segunda-feira, 31 de março de 2014

A espera do movimento do outro

Um pai me fez a seguinte indagação: “é dever da professora contar ao pai como foi o dia da criança na creche, ou eu tenho que perguntar todos os dias”? A princípio esta pergunta me soou com certa estranheza, mas depois entendi o que ele queria dizer. Na verdade, quando os pais buscam seus filhos (as) nas instituições, o horário é um pouco tumultuado, ainda mais quando chegam 2 ou 3 pais ao mesmo tempo.

Recomendo que, se a professora não fez o movimento de contar como foi o dia da criança, que vocês perguntem; sabe aquele ditado “perguntar não ofende”?, então,  é isto que deve ser mantido. Não tenham vergonha ou medo que a professora ache ruim, pelo contrário, estabeleça uma relação de confiança de ambas às partes, pensem sempre no melhor para a criança.

Não existe obrigação de um ou de outro; deveria existir, sim, cordialidade, amizade, respeito, carinho; isto é o mais correto. Toda relação precisa ser construída de forma positiva e, para tal, é necessário que um ou outro dê o primeiro passo. Não julgue sem entender os porquês dos fatos/acontecimentos, sem observar o que se passa, e como é cada ser humano. Já pensaram que a professora também pode ter a mesma dúvida da pergunta citada acima? Coloque-se sempre no lugar do outro; assim, você entenderá melhor a dinâmica desta relação, que não é um ringue e sim uma complementaridade sempre. Seus filhos (as) agradecem.


sexta-feira, 28 de março de 2014

Primavera, verão, outono, inverno... É preciso incentivar as crianças a beberem água

Em todos os períodos do ano é importantíssimo que as crianças ingiram líquido, isto todos sabem, mas algumas mães me perguntam como fazer esta façanha se as crianças estão brincando e se esquecem de tomar água?

Vamos à resposta: Quando as crianças estão concentradas em algum brinquedo e/ou brincadeiras de que gostam, geralmente elas não se lembram de tomar água, banho e nem de comer; são os adultos que devem lembrá-las a todo momento. Mas vejo alguns adultos tendo atitudes errôneas, por exemplo, ficam chamando ─ quando não gritam ─ as crianças: ”Vem tomar água”. E elas respondem: “...espera um pouquinho, já vou”. E este espera um pouquinho demora um século para nós adultos. Muitos adultos acabam gritando e ficando com tanta raiva deste “espera um pouquinho” que acabam agredindo verbalmente ou até mesmo fisicamente uma criança. E esta, não é a melhor saída!

Que tal levar água até elas, ou então pegar água para você e dizer se elas querem água naquele momento? Quando damos o exemplo fica mais fácil para os pequenos aceitarem beber água. Verbalize assim: “eu vou beber água, você quer?” Se a resposta for “sim”, perguntem novamente com calma: “você quer o copo cheio ou não?” Deixe-as colocar água no copo, sozinhas, e para isto, coloque o líquido em um recipiente que a criança seja capaz de pegar e de se servir; se cair água no chão, não brigue, mas explique como fazer da próxima vez; talvez ela tenha virado rápido demais. Verbalize que não tem problema, que água no chão seca rápido, ainda mais com este calor, sem estresse! Estas pequenas atitudes fazem a diferença e demonstram interesse, carinho, cuidado e levam à autonomia. Gestos primordiais para construir um ser humano saudável.


quinta-feira, 27 de março de 2014

Variar as atividades sempre!

Esta história é um relato de uma ex-aluna que estava estagiando com crianças de 4 anos; ela me perguntou: “Professora, por que as professoras cantam e contam sempre as mesmas histórias? As crianças não cansam? Porque eu já estava enjoada e, pior,  as histórias são sempre as mesmas, não mudam!” Bem, vamos à resposta: as crianças precisam aprender a ter criatividade, imaginação e, para isto, é necessário ampliar o seu mundo cultural! Então, ficar sempre cantando ou contando as mesmas músicas e histórias, por mais que as crianças possam pedir ─ por que ainda não compreenderam toda a história ─ é importante que elas não sejam sempre as mesmas! É importante que novos aprendizados aconteçam e, para isto, novos modelos precisam ser apresentados. Portanto, é necessário variar, sim, as histórias e as músicas.

