quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Semáforo da obediência: disciplina em sala de aula

Esta frase constava de um “post” que eu vi em uma rede social; não vou copiar aqui por questões éticas e de direitos autorais, mas preciso comentar sobre este cartaz que muito me intrigou. Vou tentar descrever  como era para que vocês possam entender  depois os comentários. Imaginem um cartaz que na parte de cima continha os dizeres “semáforo da obediência” e, embaixo, dois círculos, um verde e um vermelho com carinhas. O verde estava com uma expressão de feliz; já o vermelho, de triste. O círculo verde de felicidade estava envolvido com pregadores de roupas mencionando o nome de cada criança. Nele observava-se que havia o seguinte funcionamento:  quando a criança desobedecia, o pregador ─ que tem o seu nome ─ acabava indo para o círculo vermelho, o de carinha  triste! Acho que pela descrição vocês conseguem entender o que eu estou querendo relatar a respeito do cartaz que vi. Então, vamos às análises.

 O semáforo serve, sim, em nossas cidades, para regular o trânsito, colocar ordem ao tráfego para que se previnam acidentes e congestionamentos. Mas desde quando eles possuem carinhas de tristes ou felizes?  Isto não condiz com a realidade. Outro ponto a se pensar é o seguinte: será que devemos, em pleno século 21, premiar e/ou desaprovar condutas com um simples pregador que muda de posição? Isto é ensinar ou adestrar?

Será que a professora que usa isto entende, de fato, o que vem a ser indisciplina? Ou, mais que isto, será que tem sensibilidade para perceber quando as crianças estão sem vontade, ou até mesmo desobedecem? Será que ela pensa nos métodos de ensino que usa, no sentido de se questionar se eles estão satisfazendo estas crianças, ou não?


No lugar de usar um cartaz com regras combinadas pelo grupo, que tenha por objetivo definir a identidade da turma e os limites construídos em conjunto, acordos  e combinados que sejam entendidos pelas crianças, usa-se um semáforo! E o pior é que nem parecia, de fato, com um semáforo; somente se percebia que havia uma referência a esse instrumento por conta da cor, mais nada. Quando se trata de disciplina/indisciplina, é preciso se considerar que existem vários fatores que precisam ser analisados com coerência e lógica, colocando-se, sempre, no lugar do outro! Mas muitas vezes, por questões de ordens autoritárias, professores usam este tipo de cartaz como regulador de comportamento, sem fazer uma análise crítica da situação. Isto não funciona, está fora da realidade das crianças do século 21. 

Um comentário:

  1. olá, sou professora de educação infantil de 4 anos, li a sua consideração e concordo plenamente com tudo que expôs. Cheguei ao seu blog justamente por procurar sobre esse tal semáforo da obediência e saber como ele é, soube dele por sugestão do meu trabalho para fazer ao final do dia uma autoavaliação com a turma, já que minha turminha está reagindo com mordidas e outras agressões quando acontece algo que está contrário as suas vontades. Entendo que ser criança e ter voz é muito difícil e principalmente na escola que tente a focar o conteúdo e o professor e não a criança, por isso deixo meus alunos bem a vontade para se expressarem, seja comigo ou com os colegas, desse modo eles mostram suas reações mais imediatistas para resolver algum conflito; constantemente conversamos sobre os direitos nossos e dos outros, sobre o mal que faz agredir o outro e como devemos nos comportar para um ambiente coletivo agradável. Mas infelizmente as conversas, combinados e produções de cartazes coletivos não estão sendo suficiente, então surgiu a ideia do semáforo, mas não o da disciplina, mais sim da autoavaliação! No fim do dia de cada aula, cada aluno pegará o seu pregador (com seu nome) e irá pensar sobre o que fez que feriu o direito do outro e o aluno irá decidir se irá colocar no vermelho (pare), no abobora (atenção) ou no (verde) siga. Antes de apresentá-los o semáforo irei falar sobre o transito em si e a importância real do semáforo. Bem acredito que devemos sempre aproveitar o limão e fazer uma doce limonada. Ainda não fiz essa experiencia com os alunos, mas quando tiver o resultado eu volto para lhe contar. Ah, e sem carinhas tristes e felizes.

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