quinta-feira, 31 de maio de 2012

Com quem será que fulano (a) vai casar: Namoro Infantil

Comecei o título com parte de uma música cantada muito em festas de aniversários infantis depois dos parabéns. Existe a música: “Com quem será? Com quem será que fulana (o) vai casar? Vai depender, vai depender se sicrano (a) vai querer.”

Conhecem esta música? Pois bem, vamos às reflexões.  Incentivamos as crianças desde pequenas a viverem algo que não está na fase da infância. Insistimos com outras perguntas do tipo: “Quem é o seu namoradinho (a) na escola?” Sei que isso é um comportamento cultural, mas em minha opinião precisa ser repensado.

Viver a infância, período que vai dos zero aos 12 anos de idade, é o momento das brincadeiras, das interações e das expressões por meio das linguagens. Momento de estimular, ampliar, diversificar e sistematizar o repertório cognitivo, afetivo e cultural da criança para que sua mente fique cheia de lembranças agradáveis, que farão toda a diferença na fase da adolescência e da vida adulta.

Um adulto saudável teve uma infância cheia de estímulos positivos, de carinho, atenção, afeto, enfim, amor. Não é o período de antecipar situações que se viverão mais adiante. Se quando crianças elas viverem cercadas de estímulos cognitivos e afetivos é claro que terão relacionamentos saudáveis quando maiores; agora, se estimuladas para situações que não estão na fase de desenvolvimento, isto será antecipado. É só observar o comportamento de adolescentes com 15 anos hoje e lembrar-se desta mesma idade há 10, 15, 20 anos. E quem está adiantado tudo é a mídia e nós, adultos, que permitimos que isso aconteça.  Muitas vezes antecipamos com músicas inocentes algo desnecessário, mas que faz parte de nossa cultura. Rever cultura é algo importantes para termos pessoas saudáveis.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cantinho do Pensamento

Já vi na TV em um programa de comportamento infantil. É uma pena que não posso citar nome aqui, mas todos já devem ter entendido do que estou falando. Voltemos ao assunto. A terapeuta indica que a criança fique em um canto pensando sobre o que fez, refletindo o seu erro.

Vamos pensar juntos na cena. Vejo algumas crianças sentadas no cantinho do pensamento, mas estão a fazer de tudo, menos pensando. Outra coisa: será que as crianças têm condições de repensar suas atitudes de fato? Digo, possuem consciência do certo e errado com tão pouca idade?

Eu conheço e vocês também, adultos que não conseguem pensar e repensar seus atos. Por que exigir isto dos pequenos desta forma? E pais e professores têm esta “mania” de exigir este comportamento.

Então o que fazer para que a criança pense e repense sobre suas atitudes?

Isto é um comportamento que tem que ser ensinado. Crianças com menos de 8 anos não sabem pensar e refletir sozinhas. Você, adulto, deve ensinar isto a elas. Sei que nas horas em que as crianças fazem algum tipo de comportamento, que você pai/mãe não aprova, muitas vezes elas conseguem tirar você do sério, e acabam vencendo por chantagem ou até mesmo por choros.

Esta não é uma tarefa fácil, mas o autocontrole é fundamental nestas horas. Calma e paciência para solucionar esta situação são as melhores saídas, gritar; xingar, se descabelar não são atos mais corretos. Deixar a criança pensando neste momento não a levará a refletir e poderá piorar a situação.

O melhor a fazer é esperar a sua raiva passar e depois conversar com as crianças sobre seus erros. Assim você educa.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Série Talentos II: Linguagem Plástica

Continuando nossa série sobre talentos, hoje irei falar sobre a linguagem plástica na educação dos pequenos. A arte é uma expressão humana, que também manifesta o que a humanidade tem de mais especial: seus sentimentos e emoções. O objetivo de trabalhar a linguagem plástica não está direcionado a produzir obras de arte em si, mas fazer com que cada criança aprenda a deixar suas marcas impressas no papel ou até mesmo em esculturas feitas com argila ou massa de modelar.

