras na casa da avó são uma e na casa dos pais são outras. Cada um com seu papel definido. Agora avós, também não desautorizem os pais na frente das crianças, cada um de vocês tem seu momento junto com as crianças. Não fiquem com receios de que as crianças vão gostar mais de um do que do outro, isso não existe no mundo infantil. Preste atenção no comportamento dos pequenos, eles brigam com um e daqui a pouco já estão brincando novamente, eles são espontâneos, coisa que nós adultos perdemos ao longo dos anos, por imposições sociais e familiares.

O problema é quando os pais sentem ciúmes e/ou sentimentos de posse dos pequenos, e não conseguem separar os papeis de avós e de pais, e acham que porque os avos são mais permissivos, as crianças irão gostar mais dos avós do que deles. Isto não é verdade! Para a criança, cada pessoa é importante para ela e se houver diálogo, elas percebem que cada pessoa na sua vida é especial e que ela necessita de todos para viver.

Concluindo, os avós ajudam na educação dos netos, mesmo mimando-os.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Pai fala sim e mãe diz não e vice-versa

Esta atitude contraditória na educação dos filhos não é muito correta e pode acarretar sérios problemas na vida adulta. Antes de definir uma situação, que precisa de uma resposta para a criança, vocês pais e mães devem ficar longe deles(as) e discutirem o que é melhor para ser respondido e os dois devem dar a mesma resposta.

Com uma atitude coerente vocês passam seriedade e autoridade nas decisões, a criança entenderá que o casal pensa, sente e age da mesma forma, portanto, não adianta que ela faça chantagem para um ou para o outro.

Sei que esta atitude única do casal requer maturidade de ambas às partes, diálogo, respeito e nem sempre é tão fácil como escrevo, porque muitas vezes, as crianças são disputas de carinho, ou até mesmo objeto de controle de um ou de outro. Quando a relação do casal não é boa, geralmente quem irá arcar com as consequências são as crianças, numa sociedade em que o que se valoriza é o ter e não o ser. Na maioria das vezes quem paga pelos erros dos adultos são os pequenos.

Quando um fala sim e outro fala não, a criança não sabe o que fazer, são dois comandos sem lógica e a consequência disto pode ser um distúrbio de comportamento chamado hiperatividade.
Para que as crianças sejam adultos fortes e coerentes elas precisam de exemplos em casa, antes de qualquer atitude, reflita muito no que e como fazer. 


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Alfabetizar ou não na pré-escola?

Este é um assunto polêmico e sem consensos entre os estudiosos na área de educação infantil, porque alguns admitem que a criança está no mundo letrado desde que nasce e palavras, símbolos e rótulos fazem parte do seu dia a dia, em todos os lugares por onde ela circula. Antes mesmo de saber ler corretamente, a criança já conhece e reconhece símbolos que fazem parte de sua alimentação, por exemplo. Não posso citar marcas aqui neste texto, mas reflitam: Quando vocês estão com suas crianças em um supermercado e passam por determinado lugar, elas já conseguem ler suas marcas prediletas, pelos símbolos e imagens ali expostas.

Essa leitura de mundo, hoje, chama-se o processo de letramento, mas isso deve adentrar o cotidiano infantil nas instituições de ensino? Alguns teóricos da educação dizem que sim e outros não concordam. Então, o que é certo? Não existe certo ou errado. O que existe é que algumas instituições ensinam letras, nomes, palavras e textos desde a tenra idade. Geralmente, são instituições de ensino particulares. Mas vejam, disse “geralmente”. Não estou generalizando nada e nem poderia, este país é muito grande e a diversidade cultural é imensa.

Em minha opinião, não devemos ser radicais em nada, em se tratando de educação. Aquele ditado popular “nem tanto ao céu, nem tanto a terra” cabe aqui como uma luva. Algumas famílias proporcionam aos filhos(as) livros de histórias, filmes, jogos com letras e palavras, e desde pequenos(as) as crianças são estimuladas no mundo da escrita e da leitura, para elas isso é um processo natural. O que condeno é forçar a criança a escrever com 4 e 5 anos de idade. Isso sim, não acho nada prudente! Mas, por exemplo, ensinar o nome das crianças de maneira lúdica, não sou contra. Para alguns especialistas, escrever o nome das crianças já é estar alfabetizando. O simples fato de a criança escrever seu nome e de quem ela gosta, para mim, antes de ficar preocupada com a alfabetização, é dar significado e identidade àquela criança. É ter noção de pertencimento ao mundo em que vivemos. Isso é muito importante, pois a criança precisa saber quem ela é, porque, a partir daí, ela conhece a si mesma e ao outro.

Embora a educação infantil não deva ser preparatória para o ensino fundamental, não vejo nada de errado as crianças conhecerem as letras de seu nome e de seus familiares. Isso não é alfabetizar, é ser e estar neste mundo. Pertencer!

domingo, 22 de abril de 2012

Educação Sexual: como falar a verdade na linguagem infantil?

Existe um período no desenvolvimento das crianças pequenas, que para tudo, elas perguntam o porquê. Isto é natural, pois elas estão em pleno vapor na sua vontade de conhecer o mundo e as coisas que as cercam, até nós adultos somos curiosos quando não conhecemos algo, porém, muitas vezes, pelas regras impostas em nossa sociedade, deixamos de perguntar por vergonha ou até mesmo por medo. Este comportamento é errado, no meu conceito, porque ser curioso é algo inerente ao ser humano. Se não existisse este comportamento, a humanidade ainda estaria na idade da pedra. Mas vamos voltar ao assunto do texto.

As crianças normalmente nos fazem perguntas sobre como nasce o nenê. E o que fazer nesta hora? Como explicar a verdade na linguagem infantil?

Calma, não se desesperem e nem passem a elas informações incorretas. Vou explicar o que deve ser feito. Você deve explicar que existem diferenças entre o corpo da mulher e do homem, se possível mostre ilustrações deste corpo e conversem com elas, dizendo que a mulher possui um corpo no qual produz óvulos e o homem produz espermatozoides. Por favor, não falem nomes errados ou pejorativos aos órgãos sexuais masculinos e femininos, ensinem o correto, sem vergonha ou medo. Isso faz parte da natureza humana e não se deve ter preconceitos com relação à sexualidade, pois eles precisam entender o que é correto sempre. Continuando, explique que o papai e a mamãe precisam namorar, para que o nenê possa se formar na barriga da mamãe.

É simples assim, você explicou corretamente sem ir além do que eles precisam saber neste período de desenvolvimento. As crianças vão se satisfazer e você não mentiu e nem inventou nada. Difícil? Não, quando você está livre de preconceitos e fala sobre educação sexual sem rir, sem ficar vermelho, sem saber o que falar, sem ser malicioso e pejorativo. 


sábado, 21 de abril de 2012

Como a criança aprende?

Esta pergunta é importante e deveria ser feita pelos pais e professores de uma maneira geral. Embora os professores tenham tido em sua formação a disciplina de Psicologia da Educação, muitos ainda não sabem como funciona a mente da criança, quanto à aquisição da aprendizagem.

