sábado, 26 de novembro de 2016

Finalizando o Ano de 2016!


Este ano foi difícil em alguns sentidos, mas importante para o meu crescimento profissional. Em julho fui conhecer a Escola Sustentável no Uruguai e em setembro lancei o livro: Educação Infantil para a Sustentabilidade - Atualidades - Desafios - Avanços.

Além do livro montei junto com a Arquiteta Mara Paiva Garzeri Freire um projeto de escola sustentável para o Brasil. Em 2017 esperamos conseguir investidores para construir esta escola.

Só tenho que agradecer tudo que aconteceu, pois cresci muito.

Muito obrigada a todos pelo carinho e leitura em meu blog.

Feliz 2017 com muita paz, amor, saúde e dinheiro para todos nós!

Todo o meu amor por vocês leitores.

Beijos!


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Educação: as crianças precisam ter atitudes sustentáveis em casa

Mais um  artigopublicado hoje no site do programa Papo de mãe, confiram no link abaixo. Obrigada Mariana Kotscho e Roberta Manreza, apresentadoras do Programa.

http://www.papodemae.com.br/2016/11/08/educar-as-criancas-para-terem-atitudes-sustentaveis-em-casa/

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Escola sustentável: espaços coloridos, vivos e cheios de alegria!

Uma escola sustentável com educação infantil precisa ser cheia de vida. Além de plantas, animais e pessoas, as cores precisam estar presentes na escola. As crianças denotam vida em pleno desenvolvimento e merecem que as cores estejam fazendo parte deste ambiente escolar. Normalmente, quando vamos às escolas, vemos poucas cores em suas paredes e mobiliário.   Quando visitei algumas escolas em Portugal em 2015 vi que lá as cores fazem parte do ambiente escolar. Os banheiros são laranja, vermelho entre outras cores. A biblioteca está cheia de vida com cores fortes, isto me chamou a atenção. Quando perguntei para a coordenadora do Agrupamento Eça de Queiroz sobre as cores, ela me respondeu que elas são vida, que todos os ambientes da cidade possuem cores e as escolas fazem parte da cidade. Achei maravilhoso!

Realmente, observando algumas escolas aqui no Brasil, percebo que muitas são brancas com azul, no máximo verde-claro. Sou realmente a favor da Pedagogia das Cores dentro dos espaços da escola, que nos transmitem vida.

Pensem em um dia nublado. Se colocarmos roupas escuras também ficaremos com a sensação de escuridão. Mas, se colocarmos roupas amarelas e laranjas, isto significa que estamos iluminados num dia escuro. As cores nos provocam sensações. É claro que em ambientes de estudos precisamos tomar cuidado e saber o que está sendo feito. Não podemos colocar cores que provocam excitação num ambiente de sono, e nem uma cor apática em um espaço que precisa de energia. Tudo precisa ser pensado e estudado para que as cores favoreçam a aprendizagem e que não atrapalhem as crianças. Mais cor, mais vida, mais alegria. Instituição de ensino deve ser um espaço de felicidade, pois é um lugar de ensinamento para a vida.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Construção sustentável de uma escola

Em uma escola sustentável, a construção é fator primordial para a sua instalação. De nada adianta falarmos de preservação da natureza em uma construção que não siga tal padrão. A construção sustentável utiliza técnicas de construção menos impactantes, autossuficientes e conectadas com o ambiente natural.

A preocupação ecológica está presente desde a concepção até a sua ocupação. Os materiais utilizados neste tipo de construção não agridem o meio ambiente, pelo contrário, reciclam materiais, aproveitam resíduos e minimizam o impacto. O tratamento e reaproveitamento de resíduos e água de chuva e o uso de fontes de energia renováveis são exemplos da preocupação na concepção e utilização desta escola. O grande objetivo é que a construção seja menos tóxica e invasiva para a comunidade local.


Ensinar com o exemplo e responsabilidade ambiental começam pela construção e vai além do projeto pedagógico desenvolvido com os alunos dentro do período letivo. Construção sustentável, permacultura, pomar e compostagem são alguns itens que comporão uma educação infantil para a sustentabilidade do planeta, para a geração atual e para as futuras gerações que aqui viverão.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Inteligência sustentável: conceito e habilidades

Ao redor de todo o mundo, educadores, pesquisadores e cientistas discutem e abordam o tema da sustentabilidade como uma necessidade de tomada de consciência da sociedade, afirmando que atitudes precisam fazer parte ─ cada vez mais ─ da gestão de ambientes corporativos, políticos e educacionais.

No entanto, embora diversas iniciativas louváveis façam parte do cenário deste nosso milênio, muito ainda precisa ser feito, ensinado e conscientizado diante da ameaça de escassez dos recursos naturais e da contaminação dos mesmos pelo ser humano. Trata-se de discutir e de tentar viabilizar, na prática, a sustentabilidade, a partir de um conceito maior e mais abrangente, que abarque toda a sociedade e que não se restrinja a ações que se justifiquem pelo modismo midiático.

Na verdade, o tema da Sustentabilidade surge como um novo paradigma das sociedades modernas nos anos 80, trazendo a crescente preocupação com o meio ambiente e com a qualidade de vida no planeta. E embora toda a discussão seja necessária em sua amplitude social, como é possível se pensar no futuro do planeta de forma sustentável se o sistema educacional não estiver totalmente imbuído dessa ideia enquanto viabilidade real e prática?

Quando me refiro a uma escola sustentável com bio-construção, ou seja, uma escola onde a energia solar seja transformada em energia elétrica, onde haja o reaproveitamento de água de chuva, compostagem e agricultura orgânica, onde a coleta e reciclagem de materiais descartáveis, assim como a aprendizagem sobre os recursos necessários para a fabricação de embalagens e a produção dos mesmos seja alvo de conhecimento prático, é porque acredito em uma escola que verdadeiramente viva a sustentabilidade de maneira integral e não parcialmente como é possível se verificar em diversos Projetos Educacionais desenvolvidos por algumas escolas.

Penso em uma escola cujo Projeto Político Pedagógico seja voltado para a sustentabilidade, que aplique uma metodologia de aprendizagem que prime pela experiência significativa, algo que possa ir além de preparar um jovem para exames de vestibular, ou apenas para a sua qualificação para o mercado de trabalho.

É preciso se pensar em um ser humano integral no qual mente, corpo, afetividade e consciência social sejam desenvolvidos o tempo todo. Trata-se de uma inovação que deverá produzir resultados diante de um novo estilo de viver. Por isso, há que se pensar de maneira mais ampla sobre o conceito “Inteligência”, refletindo um pouco sobre o que queremos desenvolver na criança e no jovem que passa boa parte do dia na escola.

 A palavra ou termo inteligência deriva do latim intelligentĭa, que, por sua vez, deriva de inteligere. Ela é uma palavra composta de outros dois termos: intus (“entre”) e legere (“escolher”). Neste sentido, a origem etimológica do conceito de inteligência se refere a quem sabe escolher. Ou seja, quem melhor se adapta ao meio psicológico, ambiental e social em que vive, sabendo fazer escolhas certas para solucionar questões e manter a sobrevivência. Uma pessoa inteligente é capaz de entender, assimilar, elaborar informação e conhecimento, sabendo usá-los de forma adequada. A inteligência não é uma capacidade inata; nascemos com todo o aparato neurológico, mas não nascemos inteligentes: é algo que precisa ser desenvolvido.

Nascemos com todo o potencial para desenvolvermos nossa inteligência e nos adaptarmos, cada vez mais e melhor, ao ambiente onde somos inseridos; no entanto, se não formos estimulados de maneira correta por meio de alimentação, hábitos, habilidades e atitudes, poderemos ter prejuízos em nossa formação e em nosso desenvolvimento.

