quinta-feira, 23 de junho de 2016

Trabalho com oficinas: mecânica, elétrica, hidráulica e cerâmica

Nós só valorizamos algo, quando sabemos o trabalho que dá para fazer aquilo. Este princípio aprendi desde pequena; na minha infância, não se falava em consumo consciente, este termo é novo, e é exatamente isto que desenvolvemos quando sabemos fazer algo útil para nossa vida.

Na escola sustentável que vislumbro, toda criança terá como currículo ─ e como verdadeira experiência e ação ─ oficinas de mecânica, elétrica, hidráulica e cerâmica relacionadas às utilidades do nosso dia a dia. Trocar uma lâmpada, a extensão de um chuveiro, arrumar uma torneira que esteja pingando, ou seja, coisas fáceis de serem feitas, que reduzem o desperdício de energia e de água, e que ensinam, ao mesmo tempo, a fundamentação daquele sistema.

Pequenos reparos que podem ser aprendidos na escola podem proporcionar a reflexão e o estudo sobre o consumo consciente; por exemplo, uma torneira pingando gasta litros e litros de água em um só dia e nem sempre dispomos de profissionais para virem com a rapidez necessária consertar o estrago. No entanto, se ensinarmos esses pequenos reparos na escola, evitamos o desperdício de um bem natural tão precioso como a água, além de ensinarmos, de maneira prática aos alunos, como realizar pequenas manutenções. Uma escola sustentável pensa em ações que ajudem no dia a dia da criança e da sociedade em todos os seus aspectos. São oficinas simples, mas que poderão fazer toda a diferença quando se trata de consumo consciente.

Precisamos educar as crianças a gerarem menor consumo de eletricidade; em uma oficina sobre lâmpadas de LED, por exemplo, elas aprendem o gasto gerado de energia por outros tipos de lâmpadas, entendendo como devem ser usadas em casa para diminuir o consumo de eletricidade. Estas oficinas possuem este papel, porém, é necessário um ambiente propício para que elas aconteçam. Oficinas de cerâmica, além da parte artística, as crianças aprendem a fazer objetos que poderão ser vendidos na loja da própria escola, para que outras pessoas comprem e os utilizem gerando, desta forma, o conhecimento do aprender a fazer, a vender e, mais do que isto, a importância do consumo consciente ao lado do fator econômico: noções básicas de empreendedorismo. O conceito de sustentabilidade vai além do ambiental porque abrange, também, aspectos econômicos e sociais.  Só se aprende, de fato, se soubermos como produzir, para quê produzir, como vender e como saber utilizar o recurso financeiro proveniente de forma a agregar valores sociais. Esta é a economia solidária sustentável tão discutida em países de primeiro mundo.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Uma criança saudável: uma escola saudável!

Para que uma criança se desenvolva de forma saudável ela precisa de uma família e de uma escola que possa proporcionar a ela este desenvolvimento. Uma escola que a deixe ser uma criança espontânea, barulhenta, inquieta, emotiva e colorida.

Uma escola que a deixe ser ela mesma, que a eduque para a vida no seu todo. Crianças precisam se mover, aventurar, jogar, brincar, rir, chorar, procurar notícias, entreter-se, estudar, ler, dançar, cantar, pular, ver TV, usar o tablet,  o computador, ou mesmo o celular, enfim viver e fazer contato com um pouco de cada coisa.

Uma criança não nasceu para ficar quieta ou sentada na frente de aparelhos eletrônicos; também não deveria ficar amuada. Criança saudável é livre para ser ela mesma; não deve ser adulta em miniatura. Não devemos querer que se apresse este período da infância; toda criança precisa maravilhar-se com o mundo, pois, somente assim ela terá a garantia de uma vida emocional, social e cognitiva rica em conteúdos saudáveis, em lugares que a encantam, em contato com a natureza que lhe apresenta perfumes e cores próprias, cheia de felicidades e de conhecimentos.

Quando uma criança é ela mesma e pode brincar, jogar e se expressar, ela regula o humor e a ansiedade, promove atenção, aprendizagem e memória; reduz o stress, favorece a calma, o bem estar e a felicidade; amplia sua motivação física que impulsiona um dormir melhor, promovendo um estado de imaginação e de criatividade igualmente saudáveis. A escola e a educação, como um todo, está informando por demais as crianças, proporcionando um excesso de opções, acelerando a velocidade e o ritmo de seu desenvolvimento.