Vamos lá! Vou explicar de uma maneira simples para que todos entendam. Quando as crianças nascem e vão se desenvolvendo, elas são confrontadas com uma série de estímulos captados por meio dos sentidos: olfato; audição; visão; paladar; e tato. Todos estes estímulos são levados até o cérebro da criança, que responde por meio de comportamentos, tais como, choro, balbucios etc. Quando uma criança é bastante estimulada quando pequena, seu cérebro realiza muitas conexões chamadas sinapses, estas, por sua vez, vão interligando estas conexões com outros neurônios estimulando as reações das crianças.

Qual seria, então, o papel do adulto neste sentido? Seria de propiciar o maior número de estímulos para ativar estas células nervosas a realizarem sinapses. Mas o que isto tem a ver com a aprendizagem? Tudo, uma vez que o cérebro é ativado constantemente com estes estímulos, as crianças possuem uma velocidade maior para pensar, sentir e agir no mundo a sua volta.

Mas quando acontece de fato a aprendizagem? Quando estes estímulos se tornam significativos para aquela criança em específico. Durante todo o dia, vários estímulos estão presentes ao nosso redor, porém, nem tudo nós aprendemos de fato. Só aprendemos quando existe sentido, pois sem sentido, somente obtemos informações que podem ser esquecidas com o tempo.

A criança aprende experimentando e vivenciando o mundo a sua volta com sentido e significado real. Propiciar situações variadas para que ocorra este aprendizado é tarefa dos pais e professores, estimulando as crianças em novas aprendizagens, desenvolvendo o biológico, o psicológico e o social. A criança precisa ser estimulada pelos adultos, mas também entre si, pois as experiências são diferentes e todas são necessárias para a convivência neste mundo.

Portanto, a criança aprende com o meio social no qual está inserida e dentro de sua cultura.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ser criança ou um adulto em miniatura? Valorização do ser criança

A infância é um período da vida de todos os seres humanos que precisa ser pensada e repensada. Como tratamos as crianças de hoje? Como educamos e cuidamos das crianças em nossa sociedade? Será que estamos prestando atenção, de fato, no que estamos fazendo com elas, neste período histórico com a massificação de produtos e de mídias que incentivam, cada vez mais cedo, o uso de produtos que as deixam mais como um adulto em miniatura, do que a própria beleza de ser criança e com uma infância saudável?

Estava assistindo a um programa de domingo, não vou citar nome para não ter problemas, mas que apresentava meninas para um concurso de beleza mundial, as meninas tinham por volta de 9 e 10 anos. Fiquei horrorizada com alguns aspectos que comento com vocês para que possamos refletir. Algumas meninas de sorrisos forçados, mãos acenando para a plateia como se fossem misses adultas, roupas de adulto, trajes típicos pesados, sapatos apertados, enfim, estavam parecendo adultas. Uma delas ainda verbalizou que o vestido pinicava e que era pesado, mas que estava feliz em estar ali. Fico me questionando: Para que isto tudo? Será que as meninas querem mesmo isto para elas ou são induzidas pelas mães e familiares? Perguntaram para uma delas, se ela já tinha namorado. Ora, isto é lá pergunta que se faça para uma criança desta idade?

Essas crianças deveriam estar brincando e vestidas como crianças e não com a vestimenta artificial para a idade, maquiagem carregada e sapatos de gente grande com saltos. E o tempo de ser criança, como fica nesta sociedade de consumo e do instantâneo? Em termos de humanidade, historicamente, já tratamos as crianças como “adultos em miniaturas”, e na modernidade, a criança deve ser vista como um ser em desenvolvimento, com características e necessidades próprias.

E hoje, quais são as características e necessidades das crianças no mundo? O que estamos fazendo para que elas vivam a infância de forma integral e integrada? Estamos deixando que elas sejam elas mesmas ou forçando-as para que se vistam e se comportem como adultas?

Ficam aqui os meus questionamentos para cada um que lê este texto...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Contação de histórias: cuidados com elas...

Tanto nas instituições de educação infantil quanto nas famílias é comum as pessoas contarem histórias para as crianças, quer seja durante o dia ou à noite antes de dormir. O contar histórias é muito importante para a formação da mente da criança, pois ajudará a entender uma lógica de fatos e ou acontecimentos e, mais tarde, quando estiverem no período de alfabetização, isto lhes ajudará na escrita de textos. Até aqui, a situação é perfeita e saudável.

Porém, vocês já pararam para analisar o que está nas entrelinhas das histórias infantis? Vamos analisar algumas, para que juntos possamos refletir. Branca de Neve, por exemplo, é uma menina que mora com a madrasta, e esta tem inveja da beleza e não gosta da menina. Acaba envenenando-a e Branca de Neve é achada por sete anões, que a levam para morar com eles. Depois de um tempo, é encontrada por um príncipe que a beija e a salva. Vamos lá! O que tem de educativo nesta história? Uma pessoa ruim que está na figura de uma madrasta (ser madrasta de alguém se tornou pejorativo), mostrando a inveja, exaltando a beleza física, e demonstrando que sempre precisamos de alguém, de preferência um homem, para nos salvar. Machismo puro.

Querem mais uma historinha que parece ser inocente? Chapeuzinho Vermelho. Essa história nos revela estupro, quando o lobo come a vovó e a netinha. E os personagens da Turma da Mônica, o que ensinam? Mônica uma menina controladora e briguenta; Cascão ensina a não tomar banho; Cebolinha fala errado e é submisso; e Magali só come o tempo todo. O que estes personagens têm de educativos?
Vocês podem não concordar comigo, é um direito que lhes cabem, mas, se analisarem profundamente estas histórias e personagens relatados acima, perceberão que em nada contribuem para uma educação sadia e real.

Mas, então, o que contar às crianças?

Histórias reais com acontecimentos do dia a dia, ou histórias inventadas, mas que possuam bons exemplos para a formação da personalidade da criança. Antes de comprar um livrinho infantil, analisem a história. Vejam se elas não possuem, em seus enredos, atitudes de violência física ou verbal. Prestem atenção no que os personagens estão fazendo e dizendo e leiam as entrelinhas das histórias. Somente depois de verificar tudo isso, façam a compra. Ouvir histórias é importante, mas precisamos tomar muito cuidado com o que lemos e para quem lemos.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Desenhos Prontos x Desenhos Espontâneos



Aqui no Brasil, existem correntes pedagógicas excludentes na educação infantil, de acordo com o referencial teórico utilizado, como por exemplo, os desenhos fotocopiados. Na minha época como professora de educação infantil ainda existiam os mimeógrafos, nem sei se ainda não existem pelo Brasil afora, mas voltando ao assunto, dependendo do aporte teórico, desenhos prontos são banidos ou não da metodologia do professor no cotidiano infantil. Já senti isso na pele quando era professora no município de Atibaia. Na época, o prefeito havia comprado uma assessoria importante de educação infantil, e não citarei nomes aqui para não ter problemas judiciais, mas tivemos de tirar, de uma hora para outra, todos os desenhos prontos de nossas rotinas.

Hoje, depois de muito estudo e verificando a mudança que a sociedade está vivendo e, principalmente, observando muito o comportamento das crianças, percebo que elas gostam de desenhar livremente, mas também, gostam de pintar desenhos prontos.

