segunda-feira, 13 de junho de 2016

Equipe multidisciplinar na escola: sua importância para o desenvolvimento saudável da criança

Em minha concepção de educação, uma escola deverá ter uma área de saúde com médico, enfermeira, fonoaudióloga, psicóloga e terapeuta ocupacional, além de dentista. Não quero que a escola faça e cumpra todo o papel da área médica, não é isto. Mas para a saúde física e mental dos alunos, a escola deveria ter, além de excelentes profissionais da área da educação, também a integração e o auxílio de profissionais da saúde como forma de prevenção e orientação.

Um psicólogo não vai fazer terapias individuais; não é isto! Mas vai auxiliar tanto os profissionais quanto as crianças na resolução de problemas emocionais; poderá oferecer elementos para o professor de sala observar uma criança quanto ao seu comportamento e orientá-lo em relação aos procedimentos que poderão ser realizados diante das dificuldades naturais que surgem ao longo do caminho da aprendizagem. Isso significa trabalhar em equipe multidisciplinar para que o pedagogo possa lidar com o aluno sob o viés de compreender melhor como se dá o processo emocional diante de situações de cognição, reflexão, análise e síntese.

O médico pediatra, por sua vez, irá verificar a saúde física e os aspectos relativos à nutrição: possíveis alergias, viroses ou outro tipo de problemas de saúde, muitas vezes trazidos por situações climáticas e ambientais, além de aspectos emocionais, claro, que compartilharia com o profissional de psicologia. A enfermeira, por sua vez, deveria estar presente para o caso de haver algum tipo de queda ou machucado ─ extremamente comuns nas escolas ─ ou mesmo para o fato de alguma criança precisar tomar uma medicação dentro do período escolar, verificando as indicações prescritas pelo receituário e bula anexados ao caderno, pela família, ou mesmo indicadas pelo médico, caso isso venha a ocorrer; temos que nos lembrar de que o professor é proibido por lei de realizar esta ação, devido aos cuidados necessários que este procedimento precisa ter.

A presença do fonoaudiólogo poderá auxiliar os profissionais da educação no inicio da linguagem da criança, e ainda durante todo o desenvolvimento da comunicação, verificando se apresentam alguma dificuldade na fala ou na comunicação como um todo. Além disto, ele poderá propor exercícios que trabalhem a expressão oral, as entonações e o correto uso da voz, sejam estes exercícios destinados aos alunos, sejam destinados aos professores que têm na voz a sua efetiva ferramenta de trabalho. Junto a este profissional, o dentista acompanhará os processos de mastigação, troca de dentes e demais aspectos da saúde relacionados à região orofacial.

Quanto ao terapeuta ocupacional, este profissional auxiliará com atividades que visem desenvolver de maneira adequada a coordenação motora fina ─ fundamental para o processo da leitura e escrita ─ seja de maneira preventiva ou como necessidade da faixa escolar a partir dos seis anos. Com relação à coordenação motora ampla, o profissional de Educação Física deverá estar presente diariamente propondo atividades em espaço próprio destas aulas, ou orientações ao pedagogo sobre o corpo do educando em sala de aula que, infelizmente dentro da vida moderna, está cada vez mais passivo.


Vemos, desta forma, que todos esses profissionais mencionados acima são importantes para o desenvolvimento integral e integrado de uma criança. O trabalho educacional só se completa se outras áreas estiverem interligadas e ativas dentro da escola; temos que nos lembrar, sempre, que a criança tem um corpo físico com mente e emoção associadas, e que quando estes aspectos não estão em harmonia podem apresentar problemas que interferem na aprendizagem. Somos um todo unido e não dissociado. Somos um todo que para ter saúde é necessário estar em sintonia e equilíbrio. Os profissionais em conexão com este todo poderão propiciar aos alunos uma vida saudável e um aprendizado real e verdadeiro. Por isso, a equipe multidisciplinar tem um papel fundamental, e a escola que tem estes profissionais integrados com a educação é um sonho! Trata-se de algo fundamental para a educação do século XXI e em cujo Projeto tenho trabalhado com muita atenção e dedicação. Pretendo que ele se transforme em realidade brevemente, dentro da Escola Sustentável que estou elaborando junto a uma equipe multidisciplinar. É um Projeto que visa à construção e ao desenvolvimento de uma Educação melhor e com pessoas saudáveis, futuros cidadãos do nosso país!   