Sustentabilidade traz o conceito cuja origem vem do latim, “sustentare” que significa sustentar, apoiar e conservar, ou seja, este conceito está relacionado a uma mentalidade, estratégia ou atitude ecologicamente correta, viável no âmbito social e justo diante da diversidade cultural que existe em nosso planeta.

Com a junção dos dois conceitos ─ inteligência e sustentabilidade ─ é possível se pensar que a real necessidade educacional, para o terceiro milênio é a Inteligência Sustentável. Assim, ter Inteligência para escolher e fazer uso de Sustentabilidade como uma estratégia de sobrevivência com qualidade de vida, com uma mentalidade ecologicamente correta, fazendo uso de seu pensar, sentir e agir de forma a promover o bem estar para si, para os outros e para os recursos naturais. É possibilitar que a criança e o jovem possam viver e conviver em equilíbrio emocional, ecológico e social, cujas atitudes sejam voltadas para o seu bem-estar e para o das futuras gerações, respeitando os recursos naturais, a vida e a sociedade com ética.  

Trata-se de uma habilidade que precisa ser desenvolvida para mantermos a nossa sobrevivência e a das futuras gerações. Mas como desenvolver este conceito de inteligência sustentável?  Promovendo estímulos e atitudes para que os alunos, desde pequenos, aprendam conceitos de reutilizar, de reciclar e de reduzir resíduos no dia a dia. Como educadores, só conseguiremos desenvolver esses conceitos de forma real e prática, em uma escola que seja preparada para isto, desde a sua construção física até o Projeto Pedagógico envolvendo o currículo, a metodologia e a avaliação, todos estes focados no aprendizado por meio da experiência.

Uma escola de educação infantil direcionada para a sustentabilidade deve promover atividades de reflexão pela experiência; por exemplo, em vez de educar para reaproveitamento de água de chuva de forma teórica, as crianças terão em sua instituição o recolhimento da água da chuva por meio de cisternas. Elas poderão observar, nos telhados, que existem placas que captam a energia solar transformando-a em energia elétrica; compreenderão a importância e o significado de se economizar água e luz em prol de si e da comunidade local, tudo de forma real, pela experiência.

Nesta escola as crianças poderão plantar e cuidar de pequenos animais, aprendendo que todos os seres vivos ─ além de nós mesmos ─ todos precisam de água para viver. Trata-se de um aprendizado que vem pelo fazer prático, mexendo, manipulando, percebendo... e não apenas pelos registros impressos de livros, desenhos, figuras... Quando vivenciamos algo não nos esquecemos jamais, pois vivemos o fato, de fato!

Uma Pedagogia Sustentável pratica antes de teorizar; oferece e proporciona vivências e depois educa trazendo os conceitos teóricos. É o contrário do que estamos acostumados a verificar nas pedagogias tradicionais.

Para que a Inteligência Sustentável possa fazer parte integral da metodologia e da aprendizagem de uma escola, é necessário que essa escola abrace a ideia de que somente um ser humano integral e integrado poderá agir em prol do bem estar da sociedade. Somente indivíduos que aprenderam pela experiência e que foram respeitados em sua integridade física, emocional, social e planetária é que poderão atuar de maneira criativa e eficaz sobre a grande ameaça que paira sobre a nossa civilização: a escassez dos recursos naturais.

Já passou da hora de agirmos, como educadores, na formação de crianças e jovens por meio do despertar da Inteligência Sustentável! É preciso que saibamos contribuir com uma educação que seja capaz de compreender e gerenciar o ecossistema, de produzir e adquirir os bens de consumo de forma consciente e responsável, de enxergar e se integrar com as diferenças e diversidades de maneira ética, humana e com amor!



quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Programa Papo de Mãe - Llivro Educação Infantil para a Sustentabilidade

Hoje a reportagem sobre o livro Educação Infantil para a Sustentabilidade está no site do Programa Papo de Mãe, apresentados por Mariana Kotscho e Roberta Manreza.

http://www.papodemae.com.br/2016/10/05/17224/

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Movimento Escolas Sustentáveis para o Brasil.


Para que as novas gerações possam usufruir desta imagem por muitos e muitos anos, precisamos pensar melhor o que estamos fazendo com o nosso planeta. Precisamos educar e cuidar da nova geração para que elas possam ter uma educação voltada para o meio ambiente, para a economia e a sociedade sustentável.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

MOVIMENTO ESCOLAS SUSTENTÁVEIS

Movimento Escolas Sustentáveis para o Brasil. Minha luta atual para a educação brasileira e que consigamos construir escolas sustentáveis para o Brasil. Mas o que isto significa de fato? São escolas na qual a construção não agride o meio ambiente. A água e captada da chuva ou poços artesianos e reaproveitada. A energia solar e transformada em elétrica. O projeto pedagógico e voltado para a aprendizagem pela experiência e por meio da sustentabilidade. Palavras chaves desta escola: reutilizar, reciclar e reduzir. Quem puder compartilhar eu agradeço, preciso que este post chegue a um grande número de pessoas para que possamos tornar um movimento nacional. Muito obrigada!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

entrevista CBN Campinas

Assistam a entrevista na CBN Campinas no dia 1 de outubro das 10:00 as 11:00 hs.
Quero aqui agradecer aos amigos: João Carlos de Freitas e o Flavio por ter me convidado para participar desta entrevista. Muito Obrigada!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Livro Educação Infantil para a Sustentabilidade

RESUMO DO LIVRO: EDUCAÇÃO INFANTIL PARA A SUSTENTABILIDADE – ATUALIDADES - DESAFIOS – AVANÇOS
1ª Parte - ATUALIDADES: discuti os problemas enfrentados hoje na educação infantil no Brasil tais como: 
• educação infantil como direito das crianças e não das mães; 
• o problema da superlotação em algumas creches e pré-escolas no qual o projeto pedagógico fica em detrimento ao educar e cuidar; 
• Educação de tempo integral.
2ª Parte – DESAFIOS: este tópico abrange os problemas quanto à formação de profissionais qualificados para o trabalho na educação infantil. Os cursos de licenciatura (PEDAGOGIA) no Brasil hoje não formam pessoas qualificadas para exercerem a função de professor e por este motivo não temos pessoas aptas para atuarem em uma escola sustentável.
3ª Parte –AVANÇOS: Aqui é discutido todo o projeto arquitetônico e pedagógico para a construção de uma escola sustentável, os itens abrangidos neste segmento são:
• Currículo e metodologia sustentável,
• Espaços sustentáveis
• Rotinas e relações dentro da escola sustentável.
PARA COMPRA-LO:

http://www.agbook.com.br/book/217845--Educacao_Infantil_para_a_Sustentabilidade

domingo, 11 de setembro de 2016

NOVIDADE!

Esta semana estarei fazendo o lançamento do meu novo livro sobre Educação Infantil para a sustentabilidade, aguardem!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Comunicado

Caros leitores.
Estou escrevendo e formatando meu novo livro que terá lançamento em breve, por isto estou impossibilitada de publicar novos textos aqui no blog, peço desculpas em breve retorno.
Beijos e obrigada pela compreensão.
Vanda Minini

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

VALE A PENA LER DE NOVO - Planejamento Colaborativo: Professores e Alunos

Todo início de ano estabelecemos metas pessoais para executá-las durante o ano inteiro. Algumas vezes, impossíveis de serem alcançadas, outras, ao contrário, fáceis de serem realizadas.

Na Educação não é diferente. Todo início de ano letivo planejamos as metas educacionais a serem atingidas pelos alunos, na etapa que estão inseridos, seja na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Médio ou Superior.

Todos os professores elaboram os objetivos gerais e específicos, os conteúdos, a metodologia, os recursos e a avaliação para o ano letivo, o semestre, o bimestre e a aula propriamente dita.