Neste sentido, escrevo este texto para que possamos refletir sobre a importância de não existir radicalismos dentro da educação infantil, ou é “este aporte teórico ou aquele”. Se as pesquisas se voltassem de fato às crianças e seus gostos, verificaríamos que muito do que se tem feito e dito sobre elas está equivocado, pois a criança é muito mais aberta e espontânea que os adultos. Não existem radicalismos nas crianças, isto existe nos adultos, que acham que são os detentores da sabedoria e sabem sempre o que é melhor para os pequenos, só porque já viveu este período.

Se fosse assim, o mundo não seria tão violento como é hoje, e se assim está é porque os adultos pensam que sabem tudo e sabem como educar desta ou daquela maneira. E pior, defendem, muitas vezes, sua visão pedagógica como única, universal e verdadeira. Esquecem-se, esses adultos, que a criança nos ensina muito, basta olhar e ouvir as crianças.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Você tem de comer isto, faz bem para a saúde e faz você crescer...

Quantos de nós já não ouvimos e, até mesmo, falamos isso para as crianças pequenas? Come isto, come aquilo que fará você crescer.

Algumas escolas infantis cantam antes do lanche, músicas que incentivam as crianças a comerem para “ficar fortinho e crescer”.  Nossa! Veio à letra dessa música na minha cabeça agora! Quem conhece, sabe do que estou escrevendo, quem não conhece não tem problema. Vamos às reflexões...

Experimentar é a palavra que mais caracteriza esta situação. As crianças devem experimentar novos sabores sim, mas forçá-la a comer, pode trazer mais prejuízos do que benefícios. Então, o que fazer?

O primeiro cuidado que as gestantes precisam ter na gravidez é com a alimentação, os médicos recomendam uma alimentação saudável para que o feto se desenvolva adequadamente. Já neste período, a criança recebe, através da mãe, nutrientes que serão fundamentais para o seu crescimento. Bem, sinto em dizer, mas nesse período de gestação, conforme a alimentação das mães, as informações são passadas para a criança. Se elas não comem verduras e frutas, provavelmente isso não seja uma regra, as crianças quando pequenas também não se alimentarão desta forma.

Para que seu filho coma frutas e verduras, os adultos ao seu redor também tem de fazê-lo. Lembre-se: Sempre aprendemos pelo exemplo. E o casal precisa estar em sintonia nessa situação se querem que a criança coma alface, por exemplo, os dois têm de comer também. Não adianta somente um comer e o outro não, se não a criança copia aquilo que é melhor para ela. Essas divergências alimentares do casal não podem acontecer frente às crianças, se quiserem que as crianças se alimentem de forma saudável. Mas, e quando elas não gostam eu devo forçá-la? Não deve não! Chantagear e ameaçar em nada vai ajudar neste processo.

O nosso paladar vai se modificando conforme vamos crescendo, então se ela não gosta, por exemplo, de beterraba hoje, dê para ela experimentar daqui a um ano, e assim sucessivamente. Quanta coisa eu comia quando criança e agora não como mais e vice-versa. Nossos gostos vão se alterando, nossas vivências e momentos de vida são outros. Com as crianças não é diferente, experimentar em outra ocasião é sinal de inteligência por parte dos adultos. Mas lembre-se sempre: você também deve fazer o mesmo. Incentivar as crianças e fazer o contrário não é educar ensinando o que é correto. Pais e familiares, vocês são o exemplo sempre, lembrem-se disso.

Professores, vocês também devem se alimentar junto com as crianças, para que as incentive a se alimentarem. Sei que algumas vezes vocês não estão com vontade de fazer isto, mas é uma atitude importante, porque vocês também são o exemplo para os pequenos. E vocês também têm de comer o que as crianças estão comendo e não comer coisas diferentes das delas ou apenas algumas delas. Se o lanche, por exemplo, é: arroz, frango e salada, vocês terão que comer estas opções e não apenas parte delas. Incentivar a criança a se alimentar não é com músicas, mas sim, com exemplos.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sala de aula/Espaço de Referência: sua composição para o desenvolvimento integral e integrado das crianças pequenas



Alguns devem estar se perguntando: Por que ela está levantando este tema como importante?  Porque este espaço nas instituições de educação infantil é o lugar onde as crianças passam a maior parte de seu tempo. Além de ser arejado, iluminado e com aspectos de limpeza, ele também precisa ser pensado e repensado para contribuir, de fato, para o desenvolvimento das crianças.

Existe um número adequado de crianças por metro quadrado, e nem sempre isso é respeitado por algumas instituições de ensino que sobrecarregam professores e espaços físicos. Fiquem atentos a isso! Mas, principalmente, pensar o que colocar nele para propiciar, de fato, o desenvolvimento integral e integrado.

A escola Italiana da cidade de Reggio Emilia trabalha com a organização deste espaço de forma muito interessante. Aqui no Brasil, algumas instituições também utilizam esta forma. Vou-lhes explicar: são os chamados cantinhos e isto não é novidade! Porém, pensem na forma como isso deve ser organizado pelo grupo de crianças. Existem vários cantinhos: música; leitura, dos jogos; da casinha; das plantas; dos pequenos animais; das dramatizações; da sucata; da pintura, entre outros que o grupo desejar.

Mas como trabalhar na organização destes cantos, quem organiza? O professor antes de iniciar o semestre letivo ou as crianças junto com os professores?

O correto, em minha opinião, é que todos organizem juntos, no começo do semestre a sala de aula ou espaço de referência. Este espaço não tem de estar pronto para esperar as crianças chegarem. Assim como na vida, ele é um espaço a ser construído junto pelo grupo, para ter uma identidade própria das crianças. Mas o que fazer? Simples, no primeiro dia de aula conversar com as crianças sobre a sala e, se possível, até deixá-la vazia e, dia a dia, ir conversando sobre onde colocar os materiais deles e o quê. O espaço não será para o grupo? Então eles precisam participar desta organização. É a mesma coisa do texto que já postei sobre a festa de aniversário para os adultos ou para as crianças. Aqui a sala de aula ou espaço de referência é para os adultos ou para as crianças. É claro que isto não serve para os bebês, para eles sim, este espaço precisa ser pensado e montado pelos adultos. Mas para as crianças de 4 e 5 anos, elas podem e devem participar desta organização sim, sem nenhum problema. Mas para isso, a postura do professor não pode ser de autoritarismo e sim de mediador, porque não pensem que não haverá conflitos de ideias, haverá sim, mas como tudo na vida, é preciso muita conversa até se chegar a uma conclusão.

Isto é viver a democracia e seu direito de opinião, desde a mais tenra idade. Isto é participar e ser responsável pelo espaço coletivo e saber valorizar. Agora quando tudo vem pronto e determinado por alguém, isso pode acabar sendo desmotivador. Assim como temos que nos sentir bem em nossa casa, por mais humilde que ela seja, as crianças e os professores também tem de se sentir bem no local onde passam boa parte de seu dia.  

Quando fui professora de educação infantil já cheguei a pintar as paredes junto com as crianças, porque estavam sujas demais. Tudo isso, claro, com autorização dos pais. Quando o lugar é feito por todos, eles cuidam. Isto, por exemplo, é ensinar preservar o meio ambiente.

domingo, 15 de abril de 2012

Quais tipos de jogos, brinquedos e brincadeiras infantis são as melhores para serem realizadas com as crianças pequenas?

