terça-feira, 19 de maio de 2015

Cuide de seus pensamentos e falas

Vejo muitas famílias reclamarem o tempo todo, de tudo, na frente das crianças. Se está sol e calor, reclamam; se está chovendo, também reclamam... ou seja, são pessoas adultas que nunca estão satisfeitas com nada. E neste ambiente de eternas reclamações existem crianças absorvendo tudo, já que os adultos são os exemplos para as crianças.

Pessoas realizadas não reclamam, mas enfrentam as dificuldades sem medo. Um ambiente encorajador de pessoas que veem o lado positivo da vida mostra aquelas que agradecem se o dia está quente, e ficam gratas com a chuva, pois entendem que nenhum dia é igual ao outro e que tudo passa.


Minha preocupação são as crianças que vivem neste ambiente sombrio de reclamações o tempo todo: como poderão se desenvolver de forma saudável se tudo que está a sua volta é ruim?    Como ser um adolescente que busca sua independência de pensamentos, sentimentos e ações positivas se em seu entorno tudo é reclamação e nada há de gratidão? O ato de agradecer e a gratidão fazem parte da vida positiva de uma pessoa para que ela possa adquirir novos e maiores desafios que a vida lhe impõe. Pessoas positivas agradecem pelo dia quente, pelo dia chuvoso entendendo que a vida é feita de momentos, que tudo é passageiro e que, acima de tudo, a vida está presente. A vida se manifesta com o seu tempo, a sua forma e a sua força e, neste plano, a vida é passageira; não sabemos quanto tempo estaremos por aqui, afinal, temos um dia de entrada, mas não sabemos o dia da saída. Então, por que não buscar ser feliz no tempo que estamos aqui? Para que isso seja possível precisamos de modelos de adultos realizados, felizes e agradecidos.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A Criança vence os adultos por birra: certo ou errado?

Estava na fila de uma loja de departamentos de um shopping, e na minha frente estavam uma mulher, um homem e um menino de uns 4 anos. Enquanto os pais pagavam a conta, o garoto foi até a prateleira e pegou um cinto do Homem Aranha. Ele experimentou sozinho e colocou para os pais pagarem. A mãe logo disse que não iria levar, enquanto o pai não se manifestou em nada. Nesse momento, o garoto simulou que iria bater na mãe com o cinto, fazendo isso na frente de todos que estavam naquela fila do caixa, dentro da loja. Bem, chegando a sua vez de pagar pelas compras feitas, a senhora colocou sobre o balcão os produtos que havia escolhido e sobre os quais estaria realizando o pagamento, e o cinto do Homem Aranha ela o manteve dentro da sacola da loja.  Deu uns passos e se dirigiu para o outro lado do caixa para aguardar o pacote com suas compras. Nesse momento o filho, dando uma de esperto, pegou o cinto e o colocou junto das compras no momento em que a mãe se afastava e o pai inseria o cartão de pagamento na máquina. Ele insistiu com o pai e este, diante da solicitação do filho, pediu à moça do caixa que colocasse o produto na conta. A mãe, por sua vez, quando percebeu a manobra do filho e a concordância do marido, ficou inconformada e disse que aquilo estava errado, que não se poderia dar ao garoto tudo o que ele queria, que se fosse assim sempre ele acabaria querendo cada vez mais, enfim, falou e falou, enquanto o pai pouco lhe ouvia; acabou pagando pelo produto e o menino agradeceu-lhe bastante alegre! Vamos às análises:

Não pode haver discrepância de atitudes entre pai e mãe ─ principalmente na frente da criança e de pessoas estranhas ─ porque isso acaba gerando um fator de que um fica como bonzinho e o outro como o mau. Quando a criança percebe isto, ela tende a se aproveitar dessa situação para fazer cada vez mais chantagens. O menino ameaçou bater na mãe, mas não no pai. Por quê?  Provavelmente, porque esse tipo de situação já ocorreu outras vezes: a mãe é a chata e a castradora, enquanto o pai é o benevolente e generoso.

Não devemos dar tudo o que a criança quer, principalmente na hora que ela quer. Isso não é educativo, não auxilia de forma alguma no desenvolvimento da personalidade e da compreensão da vida social. Afinal, a vida adulta é cheia de limites e de frustrações e as crianças devem aprender a lidar com isso desde pequenas. Atrás de mim, na fila daquela loja, estavam duas senhoras conversando e observando a cena que eu acabo de relatar; nessa conversa eu ouvia o que uma dizia prá outra: “Eu dei pro meu, quando era pequeno, tudo o que ele queria, cedi a todas as chantagens que ele me fazia, principalmente porque eu ficava longe dele o dia todo porque eu trabalhava. Hoje, com 22 anos, eu não consigo mais dar o que ele quer. Mal consigo pagar a faculdade, mas ele quer trocar de carro, quer roupa de marca, tênis caro... Nossa! Como eu me arrependo de não ter dado um breque naquele tempo!” 