Fico questionando se os planejamentos não estão fora da realidade da escola e dos próprios alunos. Muitas vezes vejo alguns planos de aula que são inatingíveis, pela própria condição socioeconômica, na qual a escola está inserida. Questiono: Por que isso acontece? Será que não viram que tal atividade seria impossível de ser realizada? Então, para que fazer planejamento, só para mostrar para alguém, por descaso, por falta de experiência, por falta de consciência, despreparo na formação, enfim, são vários os pensamentos que rondam minha indignação.

Vou-lhes narrar um acontecimento, sem nomes é claro, por questões éticas, para reflexão. Uma vez vi uma professora desenvolvendo o conteúdo sobre o meio ambiente. Na sala haviam cartazes feitos com papel pardo, com recortes de revistas e muitas árvores, flores e animais, com os dizeres: “Preserve o meio ambiente, ele é o nosso lar”, outro dizia: “O meio ambiente é composto de plantas e animais, temos que cuidar para que eles não morram”. Percebia-se que a atividade foi realizada pelo grupo. Vamos refletir... Ao realizar esta atividade, os alunos usaram papel, cola etc. Ao fazer a atividade, eles já estavam sendo contraditórios e não preservando a natureza, uma vez que o papel é feito de árvores, muitas vezes, florestas não renováveis. Esta mesma sala estava com as carteiras rabiscadas, sujas, paredes descascadas, sem pintura, luminárias quebradas e com vários papéis e cascas de lápis espalhados pelos chão. Fica aqui a minha inquietação, não seria melhor trabalhar com os alunos, o meio ambiente a partir da própria sala de aula e que passam boa parte do tempo do seu dia? Porque na minha concepção, se eu preservo o ambiente em que vivo, é claro que esta conscientização se espalhará por todos os lugares que convivo.

O planejamento na educação tem de ser pensado de maneira profunda e não superficialmente. Se refletirmos sobre o plano desta professora, perceberemos que ela não tem consciência do que faz, muitas vezes repete algo que foi realizado com ela em sua formação, e simplesmente ela reproduz. Para ela, o conteúdo ministrado, aos seus alunos, sobre meio ambiente foi trabalhado de maneira eficaz e eficiente. Não devemos culpá-la, simplesmente entender o processo e não fazer igual.

Outra inquietação, um planejamento bem elaborado, refletido e com consciência vai acontecendo ao longo do processo de ensino e aprendizagem. Acredito ser muito incoerente e sem propósito, termos um plano de ensino para todo o ano prontinho, somente esperando ser executado. Não que isto esteja errado, pois algumas instituições adotam este procedimento, e por trás desta atitude existe uma concepção de ensino que a instituição adota. Porém, um processo de ensino e aprendizagem democrático requer que os alunos também participem, sobre quais procedimentos irão adotar, para alcançar os objetivos propostos. Para desenvolvermos pessoas críticas, estas necessitam se expressar, argumentando com lógica o que estão dizendo, quer seja oralmente ou por escrito. Mas se eu executar um plano já pronto, sem que os alunos possam opinar sobre o que pensam, como posso desenvolver a consciência crítica? Um planejamento democrático, no qual professores e alunos decidam juntos quais procedimentos irão utilizar, para alcançarem os objetivos educacionais propostos por um currículo nacional, é muito mais significativo para o grupo. Não é que os professores não vão propor nada e os alunos decidirão tudo sozinhos. Não é isto! Não entendam erroneamente, pois os envolvidos devem trabalhar JUNTOS, dando contribuições.

Isto parece utópico, mas não o é. Quando os alunos tomam decisões desde pequenos, estão desenvolvendo a responsabilidade e, pode ter certeza, participarão mais das aulas, porque sentem suas ideias valorizadas, porque as ações são escutadas. Que possuem vez e voz desde pequenos, e que, o que estudam tem sentido na vida e isso colabora para que jamais esqueçam o conteúdo, pois a experiência foi significativa, adquirindo conhecimento de fato. Muitos planejamentos parecem mais como uma brincadeira de faz de conta que usamos na educação infantil. O professor faz de conta que planejou e o aluno faz de conta que aprendeu. É preciso refletir sobre isto, pois se quisermos uma sociedade forte economica e socialmente, teremos de parar de brincar de faz de conta com a educação no Brasil, seja na Educação Básica, no Ensino Médio ou no Ensino Superior.    

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

VALE A PENA LER DE NOVO - Proposta Pedagógica: Construção Coletiva

Caros leitores, neste texto, abordarei sobre um documento importante que todas as instituições de ensino devem ter, quer seja de educação infantil, fundamental ou médio, trata-se da proposta pedagógica, ela é necessária, pois norteia toda a educação. Mas, o que vem a ser uma proposta pedagógica?

No dicionário da web, o termo proposta está designado como: “Ação de propor; promessa, oferta; declaração verbal ou escrita com a qual se visa obter uma concessão, realizar uma obra, estabelecer um contrato etc; proposição, sugestão.

Responsabilidade, compromisso com a verdade são elementos essenciais na ação de propor algo nas instituições de ensino. Ela não deve ser mais um papel ou agora na era digital mais um arquivo bonito para se ler, mas totalmente desarticulado da realidade. Por isso, não existe um modelo único de proposta pedagógica, pois cada instituição está inserida em um contexto social e cultural com especificidades e características sociais e culturais diversas. Uma proposta, quando bem elaborada, atende as necessidades do grupo em que está inserida. Por que digo se bem elaborada? Por que no meu caminhar pela educação, já vivi realidades inócuas.

Já presenciei direção e coordenação copiando propostas de um ano para o outro, ou pior, copiar de uma escola para outra com realidades diferentes ou propostas sendo compradas prontas por especialistas da educação. Muitas vezes, quando professoras, não sabíamos nem se existia ou não a proposta. Fico me perguntando o porque destas atitudes. Hoje como pesquisadora na área da educação, cheguei a algumas hipóteses, que divido com vocês neste momento: preguiça, falta de comprometimento, responsabilidade e motivação e não saber fazer, são alguns pensamentos que norteiam as minhas dúvidas.

Mas nada disso justifica os atos mencionados anteriormente. Trabalhar “NA e PARA” a educação requer consciência e coerência com outros seres humanos.  Não estamos lidando com pedras, mas sim, com pessoas que necessitam ser ensinadas/educadas. Estas pessoas são reais com necessidades próprias, então, precisam de propostas reais, muitas vezes algumas propostas se parecem mais com filmes de ficção, totalmente alienadas e sem compromisso.

Uma proposta pedagógica deve ser elaborada dentro de cada instituição de ensino público por meio de uma gestão participativa (democrática), isto está previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, com a participação dos diretores, coordenadores, professores, alunos, pais, comunidade (ONGs, associações de bairro etc.)

Os alunos também possuem vez e voz na gestão democrática de uma escola. Participar da elaboração da proposta pedagógica de uma instituição de qualquer nível de ensino é um direito de quem está inserido na comunidade. Portanto, caros leitores, cobrem este direito dos responsáveis direto pela instituição. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

VALE A PENA LER DE NOVO - Qual é o papel dps pais na tarefa de casa dos seus filhos?

A tarefa de casa é um complemento didático para o bom desenvolvimento das aulas. Porém, entre a tarefa de casa e a aula que o professor está desenvolvendo, não podem existir divergências.

As tarefas indicam as dificuldades e facilidades que os alunos estão apresentando, e mostram ao professor o que precisam fazer para sanar as dificuldades de seus alunos. No entanto, deve-se destacar que os professores devem valorizá-las e não dar apenas um visto como ocorre com certa freqüência nas escolas públicas.

Pais e mães perguntem aos seus filhos se os professores dão atenção à realização das tarefas de casa. E caso isto não esteja ocorrendo, converse, mas cuidado: não cobrem! Por meio da tarefa de casa, os pais podem entrar em contato com o trabalho realizado na sala de aula, sendo, por isso, um excelente meio de interação entre família e escola.