Começo este texto com uma pergunta: Qual é o significado de dar jogos e/ou brinquedos para as crianças pequenas? Quando a criança recebe um brinquedo ou um jogo, ela aprende, entre outras coisas, a ser mais generosa e mais dócil, porque na convivência, este comportamento de dar e saber receber são importantes. 
Porém, pais e professores, é necessário saber escolher estes jogos e/ou brinquedos. Ler somente a caixa do brinquedo ou jogo e verificar a idade, não é suficiente. Existem jogos e brinquedos no mercado com especificidade para a idade, mas que são extremamente violentos. E o fabricante não está interessado em discernir entre jogos e brinquedos violentos ou não, para eles o que importa é vender. Já para os familiares e para a escola, o que importa é educar.

Cuidado com falsas armadilhas que existem nas caixas de jogos e brinquedos para fazer vender. Não comprem objetos que incitam mais a violência, como brinquedos que imitam armas de fogo. Prestem atenção, também, nos jogos eletrônicos, o que parece inofensivo e próprio para aquela idade, pode não ser tão inofensivo assim.

O que é jogo e/ou brinquedo educativo para a escola, muitas vezes, não é para os pais e vice-versa. Nas escolas, brinquedos como arma de fogo não devem existir. Então, por que muitos pais assim o fazem? Isto serve não somente para as armas de fogo, pois existem jogos que possuem, “camuflados” em sua concepção, estupro, assaltos ou roubos. É uma pena que não posso citar nomes aqui e fabricantes, mas só lhes peço que olhem e reflitam muito antes de comprar um jogo para as crianças. É importante não se ater à conversa do vendedor ou somente no que está escrito nas caixas. É imprescindível analisar profundamente todos os detalhes, antes de comprar algo para os pequenos. A mesma reflexão serve para as brincadeiras que realizamos com as crianças em nosso convívio.

Educar é ensinar a ser generoso e dócil e não ser violento, pois se quisermos uma sociedade melhor para nossos filhos e netos, cada um tem de fazer a sua parte. Se não comprássemos estes tipos de jogos e brinquedos, o industrial teria de repensar na sua fabricação, mas enquanto estivermos fazendo o contrário, contribuiremos com pequenos gestos para uma sociedade violenta.      

sábado, 14 de abril de 2012

Respeito mútuo x Respeito unilateral, existe diferença? Qual é o correto na educação das crianças pequenas?


Primeiro vamos pensar o que significa a palavra respeito. No dicionário da web (http://www.dicionarioweb.com.br/respeito.html), respeito, significa: Ato ou ação de respeitar; sentimento que leva a tratar alguém ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência: respeito filial.

Vocês, neste momento, devem estar se perguntando: Se é um sentimento, o que significa então, se ele é mútuo ou unilateral?

Respeito mútuo é aquele em que o adulto vê, na criança, um ser humano que precisa de atenção e não de imposição de medos. Ambos se relacionam de forma harmônica na base do diálogo e olhando nos olhos um do outro. Vou-lhes contar um fato para entenderem isso melhor. Estava passeando no shopping, com mais duas pessoas adultas. Iríamos encontrar com mais uma pessoa que estava com uma criança, que na época do ocorrido, deveria estar com uns 4 anos. Pois bem, quando paramos para cumprimentar a mãe, a criança saiu correndo, e a mãe desesperada corria atrás, quanto mais a mãe corria, a criança corria mais ainda, até que ela deu uma bronca e a criança parou.  A mãe muito envergonhada nos pediu desculpas e não sabia o que fazer. Entramos numa loja e a criança queria ir ao banheiro, como eu estava desocupada, me ofereci para levá-la, mas tomei a seguinte atitude. Agachei, olhei nos olhos desta criança e disse assim: Eu não conheço este lugar direito, se você correr na minha frente nós duas vamos nos perder, eu preciso que você me de a mão para eu poder levá-la até o banheiro e na volta também você me dará a mão. Perguntei a ela: Você entendeu que não pode correr na minha frente? Ela respondeu que sim. Peguei na mão dela e fomos até o banheiro e voltamos.

A mãe não sabia o que falar, eu disse a ela: Eu olhei nos olhos dela e expliquei, com lógica, o porquê ela não poderia correr e ela me entendeu, só isso. Este é o exemplo do respeito mútuo. O respeito unilateral era aquele que a mãe estava fazendo no começo da história. Entenderam a diferença? Quando respeitamos a criança mutuamente, ela também nos respeita. Essa mãe lembra-se disto até hoje e quando ler este texto irá se identificar na cena, pois ela faz parte das minhas relações de amizade.

O correto é ter o respeito mútuo com as crianças e não acharmos que somos melhores do que elas, só porque somos adultos e elas crianças. Se tivermos respeito, as crianças também nos respeitarão, mas um respeito sem medo e autoritarismo, com sentimento de amor e autoridade.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Método de Alfabetização: Família e Escola em Sintonia


Não existe uma única maneira de alfabetizar e já escrevi isso em uma entrevista realizada para a OMEP (Organização Mundial de Educação Pré-Escolar), postada aqui no mês de março. Porém, como tenho seguidores que leem meus textos diariamente, não vou repetir este ponto. Assim, para os interessados que estão chegando agora, busquem estas informações no texto anterior.

A minha preocupação com a alfabetização, não é com o método em si, mas como isso deve ser visto pela instituição de ensino e pela família. No momento da escolha desta ou daquela escola para os filhos(as), faz-se necessário saber qual o aporte teórico que as guiam. E conhecer isto de perto é importante, porque as crianças levam para casa, tarefas para serem realizadas e orientadas pelos pais. Então, da mesma forma que a escola ensina, a família deve dar continuidade, se não as crianças correm o risco de não entenderem nada e terem dificuldades de aprendizagem.

Vou dar um exemplo para elucidar o que estou dizendo acima. Se a escola ensina as crianças dentro de uma Tendência Construtivista, a família não pode ensinar dentro da Tendência Tradicional, por exemplo, e vice-versa, pois as duas metodologias são contraditórias na teoria que perpassam e na metodologia de ensinar.
Imaginem a cabeça de uma criança que está aprendendo, como ficará? Na escola a criança é ensinada a ler e escrever a palavra inteira, em casa ela é ensinada a escrever soletrando as letras e famílias silábicas. É obvio que ela pode confundir tudo e, mais ainda, pode não aprender nem de um jeito e nem de outro.

Pais e professores, ensinem as crianças no período de alfabetização da mesma maneira, cabe as escolas informar aos pais de como fazê-lo, e é de responsabilidade dos pais também buscar compreender em qual teoria perpassa a escola que seu filho(a) estuda. O compromisso com a educação é de ambos. Que tal se, nas reuniões de pais, muitas vezes chatas e monótonas, fosse ensinado aos familiares o que fazer com as tarefas de casa? Aposto que as reuniões seriam mais prazerosas e interessantes, pois, na maioria das vezes, elas são extremamente cansativas e sempre da mesma forma. Fica a dica!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Formação de Professor de Educação Infantil

Depois da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº. 9394/96, os professores, para atuarem na Educação Infantil, precisam de uma formação em nível superior no curso de Pedagogia. Esta formação inicial capacitará os profissionais em 3 ou 4 anos, dependendo da carga horária do curso, quer sejam em instituições públicas e/ou particulares.