Então, pais: Nós nunca sabemos como será o dia de amanhã. Vamos imaginar que o rapaz de 22 anos pudesse ter, ainda, todas as coisas que o dinheiro pode comprar... mas apaixonou-se loucamente por uma garota que apenas o quer como um amigo, um colega de faculdade; imaginemos que essa garota também estivesse apaixonada por outro rapaz, namorando e sendo feliz. Quem é que vai dar, agora, a esse rapaz que se acostumou a ter tudo o que queria, a garota pela qual ele está apaixonado? E se ele não a conseguir, o que fará para lidar com essa frustração, se ele nunca esteve sujeito a isso?
Pois bem: limites se aprendem na vida, dos zero aos sete anos, principalmente!


sexta-feira, 15 de maio de 2015

“Não chore, não é nada sério!”

Quando alguém está chorando, algum motivo tem. Choramos de alegria, ou de tristeza, mas nunca em vão. Chorar é expressar uma emoção ou um sentimento que guardamos dentro de nós. Chorar é algo sério. Então, por que dizer a uma criança que o choro não é algo sério? A criança chora de fome, de dor, de raiva, de alegria... algum motivo tem e identificar este motivo requer, por parte do adulto, uma observação do que está acontecendo naquele momento.

Muitos pais ignoram este fato e acham que é frescura. No lugar de perguntarem o que está acontecendo, poderiam perguntar: “Posso te ajudar de alguma forma?” Mas, não! Acabam não dando importância ao fato e ─ acreditem ─ isso dói ainda mais para a criança! Então, ter uma atitude de demonstrar que você está junto com ela, independente de qualquer situação, é mostrar carinho e afeto, é dar segurança a um momento de incertezas e de dúvidas. É dizer assim: “Filho, estou com você para o que você precisar. Conte comigo sempre!” Sim, porque quando um adulto expressa diante de uma criança o que ele está sentindo, isso é muito importante porque traz proximidade, confiança, e acaba ensinando à criança que ela precisa aprender a se expressar e a colocar para fora o que ela sente, como pensa diante do fato/situação, como pode agir sem se ferir e sem ferir ao outro.

Expressar as emoções e sentimentos é importante para a saúde psíquica de qualquer ser humano. Incentivar a falar sobre o choro é importante, ao invés de ter que engoli-lo. Às vezes, para um adulto, as crianças choram por nada, por exemplo: se quebram uma garrafinha de água, choram!
~Isto parece sem importância para alguns adultos, mas perguntar o por quê ela está chorando, não perguntam. E se ela desejava muito a garrafinha? E se a garrafinha fazia parte de um brinquedo que ela estava realizando naquele exato momento, se era um personagem importante... Às vezes o choro pode expressar tanta coisa, mas não o levamos a sério.


Outro fato importante, é que, dependendo da idade da criança, se ela ainda não sabe direito expressar o que está sentindo sobre algum fato ou situação acontecida, falar sobre o assunto ajuda a entender a própria dinâmica do cotidiano. Choro é sério, sim, e deve ser levado a sério por você, adulto! Nunca diga a uma criança que chora que ela não precisa chorar porque não é nada sério o que ocorreu. Ao contrário: apóie nesse momento. Quantos de nós gostaríamos de ter alguém que, quando estivéssemos chorando, viesse e nos consolasse! Se nem mesmo nós sabemos verbalizar e nos expressar diante do que sentimos? Não façamos para os outros aquilo que não queremos que façam conosco, independente da idade que seja. 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Pratique o desapego com as crianças

Criança precisa aprender a se desapegar de roupas, calçados e brinquedos desde pequena. Roupa e sapato até que é mais fácil porque elas crescem e o vestuário não serve mais; porém, com relação aos brinquedos, a tarefa é mais complicada.

Uma vez a cada seis meses é importante rever quais são os brinquedos que já não utilizam mais, que não querem, ou que estão quebrados. Uma boa dica é utilizar três caixas onde uma pode ser de doação, outra de lixo e a última, de brinquedos que ainda estão utilizando. Outra dica de economia e educação para a vida é vender alguns brinquedos de boa utilidade e que não querem mais e, com o dinheiro, ensinar à criança que ela poderá comprar outros brinquedos que sejam de seu desejo.

