quarta-feira, 9 de abril de 2014

Deixar errar é acertar

Muitas vezes os pais ─ por medo ou até mesmo por sentimentos de culpa ─ não deixam com que seus filhos errem, tentando amenizar os erros sempre. Isto não é ensinar a viver, de fato, por que quando somos adultos os erros também fazem parte do dia a dia.

Aprendemos com os erros e com os acertos, sendo que é preciso experimentar cada minuto da vida. Viver é uma constante transformação a cada momento; nenhum pôr do sol será mais igual ao que foi o de ontem, e nem será igual ao de amanhã.


Os erros fazem parte do aprendizado! Pais deixem seus filhos errarem, deixem que voem com suas próprias asas! Se eles errarem, saibam acolher, saibam consertar as suas asinhas e permitir que eles sigam em frente! Deixem que cada um possa viver a sua própria vida. Aceitem-nos como são sem querer viver a vida deles. Se você já errou, deixe-os livres também para errar. Isso é ensinar a ter escolhas e a assumir as consequências geradas por elas, pois, quando se erra, ou se acerta, acabamos colhendo os efeitos daquilo que fizemos!   Não projetem em seus filhos a sua vida porque o que vocês fizeram no passado, com certeza teria um significado diferente para os dias de hoje, porque o mundo está em eterno movimento, ou seja, o mundo muda e já mudou!  Podemos verificar que os valores são significativos e importantes, mas que as experiências são outras, novas, compatíveis com a realidade atual, com pessoas diferentes, momentos diferentes, ambientes diferentes... enfim, acaba sendo tudo  diferente daquilo que você viveu. Errando ou acertando vamos  (...) “viver e não ter a vergonha de ser feliz” (Gonzaguinha). 

terça-feira, 8 de abril de 2014

Exploração de objetos: o que isto significa de fato?

Explorar é um convite à ação, é mexer, virar, jogar no chão, verificar seu tamanho, peso, altura, largura, comprimento, é perceber se tem cheiro, se tem cor, se é liso ou rugoso, enfim, é sentir o objeto em toda sua extensão física. Mas como fazer isto se falamos para as crianças o tempo todo, “não mexe aí”?

As crianças precisam interagir com o objeto para que seu cérebro possa estabelecer conexões e se desenvolver; mais do que isto, é necessário que as sinapses ocorram de tal forma que as crianças possam aprender que há diferenças entre os diversos objetos que existem no mundo. Podemos ensinar o nome das cores, mas a percepção das diferenças entre elas é algo que precisa ser efetivado por meio de suas estruturas mentais (seu cérebro). Esta percepção só acontecerá se as crianças puderem experimentar novas sensações sempre. Portanto, quando digo que é necessário variar os estímulos em sala de aula/espaço de referência é por que as crianças precisam que seu cérebro estabeleça novas aprendizagens e isto só acontecerá se os materiais e o ambiente estiverem proporcionando tais experiências.


Quando vou às instituições de educação infantil e vejo caixas de brinquedos intactas, muitas vezes guardadas na sala da coordenação, fico triste porque sei que as crianças não podem mexer nestes jogos e brinquedos. Ora! As prateleiras não precisam estabelecer diferenças porque são de madeira; mas as crianças precisam! Por favor, não cometam este crime, porque estão perdendo oportunidades de aprendizagens que farão toda a diferença na vida adolescente e adulta deste ser humano.  Madeira não é gente, e gente miúda precisa brincar, explorar, quebrar... por que não? Se nem mesmo nós ficaremos para sempre neste mundo ─ um dia morreremos─ por que os jogos e brinquedos precisam ser eternos?

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Crianças com diferentes idades juntas: vantagens e desvantagens

Uma professora de educação infantil me perguntou: “Quais são as vantagens e desvantagens se as crianças estiverem com idades diferenciadas na mesma sala de aula/espaço de referência?

Vamos às respostas... Em casa os filhos também possuem diferentes idades e ocupam o mesmo espaço: o lar. Não há nada de errado nas misturas das idades, porém, alguns cuidados deverão existir. Por exemplo: as atividades e/ou situações significativas não podem ser as mesmas, porque os interesses são outros. Tem mais um problema: os mais velhos jamais podem fazer alguma atividade e/ou situação significativa pelas crianças menores porque isso acarretaria em podar as menores de suas experiências e vivências. Por outro lado, os mais velhos também não poderiam fazer dos pequenos seus serviçais, acarretando uma relação também absurda e castradora. Respeitado estes cuidados, a vivência poderá ser muito saudável, tendo em vista que os mais velhos acabam sendo, na maior parte das vezes, exemplos para os pequenos.