Enfrentamos atualmente, no Brasil, um problema muito sério nos cursos de graduação, não somente os de Pedagogia, mas os de licenciatura em geral, pois sobram vagas nas universidades públicas, e nas particulares é um problema enorme abrir uma turma no curso de Pedagogia, principalmente, os presenciais. Enquanto os cursos de formação a distância estão, muitas vezes, lotados.   

Minha preocupação não reside se o curso é a distância ou presencial, o problema está na qualidade de formação dos alunos, futuros profissionais que irão atuar com crianças pequenas. Não sou contra ou a favor de cursos presenciais ou a distância, não é isso. Apenas penso em como ensinar a cuidar e educar um bebê de 3 anos via Internet ou até mesmo via satélite. Isto no meu modo de entender é impossível, é mascarar uma formação. Digo mascarar, porque não podemos aprender a cuidar de um bebê se não for por meio da prática.

Já acho que os cursos de Pedagogia deveriam ser mais práticos do que teóricos, com mais estágios do que disciplinas teóricas, ainda mais em cursos a distância, como estão acontecendo aos milhares neste país. Não se deram conta ainda! Como diz o ditado popular: “não adianta tapar o sol com a peneira”, e mostrar índices de desenvolvimento econômico em plena ascensão, se a base que é a educação, não está sendo cuidada como deveria, por toda a sociedade.

As pessoas se iludem, achando que com um diploma na mão irão melhorar a condição de vida, o que realmente muda alguma coisa é o conhecimento. Sem ele não se chega a lugar algum. Do que adianta um canudo na mão, se quando a pessoa for se apresentar em uma entrevista para trabalhar em alguma instituição de ensino, não saber o que responder quando perguntada sobre a prática.

Cursos com baixa qualidade pedagógica é uma ilusão para quem faz, é se enganar, porque depois, o mercado de trabalho seleciona, e este é cruel. Uma formação de qualidade envolve interesse, motivação em querer aprender e se atualizar. Vivemos um período na humanidade que parece que tudo tem de ser instantâneo e descartável. A EDUCAÇÃO não pode se tornar um fest food! Conhecimento se adquire para toda a vida, diferente de informação. E este equívoco vem acontecendo por parte de uma geração que não entende a diferença entre conhecimento e informação. Todos os dias somos confrontados com milhares de informações captadas pelos nossos sentidos, mas isso não significa que aprendemos tudo o que adquirimos de informação, pelo contrário, só transformamos em conhecimento se for significante para nós.

Os significados se constroem a partir da relação com o mundo, com as pessoas, com a teoria e com a prática. Os cursos de formação de professores precisam ter significados reais para quem estuda, para atender a uma necessidade de uma geração de crianças que estão conectadas e interligadas com o mundo. As metodologias e o currículo, nos cursos de Formação de Professores, precisam de revisão para atender a uma sociedade real.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ridículo... Ridículo... Ridículo...

Morro das Pedras - Florianópolis - SC - Brasil
Estava sentada em um lugar maravilhoso, aqui em Florianópolis, olhando para o mar, quando presenciei uma cena que merece ser contada, para que todos possam refletir sobre a falta de consideração para com as crianças.

Era um pai e um menino de 6 anos. O pai disse assim: Felipe (nome fictício) você conhece a Prima Vera? Ele respondeu: Não, ela é prima de quem? Da mamãe ou do senhor. O homem em gargalhadas disse, olhando para mim: Você não conhece a Prima Vera? O menino respondeu: Não, não conheço. O pai “tira sarro” mais uma vez: Você não aprendeu na escola quem é a primavera? O menino todo envergonhado olhou para mim, e respondeu ao pai: Não aprendi. Ele pergunta olhando para mim: Quem é a primavera pai? E o pai mais uma vez gargalhando respondeu: É a estação das flores. O menino, muito envergonhado, disse: Essa eu aprendi. E o pai responde: Até que enfim você entendeu a piada! E o menino indaga: Que piada? O pai responde: Deixa isso para lá!

Eu fiquei somente observando a cena e já pensando em escrevê-la para vocês. O pai precisava se fazer de bonito, ridicularizando este menino na minha frente e na frente de outras pessoas? O que ele ganhou com isso? Pior, ainda, deixou o menino todo sem graça. Esta atitude é a de quem quer educar seu filho ou causar maior constrangimento ainda, para a criança?

Não entendo como um pai pode fazer isso! Talvez tenham feito isso com ele quando criança, mas esta atitude não constrói ninguém, pelo contrário, isso pode levar a maior timidez ainda nesta criança quando adulta. Estes comportamentos precisam ser revistos, a maneira como educar as crianças precisam ser pensadas e estas atitudes precisam ser banidas, para que as crianças cresçam fortes e seguras, e não tímidas e ridicularizadas pelo próprio pai.

Cuidado com as palavras e com os comportamentos inadequados com um ser em formação!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Possíveis causas de a criança urinar na cama durante a noite

Quem já não viu ou conhece alguma criança que urina ou, no popular, faz xixi durante a noite? Isto é mais comum do que se imagina. Mas o que pode causar isso nas crianças pequenas? Alguns fatores como medo, insegurança ou mesmo tomar muito líquido antes de dormir podem ser uma das possíveis causas deste fator.
Familiares, tomem cuidado com o que dizem, o que cantam ou mesmo contam de histórias antes de dormir, pois muitas músicas e histórias, às vezes inofensivas, podem causar medo na criança e esta apresentar o quadro de urinar na cama enquanto dormem, por conta do comportamento, muitas vezes inadequado, dos adultos.

Se a criança ingerir muito líquido antes de dormir, com certeza ela irá urinar, se nós adultos  nos levantamos para ir ao banheiro é porque já aprendemos isto, mas as crianças não, e nem poderiam, porque estão aprendendo os hábitos ainda de comportamento infantil.

Agora, uma situação que deve ser evitada pelos familiares e já presenciei isto várias vezes em minha própria família é a questão de a mãe sair contando para todo mundo que a criança faz xixi à noite. Isto pode ser motivo até de gozação dentro da família. Se vocês acham que esta atitude irá ajudar a criança a parar de ter este comportamento, estão muito enganados. Pelo contrário, isso reforçará mais ainda, e pior, poderá causar um constrangimento tão grande que a criança se lembrará disso pelo resto da vida, podendo causar até distúrbios renais quando adultas.

Às vezes fico me perguntando: se a família diz amar tanto sua criança, por que ela mesma propicia tantos estigmas nas próprias crianças? Talvez por ignorância, por falta de estima etc. Não cheguei a uma conclusão exata ainda, só sei que a família é a base formadora das neuroses das crianças. Muitos problemas psicológicos na fase adulta poderiam ser evitados se a família realmente soubesse cuidar e educar seus(uas)  filhos(as). Mas não digo cuidar e educar na força, na brutalidade, no castigo, na violência física e ou simbólica. Digo educar e cuidar com carinho, respeito ao ser humano em formação, que merece ser ensinado e não adestrado.