Um fator importante é que vocês, pais, não façam, de jeito nenhum, a tarefa para as crianças, isto é de responsabilidade delas. As crianças muitas vezes fazem birra e acabam não fazendo a tarefa. E vocês, senhores pais, muitas vezes, por não terem paciência ou até mesmo tempo, comportam-se de maneira autoritária, chantageando, e até mesmo usando de violência. Esse tipo de comportamento não ajuda as crianças a entenderem da tarefa e ainda corre-se o risco de torná-las irresponsáveis. Isto não é a maneira mais correta de educar um filho! As crianças precisam entender, de fato, que a tarefa é um complemento da escola e não algo que deve ser motivo de chantagem.
Na vida, temos que adquirir responsabilidades deste cedo e a tarefa de casa é apenas uma delas. Orientar, ajudar, ou até mesmo explicar quando os filhos estão com dificuldade é correto, agora, fazer por elas, não!
Seria interessante se os pais estipulassem horários e local adequados para estudo, sem deixar de cuidar para que o local seja agradável: arejado, limpo e iluminado. A organização do dia da criança é importante para que ela adquira hábitos de planejamento para toda a sua vida, isso é um dos fatores de sucesso quando adultas.
Estes são os papéis dos pais na tarefa de casa dos seus filhos, o que, como se viu, exige paciência, tempo e, principalmente, reflexão sobre a importância desse momento para a vida adulta.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

VALE A PENA LER DE NOVO - Educação Infantil de Qualidade - Respeito aos Direitos das Crianças

Hoje falamos muito em nossa sociedade sobre as crianças, especialmente sobre as violências causadas às crianças em geral, quer sejam físicas e/ou emocionais. O meu foco neste artigo é trazer, para vocês leitores, os direitos das crianças na Educação Infantil no Brasil, meu olhar de pesquisadora na área da educação se caracteriza pelo atendimento que são dadas a elas em creches e pré-escolas públicas.

A Constituição de 1988 assegura os direitos da criança e do adolescente no Brasil, por meio do Artigo 227 que nos diz: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

Para conhecimento de todos, o Ministério da Educação do Brasil lançou em 1995, com reedição em 2009, um documento denominado “Critérios para um atendimento em creches que respeite os Direitos Fundamentais das Crianças” (CAMPOS; ROSEMBERG, 2009). Este documento todos podem acessá-lo via Internet, no site do próprio Governo Federal do Brasil. Os direitos das crianças, esclarecidos neste documento são: direitos á brincadeira; a atenção individual; a um ambiente aconchegante, seguro e estimulante; contato com a natureza; higiene e a saúde; alimentação sadia; desenvolver sua criatividade, imaginação e capacidade de expressão; movimentar-se em ambientes amplos; à proteção, ao afeto e a amizade; expressar seus sentimentos; especial atenção durante seu período de adaptação á creche; e desenvolver sua identidade cultural, racial e religiosa.

Surgem, então, alguns questionamentos:

Estamos realmente respeitando estes direitos em nossas creches e pré-escolas públicas no Brasil? Ou ainda, estamos dedicando o tempo e o espaço destas crianças nas instituições de educação infantil, somente realizando situações dentro deste cotidiano, relacionado aos cuidados básicos de alimentação e higiene?
Está sendo valorizada a pluralidade cultural destas crianças e estamos educando-as e ensinando-as para que adquiram conhecimentos relevantes para o seu desenvolvimento físico, intelectual e social, ou simplesmente estas crianças passam horas em um ambiente que se parece mais como um depósito, onde os pais deixam seus filhos para poderem trabalhar e no final do dia os pegam para levarem para casa.
Qual é a proposta pedagógica que está sendo realizada, de fato, com estas crianças pequenas nas creches e pré-escolas públicas?
Outro documento lançado pelo MEC são as Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil (2009), este documento reconhece a histórica produção de desigualdades e sua incidência na Educação brasileira. Este documento especifica a função sociopolítica e pedagógica das instituições de educação infantil, pautando o enfrentamento destas questões.
Uma educação infantil de qualidade que respeite os direitos fundamentais da criança é o ideal de uma sociedade, que vive um crescimento econômico em ritmo de primeiro mundo como o Brasil, mas não adianta termos uma economia forte se não tivermos uma educação de qualidade desde os primeiros anos de vida. É incoerente pensarmos somente no econômico, uma vez que ele é sustentado por pessoas, e estas pessoas precisam de educação desde a primeira infância.

O investimento que deve ser feito na educação infantil, muitas vezes, é irrisório perante um orçamento de um município. Sei que educar e cuidar de crianças pequenas não possui um custo baixo, porém é necessário, se pensarmos em qualidade social para todo o povo brasileiro. Se investirmos na base da sociedade, que são as crianças pequenas, não precisaremos investir tanto em saúde e em outros setores quando adultos. Não quero aqui dizer que todo o investimento deveria ser colocado na Educação Infantil, porém, torna-se necessário repensarmos a distribuição econômica que os municípios brasileiros realizam com a educação infantil pública. Uma vez que este segmento da educação proposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96 é de responsabilidade do município, em colaboração com o Estado.

Outro problema que enfrentamos atualmente, no Brasil, diz respeito à formação de professores nos cursos de Graduação de Pedagogia.  Repensar a formação como um todo é necessário e urgente, diante das demandas educacionais em nosso país. Isto não é tarefa fácil, pois necessita de vontade política. Há uma relevância, por parte de quem está no comando da educação brasileira, de coerência e consciência do que está acontecendo nos cursos de Pedagogia em geral. Como formar um professor em apenas três ou, em algumas instituições de ensino superior, em quatro anos, com um currículo desarticulado da prática, ou muitas vezes, desarticulado totalmente da realidade de nossas crianças brasileiras? Pior ainda, como formar um professor para a educação infantil em cursos à distância. E estes se proliferam, pois seu custo é bem menor. Não sou contra os cursos à distância, mas sim, em como eles estão sendo realizados em algumas instituições, nas quais a qualidade de ensino é baixa. Gostaria de compartilhar mais uma reflexão: como ensinar os professores a distância a cuidar e educar um bebê? O ensino a distância nos cursos de Pedagogia não propiciam, hoje no Brasil, uma formação de qualidade. Os cursos à distância necessitam de investimentos altos e não somente uma plataforma virtual, no qual os professores e alunos se conectam via Internet. Pensar nas crianças, nos professores, nos cursos de Pedagogia de modo geral é pensar em que sociedade queremos para nós mesmos. Às crianças devem ser garantidos os direitos de um espaço e tempo, que permita viver sua infância de maneira saudável e plena, promovendo as interações entre as próprias crianças e entre adultos e crianças. Fica aqui o alerta...

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Objetivos e Metodologia de ensino de uma Escola Sustentável

Uma escola sustentável terá como principal objetivo os valores de uma sociedade que utilize conceitos e ações de sustentabilidade amparados em três grandes eixos: econômico, social e meio ambiente. Uma escola com o conceito de sustentabilidade deve ser construída com materiais recicláveis; no entanto, apenas a construção com materiais reutilizados não é o suficiente para educar para a sustentabilidade.

Em seu modo de gerenciar, tanto no currículo das crianças, como na metodologia da escola e dos professores, são necessárias ações que eduquem as crianças, os jovens e também os adultos ─ estes, bem mais difíceis ─ para um novo estilo de vida. A orientação para coleta e destino que se faz para latinhas, ou garrafas, não é o suficiente para que a sustentabilidade aconteça. As crianças e os adultos precisam produzir produtos que possam ser vendidos de forma a que os três eixos da sustentabilidade: social, ambiental e econômico estejam presentes em todas as ações e estudos. Vou exemplificar para entenderem melhor o que quero dizer: por exemplo, com os resíduos úmidos os alunos da escola podem aprender a produzir compostagem para hortas e pomares; a produção de verduras, legumes e frutas realizada junto com as crianças deve ter, a sua forma de saída ─ as vendas ─ realizadas pelos alunos em algum espaço dentro do ambiente escolar para que consigam aprender  ─ na prática real ─ a gerenciar uma economia sustentável. Vejo alguns exemplos de escolas sustentáveis pelo mundo que se preocupam apenas com o meio ambiente e com a produção de orgânicos, mas se esquecem de educar para a gestão empreendedora desta nova economia.