Quando as crianças estão desenhando ou modelando estão desenvolvendo a identidade e a autonomia de cada uma.  Não inibam suas criações, pois este é um momento rico de aprendizagem, de criatividade e de imaginação, que necessita ser experimentado e vivenciado pelos pequenos para que eles possam exercitar sua mente e seu afeto naquilo que está produzindo. Portanto, realizar a pintura de desenhos espontâneos ou até mesmo daqueles prontos com diversos materiais - guache, pincel, pintura a dedo, lápis, giz de cera, canetinhas, tinta plástica, cola colorida - é contribuir para o desenvolvimento da expressão da linguagem plástica.  Deixar com que as crianças desenhem em superfícies planas, lisas e rugosas - lixas de material de construção - também é importante para que elas possam perceber e estimular o cérebro, uma vez que o tato está sendo estimulado (ver o texto postado anteriormente: Como a criança aprende?).

Pais e professores, não fiquem preocupados com a sujeira que isto possa provocar,  principalmente se estamos mexendo com tintas e modelagens. Mais do que fazer sujeira (e muitos não fazem estas atividades por conta disto), vocês estão propiciando vivências únicas e isto fará toda a diferença na formação deste ser integral e integrado.  Sujeira se limpa, mas experiências não, ou se tem ou não...

Se as crianças pintarem paredes, sofás, ou qualquer outro local que não é o correto, em vez de brigar, xingar, deixar de castigo, explique, converse, ensine. Ninguém nasceu sabendo onde pode ou não pintar.  Objetos materiais podem ser trocados e/ou comprados, mas, a formação de uma criança pode ser comprada ou precisa ser desenvolvida? Educar ensinando é o melhor caminho.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Por que as crianças pequenas mordem uma as outras?

Quando nascemos para sobrevivermos precisamos nos alimentar e usamos, para isso, o movimento de sucção para satisfazer esta necessidade. Portanto, nossas primeiras experiências estão ligadas diretamente a este órgão do sentido.  Freud chama esta fase da criança de oral, quando ela sente o mundo por meio da boca.

Neste sentido nosso primeiro estímulo vem da boca, e os familiares muitas vezes falam assim para as crianças pequenas: – Você é tão linda (o), que vou te morder.  Deixa eu morder você? - Enfim, verbalizam e até mesmo dão mordidinhas nas crianças, expressando sentimentos de carinho, mas o que eles não percebem é que estão estimulando os pequenos a praticarem este mesmo gesto em outras crianças.

As crianças não realizam isto com outras por maldade, pelo contrário, é um sentimento de carinho, querendo dizer: Eu gosto de você. E muitos adultos não entendem por que as crianças fazem este gesto. Ensinam e depois acham ruim. Temos que pensar e repensar nossas atitudes o tempo todo com as crianças e identificar suas ações e reproduções de comportamentos que nós adultos fazemos com eles. A responsabilidade que temos na formação de uma criança é imensa, pois ensinamos tudo, tudo mesmo...

domingo, 27 de maio de 2012

Hora da roda de conversa: fala sensível


Este momento na rotina da educação infantil é de extrema relevância, se feito de maneira correta.  É a hora da expressão da fala sensível e também do ouvir o outro. Ela pode acontecer sempre que for necessário partilhar algum assunto de interesse do grupo, seja para decidir o que fazer ou até mesmo para conversar sobre a vida. O que não pode é ser um monólogo, em que a professora somente pergunta e muitas vezes até induz as respostas das crianças para aquilo que ela acha importante para o grupo e não para o que seja efetivamente do desejo deles.

Este tempo não pode ser burocrático ou de conversas óbvias, mas sim uma experiência de construção de laços de afetividades, de encontros e desencontros, de diálogo, de identidades e subjetividades, de respeito, de histórias partilhadas, emergindo a dimensão expressiva da linguagem.

Como é bom falar e ser ouvido por alguém. Vivemos num mundo bastante acelerado, que a prática da conversa, da expressão de sentimentos, está sendo esquecida, quer seja na família ou até mesmo nas instituições de educação. Se há algum tempo as famílias sentavam-se a suas mesas para se alimentar e conversar, hoje, com o mundo moderno e rápido, muitas vezes isto não acontece mais.  Acabamos não sabendo o que se passa com o outro que está tão perto, mas, ao mesmo tempo, tão distante de nós.