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Uma educação voltada para um ser integral e integrado

Em neurociências cada cérebro é único; não existem dois cérebros iguais e nenhum é perfeito. Isto nos confere um modo único e ímpar de ver o mundo. Portanto, a educação integral deve respeitar o ritmo e a cultura de cada criança. Difícil é não homogeneizar as crianças em uma sociedade que quer sempre que todos sejam iguais, quando a neurociência já nos define como seres únicos. Assim, uma educação integral também deveria ser única; porém, como ter esta perspectiva se o próprio Ministério de Educação propõe Currículos de bases comuns para todas as crianças, do ensino fundamental e médio ao superior? Como respeitar as individualidades e diferenças quando queremos que todos estudem as disciplinas e cargas horárias definidas por um órgão que ─ na maioria dos casos ─ tem em seu poder administrativo pessoas que não são da área da educação, ou aquelas que, se desta área são, há muitos anos estão fora da sala de aula, desconhecendo na prática cotidiana as mudanças que ocorrem na sociedade e que se manifestam no educando que ali na escola está?

Defendo que devemos rever esta posição, considerando que nosso país é amplo e diversificado, seja em cultura, seja pelas necessidades de cada região. Assim sendo, poderíamos ter um Currículo mais livre para que cada professor pudesse perceber as dificuldades e facilidades que cada criança possui, podendo planejar de acordo com as facilidades de cada um, em comum acordo com a coordenação e direção da escola e das Secretarias de Educação Municipais e Estaduais. Atuaríamos em prol de uma educação integral verdadeiramente falando, de acordo com as necessidades de cada indivíduo, escola ou município, e não uma educação para todos igualmente. Se a neurociências nos diz, em suas pesquisas, que somos únicos, a educação deveria acolher este conceito e respeitar, em seu Currículo, esse caminho. Para isto é necessário uma reforma em todos os aspectos da educação brasileira, desde a educação infantil até o ensino superior.


 Educação integral visa atividades motoras finas e amplas, intercaladas com atividades cognitivas, culturais e artísticas, levando em consideração todo o aspecto emocional dos educandos. Nossa maneira de pensar, sentir e agir em nosso meio é consequência do que aprendemos com o mundo a nossa volta. Educação integral e integrada visa uma educação diferenciada da atual, onde atividades de lazer, de entretenimento cultural, de contato com a natureza e atividades esportivas estejam integradas a atividades cognitivas. Não deixaremos de estudar português ou matemática, não é isto, mas estudaremos de outra forma mais ampla, com a experiência do dia a dia permeando os aspectos nos quais a criança esteja inserida.  Assim, observar a natureza, procurar respeitá-la quando houver necessidade de agir, conhecer as leis da física e da química que regem o contexto da nossa sociedade, isto significa proporcionar uma educação integral, integrada ao indivíduo, à região e às necessidades sociais. Não pensamos em dividir o país, mas em respeitar e aprofundar o que a comunidade local necessita enquanto cidadania, tecnologia e campos de atuação.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Consciência emocional: importância para a saúde mental e física

Sabermos o que pensamos, sentimos e como agimos, segundo nossos pensamentos, nos faz cientes de nossos comportamentos; no entanto, isto não se aprende sozinho, ou seja, nem sempre conseguimos ter consciência de nossos atos sozinhos. Precisamos de um outro para que nos sirva de espelho, sempre. Daí que o processo da interação social é fundamental para o desenvolvimento de um indivíduo, sendo que um profissional da área da saúde, mais especificamente da psicologia, possa acompanhar esse processo de socialização e desenvolvimento das crianças e dos jovens. 

Toda escola deveria ter este profissional acompanhando a saúde socioemocional dos alunos desde a mais tenra idade; temos visto crianças sofrendo por problemas emocionais devido a vários fatores, desde pequeninas, e o professor sozinho não está preparado para lidar com todas as situações que têm se apresentado nas escolas.  Alguns pais reforçam comportamentos agressivos das crianças em suas famílias, seja pela maneira como lidam com elas mesmas, seja pela forma como tratam os outros que habitam o mesmo espaço; assim, a criança vai aprendendo pelo exemplo (com aquilo que vê), ou pela experiência (com aquilo que recebe).  Isso está ficando cada vez mais claro, cada vez mais evidenciado, nas relações que se estabelecem entre as crianças dentro do meio onde convivem.