O professor deve oferecer todas as linguagens possíveis para as crianças e isto inclui vários ritmos musicais e várias histórias. Se possível, contem histórias que se passam uns com os outros porque isto também é aprendizagem! Ouvir histórias é algo que necessita de estímulo; alguns adultos não sabem ouvir histórias dos outros por que não foram treinados quando crianças.  Há algum tempo atrás, os avós tinham este papel; reuniam-se as famílias e os mais velhos contavam os “causos”; mas parece que isto está se perdendo na modernidade pela falta de tempo para se reunir e também porque há outros estímulos externos dentro deste mundo tecnológico e consumista que temos. Mas precisamos ativar o “sermos ouvidos” porque isto evita algumas doenças psicológicas; quando nos aproximamos mais, aprendemos a compartilhar experiências e não nos sentimos isolados no mundo.


Quantos de vocês que leem o texto agora gostariam de ter alguém que o ouvisse, somente por 5 minutos, e não têm? Então, vamos incentivar as crianças a contarem seus “causos” porque isso é uma maneira de estimulá-las a formar a história mentalmente para, depois, no período da alfabetização, poderem escrevê-las;  afinal,  ninguém escreve do nada, nem eu! Primeiro é preciso observar a cena, depois formatá-la em minha mente para, depois, passar para o computador. Que tal começar com este procedimento com os alunos desde pequenos? Variem as histórias e as músicas, o desenvolvimento infantil agradece!  

quarta-feira, 26 de março de 2014

Não espere a atitude de uma criança. O adulto é o exemplo sempre!

Um casal estava se separando, e a mãe preocupada com sua filha de 3 anos me contou a história que relatarei a  vocês, já que muitas pessoas podem estar passando por um problema semelhante.

Vamos lá... O pai possui gordura mórbida, ou seja, está bem acima de seu peso ideal e, por conta disto, estava projetando na ex-mulher todas as suas frustrações e problemas, em vez de procurar ajuda e se conscientizar de que o problema era ele; mas isto estou relatando só para que vocês possam entender toda a história. O pai, na verdade não queria a separação e, por isso, estava fazendo chantagens absurdas para a ex-mulher; até aqui o problema era dos adultos. Mas sem noção da gravidade do problema, ele dizia tudo à menina de 3 anos que iria embora da casa por causa da mãe,  fazendo um inferno na cabeça da criança. A menina começou a não querer beijar ou até mesmo abraçar mais o pai, e isso podemos até considerar normal, uma vez que o mesmo é que estava causando grande confusão na cabecinha da filha. Foi quando a mãe veio pedir a minha ajuda e me perguntou: “o que eu faço para amenizar esta situação? Eu quero que minha filha goste do pai, ela precisa ter um exemplo de pai, não quero que ela tenha uma imagem negativa dele, afinal, ela é filha dele e quem está se separando sou eu.”

Bem, a situação é bastante complicada, uma vez que o pai não tem autoestima e usa de chantagens emocionais das mais baratas para querer controlar uma situação que ele acha que deve manter. Sei que separação é complicada, mas envolver a criança não está certo! Esta repulsa da criança em relação ao pai é normal, uma vez que, ela percebe que algo está errado. Perguntei se o pai quer manter a aproximação com a filha, de fato, ou se está usando a criança para querer que a mãe ceda. Ela me respondeu que, pensando bem, ele nunca foi de abraçar e beijar a menina tanto assim, e que de uns tempos para cá, depois que ela falou sobre a  separação, ele começou a procurar mais carinho, justamente para impedir a continuidade do processo.  Este é o grande problema: usar a filha como salva-vidas para uma situação que ele não quer aceitar que é a separação do casal. E pior ainda, exige carinho e não procura esperar que a criança de 3 anos o procurasse. Isto é bastante difícil porque uma criança é espontânea e percebe tudo o que se passa a seu redor; é o adulto que tem de procurá-la, e não o contrário! Como exigir de uma criança tão pequena uma manifestação de carinho se ela não recebe, ou o recebe de modo forjado? A vida é ação e reação. Se quiser amor, primeiro tenha-o por si próprio, depois o distribua sem querer nada em troca. Isto é o verdadeiro amor por alguém. Reflitam... 


terça-feira, 25 de março de 2014

Como proceder nos horários das refeições?

Muitas famílias, por conta de horários de trabalho e de outras atividades que o ritmo da vida exige, não conseguem almoçar todos juntos, sentados em torno de uma mesa; isso até dá para entender em função da vida moderna que vivemos. Algumas famílias, nem no horário do jantar conseguem realizar esta façanha.