Não beber muito líquido à noite, cuidar para que as crianças não sintam medo, não ridicularizar esta situação, muitas vezes constrangedora, pode contribuir muito para que este problema seja amenizado e até se extinguir.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Perguntas Exigentes e Pais Despreparados

As crianças, hoje, fazem alguns questionamentos aos adultos, que muitos não sabem o que falar. São perguntas de sexo, de morte, entre outras, e os pais por não saberem o que falar ou por vergonha, muitas vezes, acabam passando por situações embaraçosas para eles mesmos.

Por que as crianças perguntam tanto sobre assuntos que parecem tão simples, mas que os adultos sentem-se despreparados para falar?

As crianças de hoje vivem em um mundo tecnológico, nos quais as informações sobre qualquer assunto estão disponíveis nos mais diversos meios de comunicação, e elas são curiosas. Os adultos também já foram crianças e também vivenciaram esta situação, porém, alguns anos atrás éramos tão proibidos de perguntar, que um simples olhar de nossos pais, mais ou menos torto, abaixamos a cabeça e não tínhamos coragem de enfrentar esta situação por simples medo. E o que isto tem de educativo? Nada! Tínhamos medo e para não apanhar, escondíamos nossos pensamentos, sentimentos e curiosidades.

Ah... Mas que bom que a criança de hoje não tem esses receios e medos que tínhamos e elas perguntam tudo para os pais e também aos professores. O único problema que vejo nisso tudo, diz respeito aos adultos que, muitas vezes, não saciam as curiosidades de forma correta.  Mas o que vem a ser correto nos dias atuais?

Não podemos encarar estas perguntas como falta de respeito ou até mesmo ignorá-las. Temos de responder sempre a verdade, não inventar nada, mas também, saber falar. Tarefa fácil? Poderia até ser, se os pais e professores não tivessem tantos tabus e medos do que falar e como falar. O que sugiro então... Que vocês vençam isso, conversando com as crianças de maneira equilibrada e correta. Por que digo isto? Porque se ela perceber que você está mentindo em alguma situação você perderá o respeito.

E não pensem que as crianças, muitas vezes, já sabem a reposta do que perguntam, mas assim o fazem para testar os adultos. Achar que as crianças de hoje são ingênuas é um erro, elas possuem muita informação.

domingo, 8 de abril de 2012

Quem educa: pais ou professores?

A palavra educar no dicionário da web (http://www.dicionarioinformal.com.br/educar/) significa: 1 - dar (a alguém) todos os cuidados necessários ao pleno desenvolvimento da sua personalidade; 2 - ministrar educação a; 3 - desenvolver as faculdades de; instruir; 4 - adestrar; exercitar; 5 - robustecer (o organismo) por meio de exercícios físicos; 6 - aclimatar; domesticar; 7 - receber educação; instruir-se; cultivar-se; aperfeiçoar-se; e 8 - procurar atingir um alto grau de desenvolvimento espiritual. Bem, concordo com todos os significados explicitados acima, menos com o termo adestrar, aliás, sou bem contrária a uma educação que adestra, mas sim, a uma educação que liberta, que torna livre a criança para que ela adquira conhecimentos e que não aliene.

Mas voltando a pergunta do título, de quem é a responsabilidade de educar?

Na minha visão, quem educa são os pais e quem ensina são os professores, uma complementando a outra, no sentido de uma formação integral e integrada das crianças. Quando digo educar me refiro a comportamentos sociais de convivência como: com licença; por favor; obrigado. Estes comportamentos são adquiridos na família. A escola ensina conteúdos e prepara, os alunos, para a vida profissional e cultural.

Quem ensina respeito é a família. Está acontecendo um movimento de respeito ao professor na sociedade pelas redes sociais, fiquei pensando: qual seria a necessidade disso se tivéssemos famílias que educassem seus filhos(as) para que tenham respeito aos professores e a todas as outras pessoas?

Respeito só se adquire se tivermos exemplos disso em casa. Vivemos em sociedade e não isoladas numa ilha deserta. Precisamos aprender a conviver. Estão acontecendo alguns equívocos, que a meu ver são em relação a maneira de agir das pessoas em sociedade. Uma delas é a confusão entre ser crítico e mal educado. Ser crítico não é ser mal educado, e sim, saber argumentar com lógica. Todos acham que podem falar o que querem, porque está sendo crítico, até podem, pois vivemos numa democracia, com liberdade de expressão, mas isto não é ser crítico. Saber falar, ouvir e respeitar o outro se aprende em casa. A escola só complementa e ensina conteúdos.

As famílias hoje educam seus filhos(as) para serem pessoas críticas no sentido real desta palavra ou para serem mal educadas? E as escolas ensinam conteúdos significativos para a vida das crianças ou apenas adestram as crianças?

Em minha opinião, família e escola, ambos, precisam repensar a maneira de pensar, sentir e agir na EDUCAÇÃO das crianças.










sábado, 7 de abril de 2012

Avaliação na Educação Infantil

Começo este texto questionando o que seja avaliar. Avaliar no dicionário da web (http://www.dicio.com.br/avaliar/) é: determinar o valor, o preço, a importância de alguma coisa: avaliar um quadro. Reconhecer a grandeza, a intensidade, a força de: não avaliava a aflição que a compungia. Fixar aproximadamente: avaliar uma distância. Imaginar: não podes avaliar quanto padeceu a jovem.

Se as crianças pequenas estão em pleno desenvolvimento bio-psiquico-social como determinar um valor neste processo, isso é ilógico. Em termos de legislação a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, declara no “Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.”

 Algumas instituições de educação infantil, principalmente, as particulares fazem testes nas crianças pequenas para saberem se estão aptas a frequentar um grupo ou outro, mas isso é totalmente descabível na minha opinião, é exigir de crianças que estão em pleno desenvolvimento um comportamento, muitas vezes, além de suas vivências. E mais ainda, contrário ao que está na lei.

Preciso alertá-los também sobre testes para crianças pequenas para verificar o seu desenvolvimento infantil, aliás, está virando moda aqui no Brasil isto, é uma escala que não condiz com a realidade das crianças brasileiras, porque foram feitas pesquisas em outros países, outras culturas e não na nossa.
Como brasileiro tem mania de valorizar mais o que vem de fora, não percebe, por exemplo, que não podemos comparar o desenvolvimento de uma criança americana, uma criança francesa ou de qualquer outro país com uma brasileira, pois o clima, a sociedade, os usos, os costumes e hábitos são diferentes, enfim cultura diferente. 