Uma criança saudável vive em uma escola que simplifica a infância e a educa bem de forma integral e integrada com a natureza; uma escola que oferece um espaço no qual ela possa explorar, refletir e aliviar as tensões características da vida cotidiana. Sim, as crianças precisam estar ao ar livre, já que a natureza propicia seu desenvolvimento potencial criativo. A experiência com o sol, com a sombra, com o vento, com a brisa, com a chuva e com o calor propiciam surpresas e descobertas. Desta forma, a escola se abre para a vida com os seus conhecimentos, trabalhando em torno deles para ampliarem sua percepção de si mesmo, do outro, do mundo e da vida. Esta é a maneira de ser saudável e de educá-las para serem pessoas de sucesso.


Quando uma criança não se suja e não precisa de um banho, é por que ela não está sendo criança. Ela está enfurnada em casa, em prédios de concreto, em contato com objetos de plástico, com brinquedos prontos e superficiais, deixando de viver uma vida de criança saudável, vivendo uma infância artificial. Por isso, a escola precisa ser uma escola que permita que a criança seja criança. Ora, ser criança é ser ela mesma, é ser natural e estar em contato com a natureza de si, dos outros e do mundo que a rodeia.

terça-feira, 21 de junho de 2016

A importância dos trabalhos manuais de uso natural

Ao longo dos últimos anos nossa educação deixou de lado algumas brincadeiras manuais para dar lugar ao uso excessivo de tecnologia, tais como tablets, celulares e computadores. Não vemos mais crianças brincando na rua, criando seus próprios objetos com papéis, gravetos, tecidos, terra, tinta e água.

As crianças estão deixando de vivenciar situações manuais que estimulam várias áreas do cérebro; sua criatividade está voltada para o eletrônico. As atividades manuais devem fazer parte da vida integral e integrada das crianças porque possibilitam que elas criem com diferentes materiais e desenvolvam a coordenação motora fina; além disso, são estimuladas a pensar e a resolver problemas. 

Toda criança tem a tendência de mexer e de transformar os objetos que estão à sua volta, mas elas fazem isso de acordo com sua vivência de mundo. A criação é sua forma de expressão, corresponde à sua sensibilidade e imaginação; então, isso não é possível de acontecer com os brinquedos prontos já que estes não desafiam o pensamento infantil: se eles já estão prontos, nada há que se acrescentar! Tudo está pronto e acabado, trazendo uma marca explícita que passa a estimular o consumo desenfreado e a comparação entre os colegas e/ou as famílias.


Quando observo esses pontos, não quero dizer que as crianças devam viver fora do mundo tecnológico! Não é isso! O momento atual incita e estimula ao uso das novas tecnologias, mas é preciso que se retome o contato com a natureza e, principalmente, que os alunos possam criar e produzir seus próprios brinquedos com materiais diversos, pois é assim que conseguirão adquirir mais experiências por meio do tato, da sensibilidade, da textura e do calor. E isso não quer dizer fazer qualquer coisa de qualquer jeito! Quanto maior o desafio, mais estímulo à ética e à estética! Criar e confeccionar os próprios brinquedos possibilita o desenvolvimento de áreas do cérebro que contribuirão para sua vida como um todo. Pensem nisso!

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Educação de corpo e sentidos pelo caminho da experiência

Atualmente muito se fala em educação integral, mas confunde-se o termo e a forma como ele vem sendo aplicado nas escolas. Educação integral é algo no qual são levados em consideração no planejamento escolar todos os aspectos de desenvolvimento de uma criança: aspectos físicos (saúde e motricidade), emocionais e cognitivos. Estes aspectos estão inseridos em uma cultura que propicia ao sujeito desenvolver um jeito de ser, de pensar e de agir compatível ao mundo que o rodeia. Quando essa compatibilidade não se adéqua ao contexto social, dizemos que o indivíduo é um marginal, ou seja, que ele está à margem do fluxo pelo qual a sociedade caminha.