Desapegar de algo material é uma atitude importante, é um treinamento para aprender a se desapegar de dores emocionais, quando estas existirem. Muitas pessoas, quando são adolescentes ou adultos, sofrem pela perda de alguém, pelo fim de um namoro, enfim, por várias situações de perdas e lutos, e acabam sofrendo muito porque não possuem o comportamento de se desapegar; acabam ficando agarradas a sofrimentos ─ muitas vezes desnecessários ─ e não conseguem enxergar o lado bom da vida. Sofrem durante anos, ou mesmo por uma vida inteira, tudo porque não aprenderam a lidar com perdas emocionais. Que tal começar a praticar, com seu filho, o desapego desde pequeno? Desapegar-se de coisas materiais é uma forma de aprender a lidar com as perdas de maneira construtiva para o resto de suas vidas.


quarta-feira, 13 de maio de 2015

“Você é feio, gordo e burro, eu não quero brincar com você”

Uma professora me relatou que dois meninos estavam brincando, quando um deles expressou verbalmente a frase acima, e que ela não sabia o que fazer, porque ninguém queria brincar com o garoto que está acima do peso, que transpira bastante, que não aguenta correr ou mesmo fazer uma atividade interessante! Disse que nas brincadeiras de corrida, ou competição entre equipes, as crianças até choravam porque não queriam o garoto no grupo e falavam abertamente, para quem quisesse ouvir, que se o menino entrasse no grupo deles eles iriam perder porque ele não aguentava correr. Desesperada, essa educadora me pediu auxílio.

Isto é muito sério e corriqueiro de acontecer nas instituições de ensino. Propus à professora que não incentivasse, por enquanto, brincadeiras de corridas, ou mesmo as que envolvessem exercício físico que ele não conseguisse realizar a contento.  Depois, pedi que fizesse dinâmicas nas quais as crianças se reconhecessem em suas dificuldades, ou seja, atividades que mostrassem ao grupo todo as facilidades que alguns têm em alguns aspectos, e as dificuldades também. Existem algumas dinâmicas infantis de reconhecimento do próprio corpo e de sua capacidade cognitiva. Pedi que não conversasse com o grupo todo na frente do menino, mas que esclarecesse a todos que ser gordo pode ser uma doença física, e que conversasse sobre o problema obesidade sem expor o garoto. Que eles se colocassem no lugar do menino, se gostariam de serem chamados de feios, gordos ou burros... que pensassem antes de ofender alguém, que não fizessem para o outro aquilo que eles não gostariam que alguém fizesse para eles, enfim, propus à professora que trabalhasse com o grupo o processo de exercer a alteridade, o que em psicologia é se colocar no lugar do outro na relação interpessoal. Este conceito é aprendido, e devemos educar as crianças desde pequenas a ter este comportamento. Mas isto deve ser vivenciado sem castigos ou chantagens, e sim exercitando a amorosidade de uns pelos outros.

Indiquei, também, que ela procurasse os pais do garoto para saber por que ele está acima do peso, se é uma doença física, emocional ou até mesmo alimentação inapropriada. Disse a ela que é importante, como professora, saber do que se trata para propor dinâmicas que ajudem este menino a superar este problema e a conseguir interagir com a sala de forma harmônica e respeitosa. Por exemplo, se é por conta de alimentação, na escola ela poderá propor situações que envolvam frutas na alimentação das crianças, explicações sobre a função dos alimentos e nutrientes em nosso organismo, enfim, sugeri que ela soubesse do problema, para depois agir; mas nunca expor o fato abertamente na frente do garoto.


terça-feira, 12 de maio de 2015

“Será que posso usar o banheiro em paz, pelo menos um minutinho?”

Uma mãe se queixou de que sua filha é muito grudada com ela e que nem para ir ao banheiro a menina se solta, que fica na porta o tempo todo. Com essa queixa, ela me pediu socorro e eu acabei lhe fazendo alguns questionamentos: Você, mãe, se sente segura para deixar sua filha de quatro anos sozinha enquanto você vai ao banheiro? Ela me respondeu que não, que tem medo da menina se machucar, de pegar alguma coisa e quebrar, de aprontar alguma coisa e de que algo ruim possa lhe acontecer. Que ela sempre fica atenta, de olho aberto onde a filha está, onde está mexendo, o que está fazendo, etc, o dia todinho! Disse, também, que ela não se perdoaria se alguma coisa acontecesse com a menina. Tornei a lhe perguntar: O que você diz para ela quando quer ir ao banheiro e ficar sozinha? Não digo nada; saio de fininho para que ela não perceba, mas se eu me ausento, se ela não me vê, fica me procurando e começa a chorar.

Bem, o caso é mais complicado do que vocês imaginam. Na verdade, essa mãe é completamente insegura e possui medos de que a criança se machuque, de que ela morra. Enfim, essa mãe se sente cobrada por ela mesma, tendo que ser uma excelente mãe, uma perfeita guardiã da filha 24 horas por dia! E isto, como não é normal e nem saudável, a está levando à exaustão, é óbvio! Ninguém consegue ser o guarda-costas de ninguém o tempo todo! Principalmente dentro de casa, quando se supõe que esse lugar seja um espaço de conforto, de relaxamento, de descontração!