É importante a preservação do meio ambiente, a produção de alimentos orgânicos para uma vida saudável, mas é igualmente importante saber gerenciar estes produtos. Aprender a cultivar, a montar um logo e uma marca para os produtos, a fazer embalagens, a colocar preços e vender... isso tudo é fundamental para uma economia sustentável. Objetivo e metodologia sustentável vão além da sala de aula! Trata-se de aprendizados para a vida de forma vivenciada. São conhecimentos que farão a diferença na vida de qualquer criança, jovem ou adulto.


Alguém pode estar se perguntando: “E os conteúdos próprios da escola, tais como: Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia??? Como ficam???” Pois bem: estes serão dados, porém, com o princípio de uma escola que educa com a experiência, com a vivência, com a utilização destes conteúdos para a vida, e não de forma que sejam utilizados apenas em provas ou somente para o vestibular. Afinal de contas, esse conceito de educação que visa ao bom desempenho apenas para uma prova ou para um exame de vestibular está ultrapassado; hoje em dia, o mundo necessita de futuros profissionais engajados com a vida no sentido dos três eixos mencionados acima e que estruturam um novo estilo de ser e de viver; para isso, as escolas deverão se fundamentar em uma educação eficiente e eficaz, produzindo um novo estilo de vida, de ação e de relações.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O fonoaudiólogo na escola: importância e necessidade

O processo de linguagem oral e escrita para as crianças pequenas exige de todos um cuidado especial.  O desenvolvimento da linguagem tem um papel fundamental na vida de uma criança, principalmente na fase de alfabetização.

Ter um fonoaudiólogo na equipe multidisciplinar de uma escola irá auxiliar na elaboração de atividades e situações rotineiras da sala de aula, auxiliando o professor com o objetivo de melhoria na qualidade de ensino. A pedagogia somente não é capaz de cuidar de todos estes aspectos da alfabetização porque há mais elementos que permeiam essa situação. O professor precisa conhecer algumas técnicas e recursos fáceis de serem trabalhados em espaços educativos, de maneira que esse conhecimento possibilite uma ação preventiva ou mesmo interventiva; a equipe pedagógica poderá receber orientações no sentido de ações e ajustes que possam ser feitos, a fim de adequar cada caso às necessidades de cada criança, buscando sempre condições mais propícias para o real desenvolvimento da aprendizagem.

O fonoaudiólogo, além de dirigir seu olhar profissional para os alunos poderá, também, orientar e cuidar da saúde vocal do professor, auxiliando-o a usar a dicção, a tonalidade e o timbre de voz, evitando ou diminuindo os problemas vocais, aprimorando suas habilidades didáticas por meio de atividades mais eficazes de comunicação para com as crianças.

De igual forma, auxiliar os pais sobre possíveis dificuldades com seus filhos, facilitando a comunicação e a aprendizagem das crianças, orientando sobre as fases e os cuidados com a alimentação, com a respiração, sobre hábitos orais, estímulos de fala, de leitura, dentre outros.

O fonoaudiólogo pode trabalhar em conjunto com a nutricionista, com a psicóloga, com o médico, com o professor e com a equipe gestora da escola, a fim de prevenir ou sanar possíveis problemas de comunicação com todos os atores da instituição de ensino. Afinal de contas, prevenir é bem mais barato que remediar, não é mesmo?

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A importância de aliar cultura e educação: formação integrada e integral

Não consigo imaginar cultura separada da educação; uma complementa a outra. Dança, música, cinema e vídeo, artes, circo, teatro e literatura são exemplos que precisam ser ensinados às crianças, desde pequenas, para que quando jovens e adultos elas continuem a apreciar e a fazer arte como parte de nossa cultura.  

Cultura é o modo como as pessoas de um determinado local se comunicam, se expressam e perpetuam seus usos e costumes; não dar valor a este tipo de expressão é ignorar a própria existência humana de um povo ou nação. Mas com o mundo tecnológico invadindo a tudo e a todos, parece que a arte, a dança, e o teatro ficam sendo coisas ultrapassadas ou, então, vinculadas a uma elite. Não penso que em uma escola integral e integrada a cultura precise se manifestar por meio de peças de teatro como parte do currículo, desde a educação infantil, fazendo com que as crianças participem dessas ações.

Não sou a favor de peças infantis ou de músicas que representam uma massificação, mas sim de histórias construtivas, que trazem bons exemplos e que contribuam para a formação do caráter de um indivíduo. Histórias de contos de fadas com castelos, príncipes e princesas não agregam valores morais; podem ser clássicos, mas não é este o tipo de cultura que pretendo implantar em uma escola sustentável que evidencie um novo estilo de vida. Histórias reais de pessoas que são exemplos de coragem, de disciplina, de valores morais saudáveis são as que contribuem para que uma criança tenha bons exemplos; este tipo de cultura eu aprovo e aplaudo, pois são verdadeiros exemplos, sem ilusão e fantasias.


Alguns colegas da academia vão achar um absurdo e vão defender que as crianças precisam de fantasias para viver e imaginar; eu não concordo. As crianças precisam de exemplos reais para se espelharem e viverem suas vontades dentro de uma normalidade. Fantasias são ilusões e mentiras e o que estes comportamentos contribuem para um ser humano saudável, que busca se empenhar para ser uma pessoa com dignidade, no meu entender é NADA! Pessoas que vivem fora da realidade, que vivem cheias de ilusões estão sempre em busca de algo irreal, não conseguem agir com autonomia e autoestima, e acabam sempre colocando a culpa nos outros. Não quero contribuir para este tipo de humanidade! Quero uma humanidade que busque ser e, principalmente, que tenha princípios e valores morais e éticos consigo e para com os outros. Portanto, apreciar e fazer cultura sim; mas com coerência e sabedoria, sabendo utilizar a cultura na educação de forma a contribuir para a saúde física e mental de todos os envolvidos.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Como trabalhar um Currículo sustentável desde a educação infantil?

O conceito de educação sustentável vem tomando fôlego há algum tempo nos países de primeiro mundo. No entanto, isto se faz necessário em todo o planeta, já que estamos depredando nossa própria casa. Por isso, torna-se totalmente equivocado pensar em um currículo de educação sustentável sem saber do se trata, de fato. Várias pessoas estão entendendo que é necessário preservar o meio ambiente e me dizem que já estão fazendo isto em suas escolas, mas educação sustentável além de questões relacionadas ao meio ambiente; ela deve, também, permear aspectos econômicos e sociais. Como assim?

É necessário reduzir o consumo desenfreado de produtos industrializados que, em sua composição, utilizam de recursos naturais; é preciso reciclar o que já existe e está aí, fazendo de tudo para não gerar mais resíduos sólidos. Economia sustentável precisa gerar renda, ou seja, também é preciso pensar em como os produtos reciclados poderão ser vendidos e como isso pode gerar renda familiar.