Alguns exemplos que podem ser citados mais diretamente ligados a atitudes de não solidariedade é dizer ao filho para não dar parte de seu lanche (geralmente guloseimas) ao colega, tendo em vista que seus pais compram alimentos para o lanche de seu filho. Outra atitude reforçada pelos pais é a de não emprestar nenhum tipo de material escolar para ninguém, e a justificativa é a mesma: que cada pai compre para o seu filho o que ele quiser, e que ensine seu filho a não ficar “olhando torto” para as coisas dos outros! Esses são exemplos de atitudes egoístas reforçadas de maneira ignorante, retrógrada, incentivando um crescimento e desenvolvimento sem solidariedade, sem o compartilhamento social e fraterno de que estamos todos necessitados, rumo a uma sociedade mais humana, solidária e desenvolvida. E depois, quando chegam na vida adulta e demonstram atitudes aberrantes, pode-se perceber que nem mesmo eles têm consciência do que fazem, pois ninguém nunca trabalhou esse aspecto; ao contrário: somente estimulou de maneira a torná-lo mais egoísta e agressivo.


A presença de um profissional da área da psicologia, dentro de uma escola, pode auxiliar os pré-adolescentes a lidar com as mudanças de corpo dessa fase, já que o trânsito ─ de um período para o outro ─ mexe com o físico, o emocional e, consequentemente, com o cognitivo. De nossa parte, como adultos já “bem formados”, acabamos por crucificar os adolescentes diante da forma como lidam com a vida, as companhias, os estudos, o tipo de música, a falta de interesse pelas coisas de nossa sociedade, enfim, usamos o apelido “aborrecentes”, mas não entendemos ─ e nem eles mesmos entendem ─ que mudanças sérias estão ocorrendo em todos os sentidos, em seu corpo, sua mente e nas relações sociais também! Novas conexões cerebrais estão estabelecidas, nova maneira de pensar, sentir e agir que precisam ser revistas e reorganizadas. No entanto, quem os ajuda neste momento? Só são encaminhados ao profissional de saúde física ou mental quando algo de muito destoante passe a acontecer... E isso é muito sério: já imaginaram como é alguém precisar entender o que se passa consigo e não poder contar a ninguém, nem em sua família e nem na escola? As crianças e os adolescentes se sentem perdidos neste período e precisam de ajuda para se autoafirmar como seres humanos e sociais, para poderem obter sucesso e boa saúde mental. Crianças inseguras e adolescentes sem rumo são comuns em nossa sociedade atual; eles se encontram desamparados emocionalmente para lidar com situações de conflito interno. Se nas famílias este apoio não vem, é a escola que deverá proporcionar um profissional especializado. Educação e saúde devem andar juntas para que as crianças e os jovens possam se desenvolver de forma integral e integrada. Somente um espaço onde existam estes profissionais adequados, cuidando e orientando pais e professores, além das próprias crianças, para que todos possam conhecer e entender o que se passa consigo e com os outros ao seu redor, é o ideal. Somos um todo interligado e, para que tudo esteja em harmonia, é preciso que se entenda quem somos como consciência corporal e mental Não existe corpo separado de mente. Somos um todo integral e integrado, determinado e determinante de nossos pensamentos, sentimentos e emoções, responsáveis por nossos atos. Somos livres, porém, quanto mais liberdade se têm, mais responsáveis somos! E isto faz parte do desenvolvimento socioemocional. É necessário que a educação comece a dar mais importância ─ nas escolas ─ para este fator, se quisermos ter uma sociedade com pessoas mais equilibradas. É uma nova maneira de ver a educação com um ser humano total. Não temos, ainda, uma escola que respeite e que saiba lidar com todos os aspectos do desenvolvimento humano. Mas está na hora de começar!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Cultura integrada à natureza

Quando penso em uma escola integrada com a natureza, em uma fazenda com árvores e animais, não penso em uma escola desconectada do mundo. Somos seres culturais e históricos, somos o produto de antigas civilizações. Assim, precisamos de música, teatro, filmes, literatura, poesia, esculturas, pinturas, arte em geral para vivermos de forma saudável.