Bem, vamos lá com os conceitos de ser integral: Com as novas pesquisas em neurociências descobriu-se que o cérebro não é usado em sua totalidade em nossas escolas, privilegiando muito mais a área da cognição em detrimento da emocional e da motora. A escola acaba ignorando estes dois aspectos, pois não reconhece o corpo do indivíduo como fazendo parte de seu sistema integral; e ainda pior: não reconhece suas emoções e sentimentos. Não adianta aumentar o tempo na escola e não proporcionar outras atividades para as crianças além das cognitivas, como aulas de reforço que muitas escolas que dobram período, ou algumas ONGs, acabam fazendo. O planejamento escolar do dia deve conter atividades que desenvolvam a criança em sua totalidade.

Acredito que o primeiro ensinamento que devemos proporcionar aos pequenos é que temos um corpo que nos possibilita fazer muitas coisas; esse aprendizado deve ser realizado pela experiência, por exemplo, brincar de não movimentar as pernas, estando sentado em uma cadeira, para perceber o valor de se poder andar e correr, e de considerar como é a vida de um cadeirante. Essa atividade poderia ser dada com poucos obstáculos e dificuldades, na educação infantil, mas poderia ser mais ousada e dificultosa no ensino fundamental.  Outra atividade poderia ser a de se fazer em duplas a brincadeira “o Cego e o Guia”, onde um dos alunos está com os olhos tampados por um lenço e o outro colega lhe direciona pelos lugares informando o que tem pelo caminho, ou como poderia fazer para encher um copo com água e beber. Esses exemplos vivenciais ensinam, na prática, o valor dos sentidos dentro de nossa sobrevivência e da vida social. No entanto, quando esse tipo de atividade se realiza, por um profissional da educação, na maioria das vezes isso ocorre em escolas de educação infantil como um simples entretenimento, geralmente em dias de chuva! Ainda não vi esse tipo de atividade acontecer no ensino fundamental, pois neste nível o pedagogo acaba por ignorar corpo e movimento ─ porque também ele é convencido de que isso faz parte do brincar na educação infantil ─ acelerando as crianças para aprender letras e números ou para pintar dentro dos espaços limitados dos desenhos.

Para conhecermos a nós mesmos precisamos nos tornar bons observadores de nossos sentidos e movimentos; precisamos nos lembrar de que os alunos estão em processo de desenvolvimento neuro-psico-motor. Como pedagogos precisamos oferecer experiências para que as crianças e os jovens possam exercitar a observação em si e no outro, que possam compartilhar da experiência pela motricidade e comunicação, vivenciando personagens de contos e fábulas, ou mesmo personagens da vida real, e que isso possa ser experienciado por meio de jogos para serem vividos e compartilhados em sala de aula, não só na educação infantil, como ─ principalmente ─ no ensino fundamental.

Afinal, se a vida urbana está retirando, cada vez mais, das crianças e jovens o corpo em movimento, a escola, de alguma maneira, deveria repor!


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Dança: manifestação cultural e expressão do corpo e das sensações emocionais

Uma escola integral e integrada deve ter a preocupação e ações com o todo. Para mim, isso significa uma educação voltada para o corpo e a mente. Dançar é uma das maneiras de ensinar, na prática, a expressão do corpo humano em movimento e no ambiente. A dança disciplina o corpo, os pensamentos, sentimentos e ações. Ela é mais uma linguagem a ser trabalhada na escola e não fora dela, porque faz parte das manifestações artísticas de um povo. Ela auxilia na sociabilidade, na quebra da timidez, dentre outros tantos benefícios!

Não estou aqui dizendo que a escola deva fazer danças para que os alunos se  apresentem em alguma data especial; é mais do que isto! É levar a criança a adquirir consciência corporal entendendo sua relação com o espaço e com a natureza.

A dança é uma manifestação artística que integra corpo e mente de forma indissociável, já que somos um todo vivendo conosco e com os outros interagindo num espaço chamado planeta Terra. A criança que vive de forma muito sedentária, com o uso excessivo de tablet,  computador e celular, pode vir a apresentar encurtamento de alguns músculos por volta dos 10 anos de idade, além de limitações oftalmológicas. Isso pode ocorrer pelo fato de não realizar os movimentos micro e macro como a natureza proporciona que façamos. Esta tensão muscular inadequada pode provocar uma postura incorreta, além do agravo em visão, audição e o estado de concentração. Passos de dança e alongamentos contribuem para evitar este tipo de tensão.