Por exemplo, uma comunidade pode gerar, dos seus resíduos úmidos, compostagem para jardins e hortas orgânicas, sendo um excelente produto para ser vendido. O dinheiro arrecadado com a compostagem deve ser revertido em algum bem material para aquela comunidade. Desta forma, estaremos trabalhando o conceito de educação sustentável, ou seja, uma proposta de trabalho educacional que não seja apenas um currículo que precisa ser pensado, mas um novo estilo de vida que faz despertar a consciência de ser e estar no mundo.  Não adianta somente cartazes feitos de cartolina ou de papel cartão sobre preservação do meio ambiente; é preciso preservar, sim, mas pensando em diminuição de consumo e geração de renda com benefícios sociais. Vejam que isto é um novo paradigma prático sobre a educação. Trata-se de um currículo que se faz no dia a dia, em todos os ambientes sociais, seja nas casas, nas escolas, nos clubes, empresas, igrejas, enfim, faz parte da sociedade em geral. É um estilo de vida saudável para todos os aspectos do Planeta Terra, e não somente para a geração atual; é um modo de viver que pensa no futuro das novas gerações que ainda estão por vir. Portanto, ou fazemos isto acontecer, ou teremos sérios problemas de sobrevivência humana, animal e vegetal em pouco tempo. Educar para a vida, na vida e com a vida, este é o lema da Educação Sustentável.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Espaços de lazer e entretenimento na escola sustentável

Pensando em uma criança que ficará muitas horas dentro de um espaço escolar, por conta de uma educação integral, tenho que pensar em áreas que proporcionem, além de aprendizados, também o lazer. Assim, um lago para pesca seria um exemplo de uma área de aprendizagem e lazer dentro de uma escola-fazenda sustentável.

Pescar representa técnica, precisão e atenção. É necessário saber colocar a quantia certa de isca, posicionar a vara, aguardar pacientemente e com atenção para perceber quando o peixe morde a isca, retirá-lo para que seja devolvido ao seu habitat de origem ou, então, utilizá-lo para servir de alimento, seja para aquele grupo, como aprendizado sobre os nativos, nossos ancestrais, ou para as aves que geralmente permeiam este espaço. Tudo isto é aprendizado, é cultura e traz o envolvimento com a atividade da contemplação e do relaxamento.


Penso que uma escola sustentável não deve propiciar somente atividades cognitivas e/ou motoras. Ela deve ser pensada de forma a propiciar o que seja VIDA, e pescar é uma atividade de diversão e, também, de aprendizado. Temos vários jogos e brinquedos que remetem a esta prática, como em festas juninas com as famosas Barradas da Pescaria com os peixinhos desenhados em plaquinhas com ganchos e dispostos pela areia. Então, por que não fazer isto de verdade em um espaço escolar, podendo propiciar, aos pequenos, interação direta com a natureza?  Mais do que isto: educar com a experiência, o cuidado e a atenção; explicar sobre a cadeia alimentar, sobre os ambientes de vida, sobre as águas próprias para a proliferação da vida e as águas poluídas e mortas de alguns rios... educar para além de papéis e de cartazes como se faz atualmente! Isso é que é educar os princípios por meio da prática. Educar fazendo parte do sistema chamado planeta Terra! Educar se divertindo, brincado de forma séria, vivendo a vida em todos os seus aspectos.  

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Circo na escola sustentável: o encontro e a expressão juntos

O circo na escola é mais um elemento de expressão, de coordenação motora ampla, de socialização, de desenvolvimento da autonomia, confiança, prazer e motivação. É uma prática corporal e recreativa que foge dos exercícios físicos convencionais, mas desperta o encontro consigo mesmo por meio dos exercícios corporais e da expressão do público. Aprender a lidar com a repetição de exercícios para se fazer algo apresentável requer disciplina em todos os sentidos. Assim, dormir, beber e comer bem são atividades essenciais para a prática de qualquer exercício físico; mas aprender a se apresentar, a sentir a emoção de si e do público é algo importante para a autoestima e também para aprender a se posicionar diante do outro.
Nos jogos e brincadeiras circenses temos exercícios de acrobacia, malabarismo, trapézio, contorcionismo, além de mágicas e palhaços, fundamentais para o reconhecimento e a superação de sentimentos e emoções como medo, vergonha, alegria, satisfação e coragem.

Por meio de jogos, brinquedos e brincadeiras circenses as crianças ampliam o conhecimento de seu corpo, de suas emoções e sentimentos, além de vivenciarem melhor a relação com o outro e com o mundo que a cerca. Desenvolvem várias linguagens ao mesmo tempo, exploram diversas situações com objetos que não fazem parte do seu dia a dia, organizam seus pensamentos, sentimentos e ações, descobrem e agem com regras e habilidades para desenvolverem os exercícios, assumem papéis dos mais variados tipos aprendendo a se colocar no lugar do outro, enfim, são inúmeras as contribuições que essas atividades oferecem na prática real da socialização.

Não estou aqui montando uma escola de circo, não é isto! O que proponho é o uso de técnicas e habilidades circenses para educar a criança de forma integral e integrada, oferecendo uma educação para a vida ─ coisa que a escola tradicional não consegue proporcionar! Os jogos circenses de solo, aéreos, malabarismos, Clown, possibilitam educar o equilíbrio, a comicidade, a improvisação, elementos importantíssimos para utilizarmos em nossa vida social diante das diversas situações que nos são apresentas. Quando está impresso no cérebro da criança, como experiência vivida, algumas atividades dos exemplos acima expostos, ela poderá fazer uso, em sua vida futura, de recursos internos que ali estão como, por exemplo, superar o medo, as frustrações e outras coisas, procurando um jeito de se sentir e de ser uma pessoa mais feliz. 


Quando a escola só se preocupa com o intelecto, ela não ensina resolver problemas além dos de matemática que fazem uso do raciocínio e que são expressos no papel. Então, quando as crianças saem desse universo teórico e conceitual ─ apenas ─ elas não conseguem resolver situações do dia a dia e da vida que estão muito mais presentes e desafiadoras que os problemas de raciocínio expressos em uma folha de caderno ou de prova. Falta-lhes essa inteligência e sabedoria que prevê o equilíbrio de suas ações, palavras e atitudes... a inteligência de aprender a vivenciar o que verdadeiramente aprendeu na escola de forma significativa em sua vida. Por isso, não acredito e não quero esse tipo de escola! Penso em uma escola que verdadeiramente prepare nossas crianças e jovens para a vida desta nossa sociedade do terceiro milênio! Por isso, aproximar a arte circense da escola é uma missão importante para os educadores e recreadores, para que possam propiciar viabilidade prática a esta significativa arte de educar pensando na vida.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Trabalho com oficinas: mecânica, elétrica, hidráulica e cerâmica

Nós só valorizamos algo, quando sabemos o trabalho que dá para fazer aquilo. Este princípio aprendi desde pequena; na minha infância, não se falava em consumo consciente, este termo é novo, e é exatamente isto que desenvolvemos quando sabemos fazer algo útil para nossa vida.

Na escola sustentável que vislumbro, toda criança terá como currículo ─ e como verdadeira experiência e ação ─ oficinas de mecânica, elétrica, hidráulica e cerâmica relacionadas às utilidades do nosso dia a dia. Trocar uma lâmpada, a extensão de um chuveiro, arrumar uma torneira que esteja pingando, ou seja, coisas fáceis de serem feitas, que reduzem o desperdício de energia e de água, e que ensinam, ao mesmo tempo, a fundamentação daquele sistema.

Pequenos reparos que podem ser aprendidos na escola podem proporcionar a reflexão e o estudo sobre o consumo consciente; por exemplo, uma torneira pingando gasta litros e litros de água em um só dia e nem sempre dispomos de profissionais para virem com a rapidez necessária consertar o estrago. No entanto, se ensinarmos esses pequenos reparos na escola, evitamos o desperdício de um bem natural tão precioso como a água, além de ensinarmos, de maneira prática aos alunos, como realizar pequenas manutenções. Uma escola sustentável pensa em ações que ajudem no dia a dia da criança e da sociedade em todos os seus aspectos. São oficinas simples, mas que poderão fazer toda a diferença quando se trata de consumo consciente.