A natureza nos proporciona sons, cheiros, sensações com o vento, o frio e a chuva, com o sol, sabores e aromas, texturas e tonalidades que são únicas e que podem servir de inspiração para a representação de diversas áreas culturais. Vivemos hoje em superfícies lisas, recobertas por cimento, borracha, impermeabilizantes... usamos celulares, tablets e computadores para nos comunicarmos e para nos divertirmos, somos estimulados a nos conectarmos com o mundo e com as pessoas de maneira virtual e asséptica. Então, conectar-se com a natureza passou a significar uma necessidade de saúde e de bom desenvolvimento, acessando a fonte primária e primordial de experimentações que são únicas para cada ser humano.

Desde criança é necessário ativar regiões do cérebro que só serão devidamente acessadas se forem propiciados estímulos e ingredientes diferentes, sendo que a natureza nos dá esta oportunidade. Andar descalço na terra, na grama, nas pedras é só um exemplo importante para sermos pessoas mais saudáveis, pois cada lugar nos provoca sensações diferentes; cada superfície que tocamos ativa nervuras e musculaturas que se reportam ao sistema nervoso central e que este, por sua vez, devolve ao sistema nervoso periférico e ao nosso sistema sensorial como forma de acordar estruturas que não seriam utilizadas por aquelas crianças que só andam de meias e calçados sobre superfícies impermeabilizadas e lisas.  

Vocês podem estar pensando que pisar no chão de terra, areia, pedra, grama e poça d’água... é expor a criança ao sujo e ao frio. Ora, minha gente: sujeira se lava, toma-se banho e lá estão os pés recebendo outro tipo de estímulo, um pouco mais forte que o usual, ou seja, hora da bucha, da escova, da esponja mais áspera... estímulos que irão proporcionar mais experimentações e sensações! Se isso não for feito enquanto oferta e contato com texturas, temperaturas e movimentos de forma adequada e equilibrada em idades específicas, essas atividades que estimulam as áreas mencionadas acima terão o que se chama de lei do uso e do desuso: o que não se usa, atrofia, perde-se!

Somente uma escola sustentável em meio à natureza poderá propiciar estas experiências com os sabores, cheiros, sons, com diversas imagens e com sensações de tato nas mãos e pés.  Nossas escolas atuais se preocupam em propiciar atividades motoras finas ─ precocemente para as mãos ─ cujo objetivo é fazer com que as crianças segurem no lápis e escrevam de maneira correta; porém, esquecem-se de que somos um corpo integrado! Nas escolas de Educação Infantil e principalmente no Ensino Fundamental é muito raro vermos atividades voltadas para os pés, para o equilíbrio, a pele, os sentidos. A maior parte das escolas da atualidade nega o corpo do educando preocupando-se somente com o intelecto. Então, vamos recapitular? Não somos apenas intelecto, raciocínio e razão. Aliás, para que nosso intelecto funcione adequadamente são necessários estímulos provenientes de diferentes áreas e regiões, pois cada uma delas se integra à outra em amplas redes neurais, sendo que o todo corresponde à função solicitada! Por isso, é importante que como pais e educadores sempre nos lembremos de propiciar atividades culturais, esportivas, espontâneas e cognitivas, regadas de muita afetividade, respeito e consideração para que as crianças desenvolvam, de forma integral e integrada, o que a vida que lhes pede sempre. Isto não significa prepará-las para uma nova etapa da vida, mas sim educá-las para viver a cada dia como se este fosse único e especial, com saúde em todos os aspectos.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Atividades motoras amplas e finas: aspectos da motricidade

Toda escola se preocupa em trabalhar o corpo da criança; geralmente esta tarefa está relacionada à Educação Física que proporciona exercícios de esportes das mais variadas modalidades. Pois bem, na minha concepção de escola, esta motricidade vai além de somente exercícios físicos e/ou esportes para pensar no desenvolvimento de um indivíduo saudável.  

A preocupação com o corpo é algo que se pensa em escolas desde tempos bem antigos. No entanto, minha concepção é um pouco diferente porque penso que a motricidade deve estar relacionada com o corpo integral, tendo em vista que o cérebro possui regiões que compõem áreas motoras as quais comandam todos os movimentos corporais de um ser humano; assim sendo, em minha observação vejo que a forma como a motricidade está sendo oferecida em nossas escolas propicia certa desconexão diante dessa integridade. Por que?  Vamos lá: a escola se preocupa muito com a parte cognitiva, esquecendo-se ou deixando para segundo plano o corpo do educando, principalmente do jovem a partir dos oito, dez anos, quando o processo escolar privilegia o aprendizado que se manifesta pela cognição. Como o cérebro trabalha em conjunto, cada atividade proposta pela escola não pode dar mais valor à cognição do que à parte motora ou emocional. Basta olharmos para o currículo aplicado nas escolas do Brasil para verificarmos que há várias atividades ─ diárias ─ de Língua Portuguesa, Matemática, Historia, Geografia, Artes e apenas duas vezes por semana Educação Física. Quando distribuímos o currículo desta forma damos mais importância a uma determinada disciplina em detrimento de outra.

