sexta-feira, 17 de junho de 2016

Dança: manifestação cultural e expressão do corpo e das sensações emocionais

Uma escola integral e integrada deve ter a preocupação e ações com o todo. Para mim, isso significa uma educação voltada para o corpo e a mente. Dançar é uma das maneiras de ensinar, na prática, a expressão do corpo humano em movimento e no ambiente. A dança disciplina o corpo, os pensamentos, sentimentos e ações. Ela é mais uma linguagem a ser trabalhada na escola e não fora dela, porque faz parte das manifestações artísticas de um povo. Ela auxilia na sociabilidade, na quebra da timidez, dentre outros tantos benefícios!

Não estou aqui dizendo que a escola deva fazer danças para que os alunos se  apresentem em alguma data especial; é mais do que isto! É levar a criança a adquirir consciência corporal entendendo sua relação com o espaço e com a natureza.

A dança é uma manifestação artística que integra corpo e mente de forma indissociável, já que somos um todo vivendo conosco e com os outros interagindo num espaço chamado planeta Terra. A criança que vive de forma muito sedentária, com o uso excessivo de tablet,  computador e celular, pode vir a apresentar encurtamento de alguns músculos por volta dos 10 anos de idade, além de limitações oftalmológicas. Isso pode ocorrer pelo fato de não realizar os movimentos micro e macro como a natureza proporciona que façamos. Esta tensão muscular inadequada pode provocar uma postura incorreta, além do agravo em visão, audição e o estado de concentração. Passos de dança e alongamentos contribuem para evitar este tipo de tensão.

Brincadeiras com danças podem ser ensinadas desde bem cedo porque até as crianças podem nos ajudar a montar coreografias a partir de seus próprios gestos e movimentos. Para que eles se interessem pela dança é preciso que se leve em consideração o repertório que eles possuem e, aos poucos, ir inserindo movimentos que eles desconhecem ou pouco fazem.

Um dos princípios da educação infantil é que a criança cuide de seu próprio corpo e, para isto, se faz necessário que ela o conheça e reconheça. Muitas vezes conversando com professoras de educação infantil elas me dizem que, para elas, cuidar do próprio corpo é ensinar as crianças a se alimentarem sozinhas (autonomia), a lavarem as mãos antes das refeições, a escovarem os dentes depois do lanche, a se limparem sozinhas no banheiro, essas coisas dos hábitos e atitudes da vida diária. No meu conceito, cuidar do próprio corpo vai muito além destas atividades de rotina na educação infantil porque, ao fazer exercícios que sejam de dança ela aprenderá, de forma lúdica e espontânea, a ouvir e acompanhar ritmos com expressões e movimentos dos membros  e do corpo como um todo. Isso é possibilitar um caminho para o conhecimento; primeiramente somos e sentimos corpo e depois começamos a perceber que temos raciocínio para pensar e planejar nossas ações. Cada coisa a seu tempo!


A dança, além de ser um exercício de reconhecimento dos limites do corpo, também proporciona uma manifestação artística/cultural que precisa ser ensinada e vivenciada para fazer parte do currículo como um todo. Somos um todo integrado dentro de um espaço e, mais do que isto, vivemos dentro de um planeta que possui vida. Dança é vida, é arte, e expressão! É ser e estar neste mundo. Dança também é a sustentabilidade da vida de novas gerações.

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