sexta-feira, 8 de maio de 2015

SUSTAINABLE PLAYROOM












“Vá trocar de roupa, assim eu não saio com você. Eu tenho vergonha de você”

Já pensaram em ouvir de alguém a quem você ama ter vergonha de sair com você por causa de uma roupa que usa ou que deixa de usar? Será que uma roupa é mais importante do que o que a pessoa realmente é? Eu já ouvi uma frase assim quando tinha 12 anos, de uma pessoa bem próxima, eu me lembro até hoje. Claro que, na época, doeu muito, mas os anos se passaram, eu perdi o contato com esta pessoa, e embora seja uma pessoa da minha família, quase nunca nos vemos porque moramos bem distantes.

Pais: cuidado com o que falam aos filhos, afilhados, sobrinhos... sua expressão tem um significado muito forte para as crianças. É muito duro ouvir de um adulto que ele sente vergonha de você! É muito ruim, em nada contribui para a autoestima, para algum tipo de ensinamento ou de aprendizado. Existem maneiras e maneiras de se falar sem ferir.  Se acha que a roupa esta inapropriada para o local aonde vão, que tal explicar o porquê de não colocar aquela roupa naquele local, mas falar com calma, explicando, educando. Uma maneira interessante é dizer para a criança, por exemplo, “vamos ao supermercado de roupa de piscina ou de praia? Vamos ao shopping de pijama? Vamos à praia de bota e blusa de lã?


Perguntar sempre para que a criança vá adquirindo discernimento e entendendo os por quês da vida. Infelizmente parece mais fácil humilhar, ridicularizar. Vejo isto ocorrer com tanta frequência em famílias dos mais diversos níveis sociais.  Se os seus pais fizeram isto com você, pergunte-se a si mesmo o que isso contribuiu para que você desenvolvesse a sua autoestima? Quanto você se ama e gosta de si? Quanto é feliz hoje com os comportamentos de seus pais para com você? Se não gostaram dos comportamentos que seus pais tinham com vocês, quando eram crianças, não reproduzam isso com seus filhos. Seria muito melhor dizer: “tenho orgulho de você, de sua capacidade, de sua maneira de se vestir, porém, acho que para aquele lugar, aquela festa esta roupa não está apropriada, vamos escolher outra juntos? ” Faça deste momento algo leve, uma boa diversão; ocupa muito tempo? Mas é importante ter tempo para quem amamos. Afinal, nossa vida é curta! Como é que vocês gostariam de ser lembrados quando partirem? Como pessoas agradáveis, seres humanos, de fato, ou como pessoas más, chatas, inconvenientes? Pensem nisso!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

“Se você ficar bonzinho eu te dou uma balinha”

Estava saindo de um restaurante quando duas crianças (meninos pequenos) estavam se dirigindo ao carro com o pai e com a babá. Sei que era a babá, pois já os tinha observado dentro do restaurante. Todos caminhavam suavemente, sem problemas; o menor estava andando com a babá na frente e o maior com o pai atrás.

O menor conversava com a babá querendo algo, e ela então disse que se ele ficasse bonzinho era lhe daria balinhas. Pura chantagem emocional! Então, adestramos crianças com chantagens? Mas será este o mais correto na educação?  Em minha opinião não! Se ele queria algo, o adulto deveria conversar se era possível realizar o seu desejo naquele momento, mas usar de chantagem, não! Até porque, na maior parte das vezes a promessa acaba não se cumprindo, então fica um erro sobre o outro dentro do processo de educação! Vejam só!


Criança é muito inteligente e aberta, capta tudo o que está ao seu redor; assim, acaba aprendendo a usar de chantagens da mesma forma como o adulto faz com ela. Depois, não adianta reclamar quando elas fazem “birra” (chantagem emocional) para querer algo; afinal, elas são ensinadas a terem esse tipo de comportamento! Chantagem com alimentos é pior ainda pode causar transtornos alimentares na adolescência, ou na vida adulta. Uma das piores coisas é ter alguém te chantageando emocionalmente, isto revela uma baixa autoestima e também insegurança. Será que queremos crianças fracas, adolescentes inseguros e adultos imaturos?

quarta-feira, 6 de maio de 2015

BRINQUEDOTECA SUSTENTÁVEL: Projeto Drª. Vanda Minini








“Sem fazer arte! Mais alguma recomendação... deixa ver”

Estava em uma livraria e vi uma cena que me deixou intrigada. Uma mãe, com dois filhos (uma menina e um menino) viam alguns livros infantis tranquilamente e acabaram escolhendo um livro cada um. Pensei comigo: olha só que bom! A mãe deixa os filhos escolherem o que eles querem ler! Dentro de mim eu já estava dando os parabéns para essa mãe quando, bastou pensar em elogio e a cena mudou de alegria e elogio prá feiura e tristeza. Vejam só:

A mãe foi pagar pela compra e logo que fez o pagamento, o menino de uns seis anos mais ou menos saiu na frente e foi andando, sem perceber que a mãe parou num estande da própria loja e ficou olhando os livros ali expostos. Quando ela percebeu que o filho não estava ao lado da irmã e próximo a ela, foi logo falando alto e repreendendo o garoto na frente de todos: “Cadê o João? Se ele não está aqui é porque está fazendo arte! Tá correndo na frente e se escondendo da gente! Que papel feio...” e aí o sermão foi disso prá pior, alto prá todo mundo ouvir! O menino, sem entender nada do que se passava, foi logo se justificando dizendo prá mãe que ele não tinha visto que ela havia parado e que ele continuou andando, indo prá saída da livraria.  Acho que justamente porque ele começou a falar e a se justificar, essa mãe achou que o filho a estava desacatando, sei lá, então, essa mãe, imbuída de todo o autoritarismo, por achar que o filho estava sendo mal criado, acabou por repreendê-lo na frente de todos que estavam ali perto, em tom áspero e bem alto!