O mais correto, em minha visão de educadora, é o equilíbrio em todos os sentidos. Por exemplo, distribuir de forma igualitária cognição, motricidade e emoção em diferentes modalidades em sala de aula e em momentos extra-classe; e quando penso em motricidade, não me refiro apenas a atividades esportivas, mas  também  a exercícios respiratórios para oxigenar melhor todo o organismo. E falar sobre isso, dessa maneira, é esperar por críticas apontando que as nossas escolas não têm tempo para ensinar a respirar! E infelizmente, anos depois, na vida adulta, quando a pessoa estiver diante de um forte stress emocional, próxima a um ataque cardíaco, receberá como prescrição médico-terapêutica, a necessidade de aprender a respirar de forma correta para oxigenar o organismo, para manter o ritmo circulatório e para garantir melhor qualidade de vida em seu dia a dia. Nem sempre na vida adulta todos conseguem recuperar o que é inato lá na infância: respirar de forma correta!


Na escola sustentável ─ cujo significado é VIDA, em todos os seus aspectos ─ as atividades motoras são integrais e visam o corpo em seu todo, dos pés à cabeça, do movimento amplo ao movimento fino, por dentro e por fora. Para essa escola, a motricidade prevê um espaço composto por quadras, piscina, pistas de atletismo, salas de dança, de artes marciais, de exercícios circenses, e também ─ na medida do possível ─ trilhas dentro da natureza. Assim sendo, desde atividades olímpicas a jogos esportivos e movimentos de dança vivencia-se, também, o andar em corda bamba e os malabarismos, cujas atividades exigem atenção e equilíbrio físico e emocional. Precisamos nos lembrar que na vida adulta, quantas e quantas vezes nos vemos diante de cordas bambas... e que se proporcionarmos aos corpos dos educandos essas atividades diárias, desde pequenos, certamente teremos adultos com mais facilidade para superar os obstáculos que irão exigir equilíbrio e disposição diante das cordas bambas da vida! Se a vida é cíclica e feita de altos e baixos, pensemos que a espiral sempre se faz voltar ao ponto de partida.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Como trabalhar o desenvolvimento socioemocional com crianças de zero a 14 anos?

As escolas precisam aprender que não são somente os conteúdos de Língua Portuguesa ou de Matemática com os quais elas devem se preocupar para planejar suas atividades, mas que também devem pensar em como planejar o desenvolvimento dos aspectos socioemocionais de todos os seus alunos. Não se deve ignorar este fator, principalmente nos dias atuais, nos quais vemos muitos adultos destroçados porque não sabem como lidar com suas emoções e com os sentimentos em sua vida diária. Sentimentos como cooperação, solidariedade, empatia, senso crítico, curiosidade, imaginação, precisam ser ensinados ─ na verdade, precisam ser vivenciados ─ não nascemos sabendo como lidar com eles; é preciso que sejam incentivados nas escolas para que no processo do despertar eles possam ser trabalhados dentro de cada criança.

Não é só a cognição que deve fazer parte do período em que as crianças e jovens estão dentro da escola; é preciso lembrar que nesse tempo há um corpo presente permeado por todas as características e necessidades que lhe são próprias e compatíveis com cada idade. Não podemos nos esquecer da motricidade, dos aspectos lúdicos, da comunicação, da socialização e da afetividade, para mencionar apenas alguns. Precisamos nos lembrar que todas essas necessidades devem estar integradas e, para que isto aconteça, é preciso que o educador se preocupe mais com essa visão ampla, reflita mais sobre como pode trabalhar e desenvolver suas aulas... enfim, é preciso que o educador sinta que algo precisa ser mudado em relação à estrutura e à forma das aulas, facilitando o trabalho em grupo, discutindo textos em rodas de conversa, socializando o que cada um tem para falar, possibilitando que haja maior desenvolvimento e percepção sobre o tempo que cada um tem para falar, para ouvir, para compartilhar...  Procurar despertar o “se colocar no lugar do outro” experienciando, e compreendendo o por quê de cada posição, de cada atitude e conduta... Acredito que isso seja o início de um processo de aprender a trabalhar com o respeito ao outro.