Existe um filme francês, cujo título foi traduzido para o português como “Ter e Ser”  e que exemplifica bem este fato.  É a história de um professor que tem crianças de várias idades em sua sala de aula, convivendo no mesmo espaço e compartilhando, praticamente, das mesmas experiências; no entanto, o professor acaba sabendo diversificar cada uma das atividades dadas, de acordo com as idades e com a possibilidade de realização de cada uma das crianças. Se puderem assistir, assistam! É um filme que traz diversos exemplos de aprender a se adaptar diante desse contexto. É  bastante interessante, vale a pena ver!  

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Criança precisa sentir prazer no que está fazendo

Assim como nós, adultos, temos que gostar do que fazemos para nos sentirmos realizados, as crianças também precisam aprender a ter este comportamento. Para isto, elas precisam de incentivo do adulto e de elogios a o que estão fazendo, sem críticas e sem repreensões, ou mesmo sem ficar dizendo todo o tempo para elas que o que estão fazendo está errado, inadequado, ruim! Vejo em algumas instituições de ensino professores dizendo às crianças que elas não estão pintando certo, ou não estão desenhando direito! Mas, então, eu lhes pergunto: o que é pintar certo ou errado com 4 ou 5 anos de idade?

De tanto minhas professoras, lá no passado, falarem que eu não sabia desenhar, hoje eu sei que mal consigo fazer alguns rabiscos, e quando preciso desenhar de forma ilustrativa uma criança, faço uma bolinha representando a cabeça, pauzinhos para o corpo, pernas e braços... e isto acaba sendo o meu desenho de criança. E olha que eu tenho hoje 46 anos de idade! Para os especialistas que adoram decifrar os desenhos das crianças, muitas vezes dizendo e interpretando coisas absurdas como, por exemplo, em que fase esta criança está com um desenho dessa forma, com essa idade...?  Bem, eu responderia com aquilo que eu costumo dizer em minhas palestras: nós podemos construir ou destruir a aprendizagem de um ser humano.


Malditas aquelas professoras que destruíram os meus sonhos de desenhista quando eu estava na infância! Agora, já era! Muitos professores têm estas atitudes errôneas de cobrança ou de imposição, acreditando que estão fazendo o certo, mas não estão! Isto pode acabar com o prazer de alguém de desenhar, de se expressar por meio dessa linguagem e depois... fazer o quê? Talvez eu pudesse chegar a ser, sei lá, “uma Picasso”, mas acabei não sendo. Quantas habilidades são podadas nas crianças fazendo com que, quando adultas, fiquem marcadas para sempre! Enfim, elogios e incentivos positivos são o melhor a se fazer, e isso não custa nada! Se não lhe elogiaram quando criança, não repita isto agora que você tomou consciência e viu o estrago que ficou! Seja diferente do que foram com você! Seja humano acima de tudo!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Educação Infantil: lugar da comunidade ou do poder público?

Fico me perguntando por que as instituições de educação, de um modo geral, não são destinadas à comunidade e, muitas vezes, não passam de programas políticos para campanhas de publicidade eleitoreira. Isto me revolta porque a educação não pode ser manobra do poder público.

Vejo alguns municípios que empreendem na educação infantil e que depois de quatro anos, quando muda o prefeito, tudo muda e o que o outro fez ─ ou começou a fazer ─ acaba virando pó para ter um outro recomeço... tudo outra vez, às vezes coisas tão distintas e diferentes do que estava vigorando, ou seja, mudam-se as Secretarias de Educação e tudo recomeça com um novo jeito!


Enquanto fizermos isto no Brasil, com a nossa educação infantil, não teremos avanços efetivos, mas sim começos e recomeços, sempre! E então, como ficam as crianças, os pais e a comunidade em geral?   As instituições de ensino infantil devem ser espaços para e da comunidade. É um local que deve atender às crianças, aos pais e à comunidade em geral. Deve ser aberto aos finais de semana para que todos possam usufruir do parquinho, por exemplo, da quadra de esportes, dos bancos e espaços coletivos à sombra das árvores, enfim, é claro que com muita conversa e diálogo, por ser um local que precisa estar em boas condições sempre para atender aos alunos durante o período letivo. Assim, é bom observar que quando  uma  comunidade se apropria de um determinado local para o seu lazer ou para o simples encontro para conversar em comunidade,  ela cuida, zela, mantém! Mas quando as pessoas se sentem banidas, excluídas, é mais fácil elas depredarem porque é como se isso não lhes pertencesse. É tão simples de entender! Tudo o que me pertence faz com que eu cuide! É esse o sentimento que as pessoas devem ter por algo público, já que é de todos.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Criança ativa: professores passivos

Dizemos tanto na área da educação infantil que as crianças são ativas, que precisam explorar, manipular, experimentar, e vivenciar situações de aprendizagens novas... mas será que nossos professores são ativos também?

Às vezes visito alguns estabelecimentos de educação infantil que fico impressionada, para não dizer indignada! Vejo salas de aula/espaço de referência tão sem vida, ou melhor, professores que mais parecem estarem se arrastando pela vida, esperando o dia de morrer.