Nem mesmo aqui dentro do país com toda nossa diversidade cultural uma criança jamais pode ser comparada com outra. Um criança do Sul do país tem suas origens, seu modo de falar, vestir, comer diferente de uma criança do Nordeste, por exemplo que tem hábitos e costumes diferentes do sulista. O clima, a economia, o social são diferentes então não passíveis de avaliação iguais, mas temos uma herança em educação histórica de querer nivelar todas as crianças de colocá-las em caixinhas como se fossem classificá-las em melhores, medianas, regular e ruins. Quando escrevia isso até me senti mal, como podemos achar que uma criança pode ser comparada com outra, se nasceram em famílias diferentes, que cada uma tem sua própria história de vida.  Cada criança é única, integral e integrada, com seus valores e costumes próprios, com suas dificuldades e facilidades de aprendizagem, mas isto não pode fazê-la melhor ou pior do que ninguém, ela simplesmente é e está neste mundo diversificado.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Tempo para os filhos(as) quando pequenos

Hoje o mundo está cada vez mais veloz, interligado e conectado com todo o planeta. Vivemos na agitação e na correria do dia a dia para buscarmos nossa sobrevivência pessoal e da família. Nosso tempo parece mais curto para realizarmos tantas tarefas, principalmente, as mulheres que desempenham várias funções, como: mãe, esposa, dona de casa, mulher, filha, trabalhadora. Os pais também têm suas atribulações no cotidiano, isso é a vida.

Mas fico questionando: Nesse mundo atual como ficam estabelecidas as relações familiares, como está à qualidade neste tempo despendido aos pequenos?

Outro dia fui questionada por uma mãe que queria ajudar sua filha na alfabetização, já que a criança estava com dificuldades na leitura e na escrita. Expliquei tudo o que deveria ser feito com toda dedicação do mundo, dei exemplos de atividades, enfim, fiquei quase duas horas conversando com esta pessoa. Percebi que ela havia compreendido tudo o que deveria ser feito pela família para ajudar no desenvolvimento da linguagem oral e escrita da criança. Fiquei feliz na hora, porque são pessoas da minha estima e achei que logo o problema seria sanado. Passaram-se umas duas semanas e, então, questionei a mãe se estava fazendo tudo o que eu havia ensinado. Para minha surpresa e decepção, a reposta foi: Não tenho tempo para fazer tudo o que você falou. Para o meu desespero, perguntei: Como não tem tempo? É importante para ajudar esta criança na escola! E a mãe disse: Você sabe que minha vida é corrida, que tenho de fazer tudo em casa e ainda tenho de trabalhar e não tenho paciência e nem tempo para ficar ensinando as lições que vem da escola.

Juro, minha vontade era de chamar a atenção da mãe, mas fiquei quieta e questionando: Esta pessoa não sabe o que está fazendo! É mais importante uma série de tarefas do que a educação de sua filha? Não que ela não goste da criança, pelo contrário. Mas não percebe que sua atitude está errada e pode prejudicar o desenvolvimento desta criança para sempre. Ela não tem consciência de seus atos e seus valores de ter são maiores do que ser.

Em minha opinião é muito mais importante o tempo e a paciência que esta mãe se dedica a educação desta criança do que lavar, passar, cozinhar e trabalhar. Não que isto não precise ser feito, mas há uma inversão de valores. Depois, quando a criança se tornar adulta poderá ser tarde demais para reverter um quadro de perdas que ocorreram no desenvolvimento infantil.

Participar da vida da criança é cuidar, olhar nos olhos, viajar, fazer piquenique, sorrir, brincar, abraçar, trocar ideias, acariciar, participar de sua vida intensamente. Tenha tempo para seu filho(a) hoje, para que ele também tenha tempo para você, quando você ficar velho(a). Se a convivência quando criança não for satisfatória, não podemos exigir que os filhos(as) tenham este comportamento quando adultos(as). Pensem, isto é muito sério!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Eu posso tudo, e você ainda não pode porque é criança!

Ouço, de vez em quando, os adultos dizerem a frase acima para as crianças, e precisamos refletir sobre isto. Sei que os pais querem sempre o melhor para seus filhos, mas esquecem de ensinar o que é este melhor. Alguns equívocos são cometidos por não saberem o que fazer. Por exemplo: pais que não comem verduras e frutas na frente das crianças, mas exigem que elas comam. Isto não está certo!

A aprendizagem pelo exemplo é a melhor forma de ensinar alguém, ainda mais quando estão em pleno desenvolvimento integral e integrado. Vamos a outro exemplo: adultos tomam bebida alcoólica na frente da criança e exigem que elas bebam suco. Esta atitude é contraditória e isso não educa ninguém, porque a criança percebe que isso é falso e, pior ainda, aprende desde cedo a ter atitudes que, muitas vezes, vocês próprios condenam. Longe deles, você pode ficar à vontade e tomar uma bebida alcoólica, se assim desejar. Isto também serve para o fumo, para outros vícios que você adulto tenha e que não quer que seu filho(a) venha a ter no futuro, porque você pode, na maioria das vezes, não ser feliz assim.

Mas então, o que fazer?

Simples! Tenha atitudes diante de seu filho(a) que sejam saudáveis e tudo o que você quer que ele faça, você também tem de fazer igual na frente dele. Mas e em festas, o que eu faço? Tenha sempre a mesma atitude em todos os lugares na frente das crianças, se elas forem tomar suco você também toma, se quiserem que elas se alimentem corretamente, seja você o exemplo.

Se quiser que seu filho(a) seja estudioso, leia na frente deles, mesmo que sejam jornais e revistas. O gosto pela leitura também deve vir do exemplo. Outro fato importante: se você não estudou e não gosta de estudar, nunca verbalize isso para as crianças, se quiserem que elas estudem. Não utilize o velho ditado “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, faça exatamente o contrário, incentive-as para que elas tenham atitudes que você considera saudável.

Não exija deles o que nem você pode cumprir, pois isto é ensinar a falsidade e a hipocrisia. E não obrigue as crianças a terem atitudes saudáveis se vocês não às têm. Educar é dar exemplo, é ser coerente e ter consciência do que se quer para o filho(a).

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Qual é a Diferença entre Escutar e Ouvir? Qual é o mais Importante?

Já escrevi em outro texto sobre o olhar sensível para com as crianças. Neste vamos refletir sobre o ouvir sensível. Deve estar passando pela cabeça de vocês, mas existe diferença entre escutar e ouvir. Caro leitor, existe sim e vamos às reflexões...

Durante um dia escutamos músicas, ruídos, falas, conversas, enfim, uma infinidade de sons, e mesmo escutando todos estes sons não registramos, de fato, algo importante, porque nossa mente, muitas vezes, está em outro lugar.

Já ouvir é prestar atenção no que está sendo dito, é observar, dar importância, perceber, parar para analisar. O que vocês estão fazendo agora, lendo este texto, é ouvindo o que tenho para falar.

Qual a importância de saber a diferença entre escutar e ouvir na educação dos pequenos?

A partir da análise das diferenças, precisamos não escutar as crianças, mas ouvir o que ela tem para nos mostrar. Quando ouvimos realmente, compreendemos o que se passa com ela, seus interesses, medos, angústias e felicidades. E a margem de erro na educação dos pequenos quando ouvimos o que eles têm a nos dizer é muito pequena, já quando escutamos, repetimos o erro, porque não prestamos atenção ao comportamento infantil e nem em nossas atitudes para com elas.