Falar e ouvir com respeito, poder expressar os sentimentos e emoções são ações que devem ser ensinadas às crianças. E nada melhor do que aproveitar esta prática na roda de conversa. Professores deixem as crianças falarem e se expressarem sobre determinado assunto sem pressa e sem a sensação de que estão perdendo tempo. É claro que esta prática precisa ser organizada, não dá para todo mundo falar ao mesmo tempo, mas isto é aprender a conviver em grupo.

sábado, 26 de maio de 2012

Formação continuada: espaço de saberes e fazeres dos professores e/ou pais


Muito se fala na educação infantil de que os professores precisam ensinar as crianças a desenvolverem a autonomia, mas fico me questionando. Damos esta autonomia para os professores no seu trabalho pedagógico, no cotidiano das instituições de ensino ou, muitas vezes, estes profissionais são sujeitos determinados por um sistema educacional que impõe práticas de acordo com o interesse econômico, político e social vigente?

Os espaços e tempos de formação continuada poderiam ser momentos para os professores pensem e repensem “na” e “sobre” sua ação cotidiana, no qual eles possam exprimir suas marcas, sendo autores de sua construção de saberes e fazeres, isto sim seria coerente. Se quisermos que as crianças sejam autoras de suas próprias vidas, os professores também precisam ter esta consciência e prática no seu cotidiano.

A formação continuada também deve ser um lugar de produção, de partilhas, de parceiras, de diálogos entre os profissionais. Não se trata de um horário para discutir tricô ou  receitas culinárias, como já vivenciei muita vezes  em algumas escolas. Antes, deve ser um tempo para refletir e tomar consciência do seu papel enquanto professor, principalmente levando-se em consideração o produto de seu trabalho,  que são as aprendizagens das crianças.

Também poderia ser um tempo em que pais e professores pudessem estar  juntos, aprendendo e refletindo sobre a proposta pedagógica, para que não haja discrepância quanto ao que se aprende  na família e na escola.  Para isto todos precisam estar estudando, revendo seus papeis e atitudes e, principalmente, tendo humildade para entender que ninguém sabe tudo e resolve todos os problemas do cotidiano infantil.

Formação continuada nada mais é do que um espaço e um tempo de aprendizagem. Estudar sempre, este é o lema, pois a sociedade muda e, consequentemente, a educação também entra neste processo de transformação constante. O ontem talvez não sirva mais, o hoje não sabemos com certeza como lidar, e o futuro não temos como prever.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Momento de chegada das crianças nas instituições de ensino

Algumas crianças chegam à escola com vontade, disposição, rindo e querendo brincar logo com seus coleguinhas; outras chegam chorando e querendo ficar mais um tempo com quem as levou, com certo estranhamento do local.  Isto não acontece somente no período de adaptação, mas durante todo o ano.

O momento de chegada das crianças no período em que estão matriculadas precisa ser pensado por pais e professores em conjunto. Este deve ser um tempo de acolhimento, de inserção, de pertencimento, de estreitamento das relações.

Os pais chegam com o que têm de mais precioso e, assim, entregam seus filhos  para alguém que irá ficar com eles por um certo período de tempo daquele dia.  Para alguns isto é normal e sem problemas, mas para outros pode parecer um sofrimento deixar as crianças com um estranho, somente porque são obrigados a trabalhar. Alguns pais também precisam repensar o seu comportamento nessa hora. Quando eles deixam as crianças e conversam com elas sem medos e receios, passa segurança, elas entram na escola com confiança e se adaptam todos os dias normalmente. Por outro lado, quando os pais fazem drama junto às crianças elas não se sentem seguras e podem demorar muito ou até mesmo não se adaptarem.

Pais e professores têm que repensar situações diferentes em que todos possam passar um certo tempo juntos, isso  é importante para a segurança e confiança das crianças. Nesse sentido, este período do dia também precisa estar inserido no planejamento.  Receber as crianças com música, teatro, brincadeiras diferenciadas, são algumas dicas que podem ajudar. Até mesmo os pais que possuem algum tempo podem e devem participar deste momento com os professores e as crianças.  Isto é a pedagogia da humanização, da construção do respeito e de identidades. Se nós adultos estranhamos ambientes e pessoas diferentes, com as crianças também não é diferente; portanto, não devemos exigir dos pequenos  comportamentos que nem nós conseguimos realizar. Pensem nisto...