No entanto, quando puderem ─ nos finais de semana, ou sempre que possível ─ parem tudo e façam as refeições juntos, à mesa. Isto é importante e está sendo esquecido por algumas famílias. Este gesto nos remete à confraternização que não deve existir somente em datas especiais, mas em todos os dias e/ou todos os finais de semana: a confraternização de sermos presentes, de estarmos presentes, de podermos conviver!

Confraternizar significa unir, possuir sentimentos, poder expressá-los, ser ouvido e ouvir. Enfim, poder estar e se sentir junto uns com os outros. Este tipo de atitude promove a qualidade de vida da família, uma vez que os sentimentos de pertencimento e segurança podem estar presentes. Uma família unida é aquela que o respeito uns pelos outros está presente o tempo todo. Difícil é, em termos de modernidade, ter estes comportamentos porque as opiniões, crenças e tempos uns para com os outros está bastante disperso. Não basta querer devemos praticar. Pequenas atitudes fazem a diferença para existir uma família melhor. Cobranças, julgamentos, reclamações e negações ao acolhimento não leva ninguém a lugar algum de forma construtiva! Se quiserem que sua família seja construtiva nos laços familiares, tem que se desenvolver esta união realizando as refeições todos juntos! Isso pode ser um grande começo. Mas não é para ninguém ficar nos celulares e outros dispositivos móveis, em redes sociais, de olho na TV, enfim... é para se  sentar todos juntos, comerem, conversar sobre assuntos sérios, ou não. Jogar conversa fora às vezes é tão bom, damos boas risadas e assim desopilamos nosso fígado.   Pensem sobre o assunto, façam as refeições juntos e se divirtam! Sejam felizes com as pequenas coisas da vida.


segunda-feira, 24 de março de 2014

“As crianças precisam gastar energia, assim dão sossego”

Ouvi esta frase proferida numa reunião de adultos com crianças em um hotel. Uma mãe, por que não é maternal (texto postado em outra ocasião: diferença entre ser mãe e maternal) dizia isto o tempo todo aos filhos. E quando eles chegavam por perto ela ainda dizia: “dá um tempo eu também tenho que ter férias, se vira”.

Às vezes diante destas indignações fico pensando por que as pessoas querem ter filhos (as); criança exige tempo ─ e muito! ─ exige carinho, dedicação. Não é só colocar as crianças no mundo, mas principalmente saber conviver e amar. 

Quando dizemos a uma “criança dá um tempo”, ou até mesmo o título proferido acima, existe um sentimento entrelinhas que é “eu não aguento mais a sua presença!” Quando se ama alguém, de fato, você não quer ficar longe da pessoa; e mais, quando estamos perto queremos dividir todos os momentos juntos porque é prazeroso, porque são momentos enriquecedores para ambas as partes. Participar da vida do outro não é se intrometer, mas gostar de estar junto; este é o verdadeiro sentimento de ser maternal. Fico imaginando como estas crianças serão quando adolescentes e adultas se não recebem, quando pequenas,  afetividade e maior participação por parte de quem nasceram, suas mães.



quinta-feira, 20 de março de 2014

“Corre, estamos atrasados para a apresentação”

Estava em um sábado, em uma instituição de ensino fazendo um trabalhão para a pós-graduação, quando presenciei a cena que preciso descrevê-la aqui: a criança estava toda vestida com roupa de balé e a mãe a puxava loucamente pelos braços para correr para o ginásio de esportes, dentro da própria instituição. A menina deveria ter uns cinco anos de idade, e  começou a chorar por que dizia que a mãe a estava machucando, que estava cansada e  que suas pernas estavam doendo.

Fiquei indignada com esta situação! Se a menina iria se apresentar, caberia aos adultos controlarem os horários para que não se atrasasse. Isso porque a criança não sabe ver hora e nem tão pouco sabe medir o tempo suficiente que dá para se levantar, comer, se vestir e sair para sua apresentação;  isto é de extrema responsabilidade do adulto.


Puxar a criança pelos braços, correr com a mesma, não estava ajudando e educando em nada esta menina! Ao contrário, a mesma estava exausta, aflita,  como poderia fazer uma boa apresentação se suas pernas estavam cansadas? Por que teria que correr para acompanhar as pernas de um adulto desesperado? Como esta menina poderia se sair bem em uma apresentação que exige leveza de movimentos e delicadeza nos passos? Fico pensando como estas mães obrigam seus filhos (as) em cada situação... pior que isso, educam o errado, e é tão fácil educar o correto! É só prestar atenção no que fazem!