Ouvir é dar sentido ao que se ouve, porque se ouve e como agir diante do que a criança quer nos dizer. O ouvir sensível também precisa ser aprendido, porque no dia a dia, ouvir exige tempo, paciência, carinho e atenção. Ouvir sensível é uma habilidade necessária no mundo atual.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Qualidade de Ensino: o que Significa isto na Prática

Falamos tanto, em nossa sociedade, sobre qualidade de ensino como garantia de uma sociedade melhor. Quase todos os políticos em suas campanhas eleitorais fazem suas plataformas dizendo que irão realizar propostas para a melhoria da qualidade de ensino, em especial, o público. Fica aqui um questionamento: O que significa de fato a palavra qualidade de ensino ou de educação para um país? Quem são os responsáveis pela melhoria da qualidade de ensino?
Qualidade é um conceito subjetivo, por isso não tem uma definição clara e objetiva, o que é qualidade para uns, para outros não é, e vice-versa. Então, por que se fala tanto em uma única qualidade de ensino num país com tanta diversidade e riqueza cultural? No meu conceito, a qualidade deve ser pensada pela instituição de ensino e pelos integrantes que nela estejam inseridos. Lembro-me que quando era professora de ensino fundamental, a escola havia acabado de ganhar um vídeo e uma TV novinha de um empresário, como forma de doação, estávamos superfelizes e, no mesmo mês que isto aconteceu, chegou verba federal para comprarmos TV e Vídeo, estes equipamentos não eram mais necessários, pois precisávamos de outros, mas tivemos que comprar exatamente aquilo que previa a verba. Por que relatei este fato? Porque o que uma instituição precisa para ter qualidade dentro do seu contexto social, não é o mesmo que para outra. Precisamos rever este conceito de qualidade para todos os brasileiros, no sentido de respeitar a cultura daquela instituição, daquela cidade, daquele Estado.
O que para uma cidade e Estado parece ser de extrema relevância, para outro não é, e assim sucessivamente, mas o que temos de ter em mente é que não dá para não pensar mais em qualidade de ensino, se não levarmos em consideração as tecnologias. Porque estas adentraram o cotidiano infantil, desde bem pequenas, as crianças de hoje já nascem tecnológicas, elas convivem com a tecnologia no seu dia a dia, e aprendem com muita facilidade a mexer nestes equipamentos, até mais rápido que muitos de nós adultos.
A responsabilidade de uma qualidade de ensino não pode estar vinculada somente a figura do professor que é o responsável direto pelo processo de ensino e aprendizagem. Esta é de responsabilidade de todos, governo, sociedade civil, pais, professores, crianças. 
Um país só se sustenta economicamente se tivermos uma educação de qualidade, não somente para aqueles que podem pagar, mas para todos. Uma reforma na educação brasileira precisa ser pensada e repensada. Fico me questionando: Por que uma grande maioria de pessoas fica esperando que façam a mudança por parte dos governantes? Por que esta mudança não começa de cima para baixo, num debate dentro da própria instituição de ensino junto com todos os envolvidos? Mas isso dá trabalho. E muitos preferem que os outros pensem por ele, isso se chama ficar na zona de conforto. Mas quem sabe o que precisa ser mudado e como tem que ser mudado são as instituições e, posteriormente, o Governo Federal.
Em países desenvolvidos, a própria comunidade gerencia a sua instituição, cuida para que não seja depredada, mas vocês devem estar se questionando, mas é outra cultura! Sim, concordo, é outra cultura, mas porque nós brasileiros não valorizamos o que é nosso! Vejo cada escola deteriorada, quebrada com grades que parecem mais uma prisão do que um lugar que deveria promover a liberdade de expressão e de conhecimento. Ou paramos para rever os nossos conceitos sobre educação, ou estamos fadados à falência do ensino neste país.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Planejamento com Datas Comemorativas na Educação Infantil

Na Educação Infantil, algumas creches e pré-escolas ainda se baseiam em datas comemorativas para elaborar o planejamento de aula. Não que isto esteja errado, pois não existe certo e errado em se tratando de educação, o que existe são concepções de criança, infância e mundo diversificadas.

Vocês devem estar questionando se não existe certo e nem errado em termos de concepções de se trabalhar com crianças pequenas, qual é o propósito deste texto? O propósito é repensar como estas datas comemorativas invadem o universo educacional e qual é o sentido de se trabalhar a data comemorativa. Vejo alguns equívocos acontecerem que precisam ser repensados.

Muitas vezes estas comemorações são tão superficiais e fora de propósito, ou seja, sem significado algum para as crianças e para o seu aprendizado. São aprendizagens irreais, na qual o verdadeiro sentido da data deixa de existir. Dependendo de como se comemora alguma data em específico, pode até ser pejorativa e discriminatória.
 
 Já presenciei algumas cenas com relação à data de Comemoração do Dia dos Índios que não condiziam com a realidade desta cultura, que deve ser respeitada, pois são seres humanos. A Educação Infantil, muitas vezes, não comemora o significado real da diversidade das culturas, e isto se deve ao fato de que nem os profissionais da educação conhecem de fato o que estão fazendo, simplesmente reproduzem, sem sentido, aquilo que também fizeram na época de infância.


Mas isto precisa ser refletido de maneira a educar, cuidar ensinando de maneira significativa, dentro da realidade e com apropriações que fazem sentido para a vida das crianças. Vou voltar ao exemplo da data de Comemoração do Dia dos Índios, somente para que todos reflitam, embora poderia ser qualquer outro exemplo, mas confesso que esta data, algumas vezes, deixa-me indignada. O cocar de penas, as pinturas usadas nos corpos do povo indígena possuem um significado específico para aquela cultura, diferente para outras, e vejo nas escolas, professoras pintando, de guache ou tinta de pintura de rosto, sinais sem saber o que estão fazendo de fato. Crianças saem, ao final do dia, com cocares de cartolinas, mesmo se usarem penas, não vem ao acaso o material usado, mas sim, a forma como isto vem sendo colocado em algumas instituições. Aí você pergunta para a criança? O que é ser índio no Brasil? Onde eles vivem? Qual significado tem esta cultura? Muitas vezes esses valores, que a meu ver são importantes, acabam deixados de lado, talvez por falta de conhecimento do próprio professor.

Não que eles estejam errados. Não é isso! Mas não pararam para refletir sua prática pedagógica de maneira a construir significados para a aprendizagem infantil. Criar significados é dar sentido ao que se aprende, como se aprende, porque se aprende. Existe a necessidade de estarmos “localizados” em relação ao mundo a nossa volta. Além de nos mover nele, precisamos saber como nos comportar para dominá-lo física ou intelectualmente, identificar e resolver os problemas que se apresentam: é por isso que criamos as significações. Frente a esse mundo de objetos, pessoas, acontecimentos ou ideias, não somos (apenas) automatismos, nem estamos isolados num vazio social, partilhamos esse mundo com os outros, que nos servem de apoio, às vezes de forma convergente, outras pelo conflito, para compreendê-lo, administrá-lo ou enfrentá-lo. Estes são guiados quanto ao modo de nomear e definir conjuntamente os diferentes aspectos da realidade diária. Quanto à forma de interpretar esses aspectos, tomar decisões e, eventualmente, posicionar-se frente a eles de forma defensiva. Portanto, as significações sociais, na medida em que são visões de construções de imagens intelectuais de uma determinada época, são estabelecidas para que os indivíduos possam relacionar-se e sentir-se mais seguros.

Neste sentido gestores, professores e pais repensem os significados que dão para as datas comemorativas na Educação Infantil.