Aulas específicas com profissionais da área da psicologia também precisam ser pensadas para que as crianças e os adolescentes possam entender sentimentos e emoções tais como: alegria, tristeza, perda, culpa, medo. Isto é trabalhar o desenvolvimento socioemocional, ou seja, cada um começar a compreender o que sente, como sente e porque sente de determinada maneira as coisas que acontecem ao seu redor. E, ao mesmo tempo, precisam aprender que os problemas dos outros não devem atingir a sua meta que é o seu aprendizado, o seu desenvolvimento escolar, por exemplo. Saber que a vida é cheia de conflitos, mas que temos que aprender a ter resiliência para superar traumas e seguir em frente.


Toda escola deveria ter uma área psicológica para dar esse suporte às crianças e adolescentes para que eles possam entender a si mesmos e aos outros de maneira compreensiva, podendo aprender sobre os sentimentos, por exemplo, a partir de personagens pela literatura, pelo teatro, pelo cinema e depois, tudo compartilhado, refletido, discutido, vivenciado sob a égide da psicologia e das relações humanas! É preciso que a escola amplie esse campo e comece a considerar os alunos muito mais como pessoas, como seres humanos com falhas e acertos, com defeitos e qualidades, sentimentos e emoções. Penso em uma escola que alie a psicologia ao seu dia a dia e, para isto, é necessário um profissional que saiba e queira ajudar alunos, professores e funcionários a entenderem o que passa consigo e com o outro, vencendo seus conflitos internos, em busca de uma vida mais saudável em todos os sentidos.  

terça-feira, 31 de maio de 2016

Como eu acredito o que é uma Educação Integral para as crianças do século XXI

Como pesquisadora e educadora há vários anos, eu acredito que uma educação integral é aquela que propicia um desenvolvimento de forma saudável para todas as áreas do cérebro, ou seja, aquela que permite que cognição, afeto e área motora caminhem em equilíbrio, sem haver separação entre corpo e mente.

Partindo para a prática, quero dizer de uma educação que trabalhe cognição, com conteúdos que realmente fazem sentido para a vida cotidiana demonstrando, na prática, o sentido e o significado daquele aprendizado. No meu ponto de vista, não adianta muito estudar fórmulas ou conceitos que não serão aplicados, mas apenas memorizados para uma avaliação momentânea. Aprendizagem, para mim, tem que ter sentido para a vida: conteúdos que se aplicam à prática do dia a dia e que sejam realmente importantes. A criança e o adolescente precisam aprender conceitos de matemática, física, química ou ciências biológicas a partir de elementos presentes em seu cotidiano, pensando em como as coisas são necessárias para colocar a vida em prática. E é claro que a Língua Portuguesa, seja pela verbalização ou pela escrita, deve permear todo esse conteúdo!

Com relação à afetividade, precisamos entender que este fator é fundamental para a vida de cada pessoa e que pode afetar a aprendizagem como um todo, para o bem ou para o mal, ou seja, quando uma criança vivencia algum problema emocional familiar, por exemplo, o fato em si poderá atrapalhar seu rendimento escolar. Portanto, ter uma educação que leve em consideração os aspectos emocionais, que trabalhe com as crianças o desenvolvimento de sua autoestima propiciando o desenvolvimento da resiliência para enfrentarem os problemas emocionais, é o que realmente importa, e isso significa “Educar para enfrentar a vida”.


Aspectos da motricidade ampla e motricidade fina devem ser contemplados nas áreas esportivas, circenses e nas atividades de lazer que envolvam desafios corporais. Artes e vivências artísticas podem proporcionar que a Linguagem não-verbal seja desenvolvida e que possa se manifestar como forma de comunicação e de processos experienciais. Esta educação integral, proposta por uma escola que vise realmente preparar para a vida, deve envolver a parte motora, a intelectual, a afetiva e o próprio lazer  ─ a partir do entretenimento ─ todos juntos e em relativo equilíbrio. Isso é o que eu acredito como sendo uma educação real e verdadeira!