Brincadeiras com danças podem ser ensinadas desde bem cedo porque até as crianças podem nos ajudar a montar coreografias a partir de seus próprios gestos e movimentos. Para que eles se interessem pela dança é preciso que se leve em consideração o repertório que eles possuem e, aos poucos, ir inserindo movimentos que eles desconhecem ou pouco fazem.

Um dos princípios da educação infantil é que a criança cuide de seu próprio corpo e, para isto, se faz necessário que ela o conheça e reconheça. Muitas vezes conversando com professoras de educação infantil elas me dizem que, para elas, cuidar do próprio corpo é ensinar as crianças a se alimentarem sozinhas (autonomia), a lavarem as mãos antes das refeições, a escovarem os dentes depois do lanche, a se limparem sozinhas no banheiro, essas coisas dos hábitos e atitudes da vida diária. No meu conceito, cuidar do próprio corpo vai muito além destas atividades de rotina na educação infantil porque, ao fazer exercícios que sejam de dança ela aprenderá, de forma lúdica e espontânea, a ouvir e acompanhar ritmos com expressões e movimentos dos membros  e do corpo como um todo. Isso é possibilitar um caminho para o conhecimento; primeiramente somos e sentimos corpo e depois começamos a perceber que temos raciocínio para pensar e planejar nossas ações. Cada coisa a seu tempo!


A dança, além de ser um exercício de reconhecimento dos limites do corpo, também proporciona uma manifestação artística/cultural que precisa ser ensinada e vivenciada para fazer parte do currículo como um todo. Somos um todo integrado dentro de um espaço e, mais do que isto, vivemos dentro de um planeta que possui vida. Dança é vida, é arte, e expressão! É ser e estar neste mundo. Dança também é a sustentabilidade da vida de novas gerações.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Restaurante ( e não Cantina) na escola é bom?

Toda escola deveria ter uma espécie de restaurante para que as crianças pudessem se servir desde os quatro anos de idade, para aprenderem o equilíbrio e a ponderação para colocar o alimento no prato e, além disto, aprender a questão da quantidade e da alimentação saudável.
É obvio que o cardápio deste restaurante deverá ser muito bem balanceado por uma nutricionista e, mais do que isto, deverá ter dinâmicas para que as crianças aprendam a colocar no prato e a comer cinco cores de alimentos, além de serem incentivadas a experimentarem novos alimentos sempre.

Existe melhor forma de aprender a se alimentar bem do que de maneira lúdica e junto com os seus amigos?

Quando o lanche vem pronto de casa, ou quando a escola não propicia variedades, as crianças ficam sempre saboreando dos mesmos alimentos, não aprendendo a comer de forma saudável e equilibrada. Nem todas as crianças possuem a oportunidade em casa de experimentar novos alimentos por conta da dinâmica familiar; assim sendo, uma escola que se preocupa com a formação e o desenvolvimento de um ser integral também precisa pensar na alimentação.

 Além da preocupação nutricional também existe a preocupação de aprender a se socializar em ambientes que eles frequentam fora da escola, como restaurantes em shoppings. Se na escola eles possuem um lugar próprio para isto, com utensílios pensados para sua altura, eles começam a aprender a se servir, a não desperdiçar, a se alimentar de forma correta sem distrações, a socializar na hora da refeição, a mastigar corretamente os alimentos, enfim, aprenderão brincando.

Outro aspecto importante é que os adultos que trabalham na escola também se alimentem com eles, pois aprendemos pelas experiências e imitando uns aos outros. Educação alimentar é algo primordial para uma vida saudável. Somos o produto daquilo que comemos. Saúde é sinônimo de vida! Comer corretamente também é um aprendizado, e a escola precisa ter esta responsabilidade e este cuidado. Na minha visão de educadora, não adianta fazer atividades de nutrição na escola como a pirâmide de alimentos e não oferecer às crianças a vivência disto no cotidiano. Geralmente os alunos aprendem a nutrição no papel e talvez nunca tenham a experiência de experimentar um prato com alimentos equilibrados pela pirâmide alimentar e de forma colorida. Como será que eles poderão carregar essas informações pela vida toda se não houver a prática e a experiência diária permeando todo esse conhecimento?