Pais, por favo, não olhem somente o que as crianças fazem ou falam, mas pensem no por quê elas respondem àquilo que vocês dizem. Muitas vezes elas estão devolvendo a agressão que estão recebendo; outras vezes, nem estão sendo agressivas, mas apenas explicando os fatos. O grande problema é que com a vida agitada que os adultos levam, muitas vezes nem dá prá perceberem o erro que cometem. Pior ainda: o adulto, por se saber mais velho, acredita que a criança deva agir sempre com total submissão em pleno século XXI. Ora, pais: estamos no ano de 2015, uma nova era de pensar, de sentir, de agir e de se relacionar diante do mundo. Se vocês não acompanharem a evolução do comportamento infanto-juvenil acabarão ficando para trás. Ou será que já ficaram?

terça-feira, 5 de maio de 2015

“Pode tirar esta roupa!”

“... você vai com esta que separei, nem adianta chorar. Vai ter que colocar a que eu escolhi.”

Vejo muito esta cena ocorrer em alguns lares, e decidi escrever para alertar mães e pais. Se é para ir à igreja, a uma festa de aniversário, se é Natal, Ano Novo, ou mesmo outro evento importante na família, algumas mães separam roupas, calçados, meias e tudo mais, para que os filhos coloquem aquilo que elas querem aquilo que elas consideram importante para se vestir e usar, e não o que a criança gosta ou se sente confortável. Vocês devem estar pensando: “Mas está certo! A mãe não vai deixar o filho sair de qualquer jeito? Afinal, o que vão falar dela? Que não cuida, não olha, que é desleixada...” Quando as pessoas valorizam as aparências, elas vão falar mesmo, porque são assim, esse é o critério.

Agora, quando o que importa é a presença da pessoa, o prazer de se sentir bem estando com ela, então não damos valor à roupa, ao calçado, à própria aparência, porque o que importa é a presença e a felicidade de estar junto de alguém que amamos, de fato.


Outro aspecto importante que preciso ressaltar aqui é a questão da autonomia: as crianças precisam decidir o que vão vestir e como devem se vestir para onde vão; se a mãe é extremamente autoritária e controladora, não deixando que a criança decida e nem que opine sobre nada daquilo que diz respeito a sua vida, como é que a criança aprenderá a ter escolhas certas e autonomia para decidir o que é bom ou ruim para si mesma? É quando são pequenos que precisamos ensinar para, depois, não termos problemas na adolescência ou na vida adulta. Tudo se aprende na infância...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Pais dão pouca atenção para o filho que dá menos trabalho

Quando uma família tem dois ou mais filhos, cada um tem a sua personalidade e jeito de ser, ou seja, tem aquele que é quietinho, que estuda, que come direito, que não apresenta “problemas”... e tem outro que dá o que pensar o tempo todo. Pois bem, geralmente os filhos que não dão trabalho aos pais acabam recebendo um tratamento diferenciado ─ quase beirando ao esquecimento ─ porque os próprios pais acham que com esse filho não tem com o que se preocupar! Engano de vocês!

Esta criança que recebe menor atenção, ou carinho, por parte dos pais, pode se sentir injustiçada e, na adolescência, começar a fazer efeito contrário: dar o que pensar! A base de formação de todo ser humano se encontra na infância e, portanto, é uma fase que merece de cuidados e atenção dobrados por parte dos adultos. Além disso, cada adulto é uma referência para a criança, fazendo com que ela busque se espelhar nesse adulto, seja pelo lado da semelhança, seja pelo lado da oposição; só isso já exige de nós, adultos, que sejamos atentos com a forma como agimos em nossas vidas e, principalmente, como agimos com as crianças, com nossos filhos, independente do temperamento que cada um tem.


Um filho que dá menos trabalho, não significa que ele saiba se virar sozinho, e nem que não tenha ”problemas”; ao contrário, ele pode, sim, estar camuflando uma situação, ou até mesmo uma frustração. Ele vê e ouve tanto os pais chamarem a atenção daquele que dá trabalho, que pode acabar desenvolvendo uma atitude e um jeito camuflado de ser, cujo fio condutor seja o medo e, para tal, o disfarce e a mentira acabam servindo de escudo. Medo não é respeito, nem uma forma saudável de viver a vida. Medo é ter um freio de mão sempre puxado, olhando para os lados para saber qual o melhor jeito de ser diante daquele ambiente. Então, quando acentuamos, na criação dos filhos, que o “ser bonzinho” não precisa de presença, nem de atenção, e que o “problemático” precisa disso tudo de forma reforçada, vejam que informação estamos passando para o desenvolvimento de nossos filhos! Pais: deem a mesma atenção a ambos os tipos de temperamento. Sei que é difícil, mas é necessário!