Precisamos educar as crianças a gerarem menor consumo de eletricidade; em uma oficina sobre lâmpadas de LED, por exemplo, elas aprendem o gasto gerado de energia por outros tipos de lâmpadas, entendendo como devem ser usadas em casa para diminuir o consumo de eletricidade. Estas oficinas possuem este papel, porém, é necessário um ambiente propício para que elas aconteçam. Oficinas de cerâmica, além da parte artística, as crianças aprendem a fazer objetos que poderão ser vendidos na loja da própria escola, para que outras pessoas comprem e os utilizem gerando, desta forma, o conhecimento do aprender a fazer, a vender e, mais do que isto, a importância do consumo consciente ao lado do fator econômico: noções básicas de empreendedorismo. O conceito de sustentabilidade vai além do ambiental porque abrange, também, aspectos econômicos e sociais.  Só se aprende, de fato, se soubermos como produzir, para quê produzir, como vender e como saber utilizar o recurso financeiro proveniente de forma a agregar valores sociais. Esta é a economia solidária sustentável tão discutida em países de primeiro mundo.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Uma criança saudável: uma escola saudável!

Para que uma criança se desenvolva de forma saudável ela precisa de uma família e de uma escola que possa proporcionar a ela este desenvolvimento. Uma escola que a deixe ser uma criança espontânea, barulhenta, inquieta, emotiva e colorida.

Uma escola que a deixe ser ela mesma, que a eduque para a vida no seu todo. Crianças precisam se mover, aventurar, jogar, brincar, rir, chorar, procurar notícias, entreter-se, estudar, ler, dançar, cantar, pular, ver TV, usar o tablet,  o computador, ou mesmo o celular, enfim viver e fazer contato com um pouco de cada coisa.

Uma criança não nasceu para ficar quieta ou sentada na frente de aparelhos eletrônicos; também não deveria ficar amuada. Criança saudável é livre para ser ela mesma; não deve ser adulta em miniatura. Não devemos querer que se apresse este período da infância; toda criança precisa maravilhar-se com o mundo, pois, somente assim ela terá a garantia de uma vida emocional, social e cognitiva rica em conteúdos saudáveis, em lugares que a encantam, em contato com a natureza que lhe apresenta perfumes e cores próprias, cheia de felicidades e de conhecimentos.

Quando uma criança é ela mesma e pode brincar, jogar e se expressar, ela regula o humor e a ansiedade, promove atenção, aprendizagem e memória; reduz o stress, favorece a calma, o bem estar e a felicidade; amplia sua motivação física que impulsiona um dormir melhor, promovendo um estado de imaginação e de criatividade igualmente saudáveis. A escola e a educação, como um todo, está informando por demais as crianças, proporcionando um excesso de opções, acelerando a velocidade e o ritmo de seu desenvolvimento.

Uma criança saudável vive em uma escola que simplifica a infância e a educa bem de forma integral e integrada com a natureza; uma escola que oferece um espaço no qual ela possa explorar, refletir e aliviar as tensões características da vida cotidiana. Sim, as crianças precisam estar ao ar livre, já que a natureza propicia seu desenvolvimento potencial criativo. A experiência com o sol, com a sombra, com o vento, com a brisa, com a chuva e com o calor propiciam surpresas e descobertas. Desta forma, a escola se abre para a vida com os seus conhecimentos, trabalhando em torno deles para ampliarem sua percepção de si mesmo, do outro, do mundo e da vida. Esta é a maneira de ser saudável e de educá-las para serem pessoas de sucesso.


Quando uma criança não se suja e não precisa de um banho, é por que ela não está sendo criança. Ela está enfurnada em casa, em prédios de concreto, em contato com objetos de plástico, com brinquedos prontos e superficiais, deixando de viver uma vida de criança saudável, vivendo uma infância artificial. Por isso, a escola precisa ser uma escola que permita que a criança seja criança. Ora, ser criança é ser ela mesma, é ser natural e estar em contato com a natureza de si, dos outros e do mundo que a rodeia.

terça-feira, 21 de junho de 2016

A importância dos trabalhos manuais de uso natural

Ao longo dos últimos anos nossa educação deixou de lado algumas brincadeiras manuais para dar lugar ao uso excessivo de tecnologia, tais como tablets, celulares e computadores. Não vemos mais crianças brincando na rua, criando seus próprios objetos com papéis, gravetos, tecidos, terra, tinta e água.

As crianças estão deixando de vivenciar situações manuais que estimulam várias áreas do cérebro; sua criatividade está voltada para o eletrônico. As atividades manuais devem fazer parte da vida integral e integrada das crianças porque possibilitam que elas criem com diferentes materiais e desenvolvam a coordenação motora fina; além disso, são estimuladas a pensar e a resolver problemas. 

Toda criança tem a tendência de mexer e de transformar os objetos que estão à sua volta, mas elas fazem isso de acordo com sua vivência de mundo. A criação é sua forma de expressão, corresponde à sua sensibilidade e imaginação; então, isso não é possível de acontecer com os brinquedos prontos já que estes não desafiam o pensamento infantil: se eles já estão prontos, nada há que se acrescentar! Tudo está pronto e acabado, trazendo uma marca explícita que passa a estimular o consumo desenfreado e a comparação entre os colegas e/ou as famílias.


Quando observo esses pontos, não quero dizer que as crianças devam viver fora do mundo tecnológico! Não é isso! O momento atual incita e estimula ao uso das novas tecnologias, mas é preciso que se retome o contato com a natureza e, principalmente, que os alunos possam criar e produzir seus próprios brinquedos com materiais diversos, pois é assim que conseguirão adquirir mais experiências por meio do tato, da sensibilidade, da textura e do calor. E isso não quer dizer fazer qualquer coisa de qualquer jeito! Quanto maior o desafio, mais estímulo à ética e à estética! Criar e confeccionar os próprios brinquedos possibilita o desenvolvimento de áreas do cérebro que contribuirão para sua vida como um todo. Pensem nisso!

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Educação de corpo e sentidos pelo caminho da experiência

Atualmente muito se fala em educação integral, mas confunde-se o termo e a forma como ele vem sendo aplicado nas escolas. Educação integral é algo no qual são levados em consideração no planejamento escolar todos os aspectos de desenvolvimento de uma criança: aspectos físicos (saúde e motricidade), emocionais e cognitivos. Estes aspectos estão inseridos em uma cultura que propicia ao sujeito desenvolver um jeito de ser, de pensar e de agir compatível ao mundo que o rodeia. Quando essa compatibilidade não se adéqua ao contexto social, dizemos que o indivíduo é um marginal, ou seja, que ele está à margem do fluxo pelo qual a sociedade caminha.

Bem, vamos lá com os conceitos de ser integral: Com as novas pesquisas em neurociências descobriu-se que o cérebro não é usado em sua totalidade em nossas escolas, privilegiando muito mais a área da cognição em detrimento da emocional e da motora. A escola acaba ignorando estes dois aspectos, pois não reconhece o corpo do indivíduo como fazendo parte de seu sistema integral; e ainda pior: não reconhece suas emoções e sentimentos. Não adianta aumentar o tempo na escola e não proporcionar outras atividades para as crianças além das cognitivas, como aulas de reforço que muitas escolas que dobram período, ou algumas ONGs, acabam fazendo. O planejamento escolar do dia deve conter atividades que desenvolvam a criança em sua totalidade.