Para mim, a escola deve ensinar a teoria sobre os alimentos, mas também apresentar propostas práticas todos os dias para que isto vire consciência e hábito alimentar saudável. Com a saúde do nosso corpo não se brinca; ele é resultado de nossas escolhas alimentares, de nossas vivências motoras e emocionais. Uma escola integral e integrada com a natureza também se preocupa com a alimentação das crianças, jovens e adultos que nela estejam inseridos.



terça-feira, 14 de junho de 2016

Escola integrada, sustentável e solidária

Há alguns anos pesquiso qual é a escola ideal, como seria esta escola?  Como seria sua estrutura? Como seriam trabalhados os conteúdos? Como seriam as aulas? Como se daria o relacionamento entre professores e alunos? Enfim, todas essas questões vêm permeando os meus pensamentos há algum tempo.

Cheguei a alguns caminhos que considero importantes e que divido com vocês agora neste texto. Uma escola ideal não é fácil de se conseguir porque os anseios são diferentes e a perfeição não existe; porém, é preciso pensar no ser humano atual para ver as necessidades de uma educação realmente transformadora, não somente com relação a conteúdos, mas também com valores morais, éticos, políticos, econômicos, ambientais e sociais, propondo um ser humano íntegro e saudável, quer seja em seu aspecto físico e emocional, quer seja na relação com o outro, com a sociedade, a vida e o planeta. Uma escola que atendesse realmente à sociedade em que vivemos e que não ficasse apenas no campo da informação, mas que realmente proporcionasse conhecimento. Uma aprendizagem pela experiência para a vida!

Pensando, refletindo, analisando e repensando, chego à conclusão que devido ao mundo atual devemos voltar esta escola para um ambiente natural, ou seja, uma escola fazenda. Esta instituição deverá resgatar princípios e valores básicos de sobrevivência humana, tanto para uma geração atual, como para as próximas gerações. É necessário educar mente e corpo de forma integrada junto à natureza. Educar valores do plantar e do colher em todos os sentidos, quer sejam na horta e no pomar, quer sejam na vida. Educar para saber fazer escolhas, educar para o empreendedorismo desde pequenos.

Como seria esta escola? Uma fazenda com horta, pomar, animais (cavalos, pôneis, vacas, galinhas, porcos, etc), quadras de esporte, parques, jardins sensoriais, restaurante, piscinas, anfiteatro, sala de música, de dança, de meditação, área de saúde (médico, psicóloga, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, dentista), atelier, brinquedoteca sustentável, oficinas de mecânica, elétrica, marcenaria e de gastronomia infantil; pequeno armazém para venda de produtos produzidos pelas crianças (empreendedorismo), pistas para aprender a andar em ciclovias, semáforos, faixas de pedestre (mobilidade urbana), acessibilidade para aprender a conviver de forma cidadã, respeitando a diversidade humana. Enfim, uma escola que alinhasse cognição, corpo, mente, artes, cultura, empreendedorismo, exercício pleno da cidadania de forma sustentável, ou seja, que aprendesse de fato a reciclar, reutilizar e reduzir, pensando e agindo de forma a preservar a vida em todos os seus aspectos.


É esta estrutura física que acredito ser importante, porém, ela não é suficiente para que possamos garantir esta nova educação. É preciso pessoas que comunguem com as mesmas ideias e os mesmos ideais; profissionais que realmente saibam trabalhar de forma a promover uma mudança também em si, praticando o autoconhecimento; além disto, pessoas que realmente queiram um mundo melhor. Um mundo que não seja utópico, presente apenas nos almanaques de boa conduta, mas um mundo real com problemas que precisam ser resolvidos, propondo soluções práticas e de convivência harmônica. Acredito que o mais difícil sejam os seres humanos, pois, prédios são fáceis de serem construídos! Mas vestir a camisa de construir uma educação que verdadeiramente trabalhe pelo desenvolvimento de um ser humano, que verdadeiramente ofereça experiências para vivenciar a natureza, a saúde física, cognitiva e emocional, a diversidade, a cidadania, o respeito a si e ao outro... enfim, uma equipe dentro da escola que possa trabalhar consigo, primeiramente, para poder se inserir em uma educação que alavanque valores que sejam além do TER, e que passem a viver o SER, o SER HUMANO.