O pior é que são exemplos para as crianças pequenas. Agora, eu lhes pergunto como serem exemplos de altivez para um ser de zero a cinco anos, se mal conseguem viver o dia a dia?  Se vivem doentes, reclamando de tudo, sendo grosseiros consigo mesmos e com os outros que os rodeiam... isto é exemplo para a criança ser ativa? Como querem que uma criança, de tão pouca idade,  que ainda está formando o discernimento do que seja viver, seja uma criança saudável? Muitas instituições que visito estão ─ isto sim ─ doentes, ou melhor, abrigando profissionais doentes! Vocês devem estar se perguntando, mas a vida não é fácil, não é mesmo? Mas as escolhas somos nós que fazemos. Podemos escolher sermos pessoas ativas, vibrantes, conquistadoras, ou pessoas chatas, de mal com a vida. Se escolhermos sermos ativos, tudo muda a nossa volta! Pessoas ou situações desanimadoras com as quais convivíamos, passarão a ir embora, a não se sentirem bem em nossa companhia, porque não aguentarão tanto otimismo e fortaleza!  Sejamos fortalezas para sermos ótimos exemplos de VIDA para as crianças que, um dia, também serão adultos como nós! Para sermos ativos precisamos conhecer a nós mesmos e à vida. Quem acha que acabou uma faculdade e que nunca mais precisará estudar está enganado, porque a sociedade muda, os comportamentos mudam e nós precisamos estar sempre atualizados e ATIVOS. Sempre VIVOS diante da VIDA!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Creche: direito das mães trabalhadoras ou da criança?

A creche não pode ser um espaço como um orfanato, nem somente um lugar de cuidados fisiológicos, ou assistencialistas (local onde as crianças ficam para que suas mães possam trabalhar), nem um lugar de filantropia e, muito menos, de caráter religioso.

De acordo com a Constituição de 1988 e a LDB nº 9394/96, as creches devem ser um direito das crianças. Esta visão muda totalmente o enfoque dado às mesmas até a data da promulgação de tais leis.   Bem... isto tudo no papel.. mas será que na prática isto acontece de fato? Tenho minhas dúvidas. Vejo em alguns lugares serem construídas, pelos órgãos públicos, creches que levam o nome de “Nave Mãe”, como é o caso da Prefeitura de Campinas, no Estado de São Paulo. Mas vocês devem estar pensando, “Nave Mãe” deve ser apenas um nome. Mas será que um nome não deve remeter, também, à ideia de uma proposta pedagógica? Então, qual seria a proposta pedagógica de uma determinada administração educacional quando esta ainda se remete às creches como um substituto para as mães?


As creches devem ser um espaço com sentido educativo e não como um substituto ao lar ou às  mães; também não devem ser um lugar para que as crianças passem horas enquanto suas mães trabalham. Creche é muito mais do que isto; é nela que estão inseridos os tesouros de nossa sociedade. A base psicológica de uma criança se forma dos zero aos sete anos; nesse período, seu cérebro está ainda se fechando e estabelecendo conexões, e isto precisa ser levando em consideração! Mais que isso: é necessário consciência de que são estes os anos cruciais na vida de um ser humano, e ele não pode ser tratado como mais um; ao contrário, precisa de cuidados e atenções especiais, individualizados, por que cada criança é única.  Este espaço precisa de uma organização didática capaz de tornar um desenvolvimento saudável, onde as forças sociais sejam realmente pensadas para criar um lugar onde se formam significados compartilhados, propiciando à formação de uma identidade própria. Cada creche também é única, não podemos achar que todas devam ser iguais! Existem as diferenças territoriais, culturais, sociais e econômicas de um município para o outro, até de uma região dentro de um mesmo município, para outra. Apenas devemos nos ater qual é a proposta pedagógica do município e como ele distribui suas verbas e recursos humanos que garantam este direito da criança e não das mães trabalhadoras. Pensando assim, não se pode matricular crianças em creches visando a carteira de trabalho das mães, ou até mesmo a um atestado de trabalho. TODAS as crianças têm direito a este espaço, independente se sua mãe trabalha, ou não! Vejo algumas falas de professores assim: “aquela mãe não trabalha, então por que não fica em casa com seus filhos? Coloca as crianças aqui para ficar passeando por ai, ocupando a vaga de mãe que trabalha e precisa deixar o filho aqui na creche.” Bem, de minha parte, eu amenizei a fala por que algumas são bem piores que esta que usei no exemplo! De qualquer forma, tenho um recado para estes profissionais que pensam assim: independente da mãe ser assim ou assado dentro do sistema social, a creche é um direito da criança, portanto, não adianta reclamar; que tal cumprir com seu papel de forma correta?