Acredito que o primeiro ensinamento que devemos proporcionar aos pequenos é que temos um corpo que nos possibilita fazer muitas coisas; esse aprendizado deve ser realizado pela experiência, por exemplo, brincar de não movimentar as pernas, estando sentado em uma cadeira, para perceber o valor de se poder andar e correr, e de considerar como é a vida de um cadeirante. Essa atividade poderia ser dada com poucos obstáculos e dificuldades, na educação infantil, mas poderia ser mais ousada e dificultosa no ensino fundamental.  Outra atividade poderia ser a de se fazer em duplas a brincadeira “o Cego e o Guia”, onde um dos alunos está com os olhos tampados por um lenço e o outro colega lhe direciona pelos lugares informando o que tem pelo caminho, ou como poderia fazer para encher um copo com água e beber. Esses exemplos vivenciais ensinam, na prática, o valor dos sentidos dentro de nossa sobrevivência e da vida social. No entanto, quando esse tipo de atividade se realiza, por um profissional da educação, na maioria das vezes isso ocorre em escolas de educação infantil como um simples entretenimento, geralmente em dias de chuva! Ainda não vi esse tipo de atividade acontecer no ensino fundamental, pois neste nível o pedagogo acaba por ignorar corpo e movimento ─ porque também ele é convencido de que isso faz parte do brincar na educação infantil ─ acelerando as crianças para aprender letras e números ou para pintar dentro dos espaços limitados dos desenhos.

Para conhecermos a nós mesmos precisamos nos tornar bons observadores de nossos sentidos e movimentos; precisamos nos lembrar de que os alunos estão em processo de desenvolvimento neuro-psico-motor. Como pedagogos precisamos oferecer experiências para que as crianças e os jovens possam exercitar a observação em si e no outro, que possam compartilhar da experiência pela motricidade e comunicação, vivenciando personagens de contos e fábulas, ou mesmo personagens da vida real, e que isso possa ser experienciado por meio de jogos para serem vividos e compartilhados em sala de aula, não só na educação infantil, como ─ principalmente ─ no ensino fundamental.

Afinal, se a vida urbana está retirando, cada vez mais, das crianças e jovens o corpo em movimento, a escola, de alguma maneira, deveria repor!


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Dança: manifestação cultural e expressão do corpo e das sensações emocionais

Uma escola integral e integrada deve ter a preocupação e ações com o todo. Para mim, isso significa uma educação voltada para o corpo e a mente. Dançar é uma das maneiras de ensinar, na prática, a expressão do corpo humano em movimento e no ambiente. A dança disciplina o corpo, os pensamentos, sentimentos e ações. Ela é mais uma linguagem a ser trabalhada na escola e não fora dela, porque faz parte das manifestações artísticas de um povo. Ela auxilia na sociabilidade, na quebra da timidez, dentre outros tantos benefícios!

Não estou aqui dizendo que a escola deva fazer danças para que os alunos se  apresentem em alguma data especial; é mais do que isto! É levar a criança a adquirir consciência corporal entendendo sua relação com o espaço e com a natureza.

A dança é uma manifestação artística que integra corpo e mente de forma indissociável, já que somos um todo vivendo conosco e com os outros interagindo num espaço chamado planeta Terra. A criança que vive de forma muito sedentária, com o uso excessivo de tablet,  computador e celular, pode vir a apresentar encurtamento de alguns músculos por volta dos 10 anos de idade, além de limitações oftalmológicas. Isso pode ocorrer pelo fato de não realizar os movimentos micro e macro como a natureza proporciona que façamos. Esta tensão muscular inadequada pode provocar uma postura incorreta, além do agravo em visão, audição e o estado de concentração. Passos de dança e alongamentos contribuem para evitar este tipo de tensão.

Brincadeiras com danças podem ser ensinadas desde bem cedo porque até as crianças podem nos ajudar a montar coreografias a partir de seus próprios gestos e movimentos. Para que eles se interessem pela dança é preciso que se leve em consideração o repertório que eles possuem e, aos poucos, ir inserindo movimentos que eles desconhecem ou pouco fazem.

Um dos princípios da educação infantil é que a criança cuide de seu próprio corpo e, para isto, se faz necessário que ela o conheça e reconheça. Muitas vezes conversando com professoras de educação infantil elas me dizem que, para elas, cuidar do próprio corpo é ensinar as crianças a se alimentarem sozinhas (autonomia), a lavarem as mãos antes das refeições, a escovarem os dentes depois do lanche, a se limparem sozinhas no banheiro, essas coisas dos hábitos e atitudes da vida diária. No meu conceito, cuidar do próprio corpo vai muito além destas atividades de rotina na educação infantil porque, ao fazer exercícios que sejam de dança ela aprenderá, de forma lúdica e espontânea, a ouvir e acompanhar ritmos com expressões e movimentos dos membros  e do corpo como um todo. Isso é possibilitar um caminho para o conhecimento; primeiramente somos e sentimos corpo e depois começamos a perceber que temos raciocínio para pensar e planejar nossas ações. Cada coisa a seu tempo!


A dança, além de ser um exercício de reconhecimento dos limites do corpo, também proporciona uma manifestação artística/cultural que precisa ser ensinada e vivenciada para fazer parte do currículo como um todo. Somos um todo integrado dentro de um espaço e, mais do que isto, vivemos dentro de um planeta que possui vida. Dança é vida, é arte, e expressão! É ser e estar neste mundo. Dança também é a sustentabilidade da vida de novas gerações.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Restaurante ( e não Cantina) na escola é bom?

Toda escola deveria ter uma espécie de restaurante para que as crianças pudessem se servir desde os quatro anos de idade, para aprenderem o equilíbrio e a ponderação para colocar o alimento no prato e, além disto, aprender a questão da quantidade e da alimentação saudável.
É obvio que o cardápio deste restaurante deverá ser muito bem balanceado por uma nutricionista e, mais do que isto, deverá ter dinâmicas para que as crianças aprendam a colocar no prato e a comer cinco cores de alimentos, além de serem incentivadas a experimentarem novos alimentos sempre.

Existe melhor forma de aprender a se alimentar bem do que de maneira lúdica e junto com os seus amigos?

Quando o lanche vem pronto de casa, ou quando a escola não propicia variedades, as crianças ficam sempre saboreando dos mesmos alimentos, não aprendendo a comer de forma saudável e equilibrada. Nem todas as crianças possuem a oportunidade em casa de experimentar novos alimentos por conta da dinâmica familiar; assim sendo, uma escola que se preocupa com a formação e o desenvolvimento de um ser integral também precisa pensar na alimentação.

 Além da preocupação nutricional também existe a preocupação de aprender a se socializar em ambientes que eles frequentam fora da escola, como restaurantes em shoppings. Se na escola eles possuem um lugar próprio para isto, com utensílios pensados para sua altura, eles começam a aprender a se servir, a não desperdiçar, a se alimentar de forma correta sem distrações, a socializar na hora da refeição, a mastigar corretamente os alimentos, enfim, aprenderão brincando.

Outro aspecto importante é que os adultos que trabalham na escola também se alimentem com eles, pois aprendemos pelas experiências e imitando uns aos outros. Educação alimentar é algo primordial para uma vida saudável. Somos o produto daquilo que comemos. Saúde é sinônimo de vida! Comer corretamente também é um aprendizado, e a escola precisa ter esta responsabilidade e este cuidado. Na minha visão de educadora, não adianta fazer atividades de nutrição na escola como a pirâmide de alimentos e não oferecer às crianças a vivência disto no cotidiano. Geralmente os alunos aprendem a nutrição no papel e talvez nunca tenham a experiência de experimentar um prato com alimentos equilibrados pela pirâmide alimentar e de forma colorida. Como será que eles poderão carregar essas informações pela vida toda se não houver a prática e a experiência diária permeando todo esse conhecimento?

Para mim, a escola deve ensinar a teoria sobre os alimentos, mas também apresentar propostas práticas todos os dias para que isto vire consciência e hábito alimentar saudável. Com a saúde do nosso corpo não se brinca; ele é resultado de nossas escolhas alimentares, de nossas vivências motoras e emocionais. Uma escola integral e integrada com a natureza também se preocupa com a alimentação das crianças, jovens e adultos que nela estejam inseridos.