quinta-feira, 7 de abril de 2016

Mágico: o que isto contribui para o desenvolvimento infantil?

Estava assistindo a um show de mágica para crianças, em um hotel, junto com minha sobrinha de 10 anos em um final de semana. As crianças sentaram-se à frente, cujo local estava reservado para elas, enquanto os adultos ficaram atrás. Quando começou, percebi o fascínio que as mágicas faziam para as crianças e também para os adultos; algumas eram realmente impressionantes e cheias de ilusionismo.

Algumas crianças menores choraram quando o coelho saiu da cartola; outras riram com o voo das pombas, querendo apanhá-las. Enfim, cada criança tinha uma reação com os diversos tipos de mágica apresentadas, mas o que me chamou a atenção foi o comentário específico de uma criança na saída do show. Ela disse assim: “Eu não gosto de mágica; me sinto uma boba sendo enganada por uma pessoa”. Aquele comentário me chamou a atenção e fui conversar com ela; tratava-se de uma garota de sete anos, e ela disse assim: “É tudo truque; tem baralho especial que vende em loja de mágica e eles jogam prá nos enganar! O mágico é só um mentiroso. Ele faz isso é prá enganar a gente”.

Confesso que fiquei perplexa com a reação da menina! Conversa vai, conversa vem, ela ainda disse “eu que não sou idiota; é tudo mentira e ilusão”. Nunca tinha pensado em mágica desta forma. Fiquei intrigada e pensei que a minha geração (quase 50 anos atrás) adorava show de mágica e de circo, mas esta geração atual, que é tão mais inteligente e perspicaz que a minha, que nasceu na era tecnológica... será que mágica é realmente algo importante para eles? Perguntei para a minha sobrinha de dez anos o que ela achava de mágica e ela me respondeu que tem algumas que ela gosta, têm outras que fica com raiva, e que com outras ela se sente enganada.

Pois bem: acho que temos que rever o conceito de magia na educação atual. Realmente mágicas nada mais são do que ilusão. E elas apresentadas assim, dentro de um show, acabam por não demonstrar de que há um objetivo em si; aí me lembrei que o “boom” da leitura infanto-juvenil tem sido o personagem Harry Potter... mas as mágicas que ele realiza têm um objetivo diante do contexto da história, enquanto que as dos shows de mágica não têm!


Às vezes achamos que devemos propiciar a fantasia para ampliar a imaginação das crianças, mas acredito que esse tipo de imaginação nada mais é do que a mais pura enganação. O que isto traz de positivo na mente desses pequenos? Vamos pensar juntos?

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