Todos nós precisamos de espaço para nós mesmos, até para percebermos quem somos e o que queremos. Perguntei a ela por que se sente tão cobrada e ela me respondeu que não teve mãe, que ela ficou órfã aos dois anos de idade, e que foi criada pelo pai e pelos irmãos mais velhos. Por isso, ela sentia que sua filha deveria ter a presença constante de sua mãe lhe dando atenção e proteção!
Pois bem, o caso é grave mesmo: ela não possui referência de ser mãe, porque não teve, e o medo da morte, da perda, vem por conta da morte da mãe. Ela me relatou, também, que outras pessoas da família que estão a sua volta cobram para que ela seja uma excelente mãe, que não precisa trabalhar fora porque o que o marido ganha é mais do que suficiente para manter a família, enfim, essas coisas acabaram por torná-la cada vez mais obrigada a desempenhar uma excelente função materna. Aconselhei-a a procurar ajuda de um especialista e resolvi contar esta história para que as pessoas não julguem o comportamento de alguém apenas pela aparência dos fatos, já que nós não sabemos o que cada um sente dentro de si, qual é a história que se traz registrada na memória das emoções. Esta cobrança é algo que vem de sua infância e precisa ser trabalhada para que ela não prejudique o desenvolvimento de sua filha, afinal, essa criança precisa aprender a “respirar sozinha”!


Então, não é a menina que não a deixa sozinha para ir ao banheiro, mas é ela que tem a insegurança dentro de si e que não deixa a filha sozinha por nem um minuto apenas!  A criança aprende e sente o que o adulto está fazendo. Essa mãe precisa de ajuda para que ela se sinta forte o suficiente para deixar sua filha sozinha por 5 ou 10 minutos, sem ter medo de que algo ruim possa lhe acontecer.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

“Porque não come, fica de castigo no banheiro!”

Ouvi este absurdo de uma mãe que tem dois filhos, um de sete e o outro de quatro anos. Ambos são magros, esbeltos e, como toda criança, gostam de brincar. Muitas vezes, não querem comer para poderem brincar mais, ou porque realmente não estão com fome... porque toda pessoa com fome quer comer! A mãe me disse que eles não experimentam nada de novo, não comem frutas e nem verduras, e quando comem, querem somente batata frita e carne moída com arroz e feijão. Que ela já tentou de tudo, e que agora é assim: não comeu, vai ficar de castigo! Cada filho trancado em um banheiro do apartamento! Fiquei horrorizada com esta atitude da mãe, mas a compreendi que estava no seu limite e que precisava de ajuda. Vamos lá:

A alimentação da criança tem a ver com a alimentação da família em si. Se a mãe não comeu frutas, verduras e coisas saudáveis na gestação, isto irá influenciar na alimentação do filho depois, mas claro que poderá ser corrigido. Experimentar legumes e frutas novas deve ser algo para todos da família, ou seja, os hábitos alimentares da família precisam mudar: devem começar a fazer as refeições todos juntos, devem estabelecer metas para que todos cumpram, enfim, o que os pais querem que os filhos façam, eles primeiro devem fazer e dar o exemplo.  Muitas vezes vejo pais querendo que as crianças comam isto ou aquilo, quando nem eles próprios comem. Isto, no meu conceito, é errado, porque se é para ser uma alimentação saudável, todos devem comer e não apenas os pequenos.

Agora, o que quero comentar é o fato do castigo: se essa mãe achou que colocando os filhos de castigo, no banheiro, iria surtir o efeito esperado, me desculpem, mas isto é ignorância! Primeiro porque os meninos são pequenos demais para ficarem presos num lugar como o banheiro que oferece perigo. Segundo porque eles podem aliar comida com algo de privação total e podem vir a ter problemas mais sérios ainda quando adolescentes ou adultos. Terceiro porque não se estabelece novos hábitos alimentares com punição. E quarto, porque banheiro é um local associado à higiene pessoal e íntima, nada tendo a ver com alimentação, ou seja, porque não comi fico aqui nesse lugar onde se faz xixi, coco e se toma banho? Como assim?


A comida e o ato de comer deve ser algo prazeroso na vida das pessoas; é pela nutrição e boa alimentação que nós conseguimos força e energia para nos mantermos saudáveis. Já imaginaram um adulto preso no banheiro porque não quer comer naquele dia, ou então por que come demais? Então, por que fazer com os pequenos isto?  A alimentação deve ser um momento de saciedade e de felicidade, e não de castigos ou punições descabidas. Pensem nisto.